Blog do Boris Boris Feldman

Garoto de programa

“Eu jamais trocaria um V8 roncando grosso por um insosso elétrico de ensurdecedor silêncio”

entusiasta2 - Shutterstock

Sou jornalista especializado em automóveis há 50 anos. Escrevi para inúmeros jornais e revistas. Criei, produzo e apresento um programa de rádio (AutoPapo) que está hoje em 40 emissoras e outro de televisão (Vrum) que foi exibido nacionalmente pelo SBT durante muitos anos. Quando não estava na “máquina de escrever”, brincava de pilotar automóveis nas pistas. Ou como “cartola”: fui vice-presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo. Mudei de brinquedinho e, do automobilismo,  passei para o antigomobilismo.

Mas as mídias se renovaram, a eletrônica ultrapassou a impressa e domina o mercado. Continuo em vários jornais e revistas, mas lancei – há quase um ano – este portal, o AutoPapo, também dedicado às coisas motorizadas sobre rodas.

O maior golpe que sofri ao entrar no mundo web foi descobrir que tinha de repensar e reformular tudo que aprendi no jornalismo, pois no texto para um site o jogo é outro e não segue as regras do jornal ou revista. Quem dá as cartas no pedaço é o “Dr. Google”, com seus parâmetros de avaliar matérias. Quem não conhece (e segue) o SEO (iniciais em inglês de “otimização do  motor de busca”) pode tirar o cavalinho da chuva. A matéria pode ser ótima, mas não será sucesso na tela nem contabilizará bom volume de acessos.

Tive que me adequar – aos trancos e barrancos – às regras da web. Muito embora pertença ao razoável batalhão de leitores que ainda adora segurar papel para ler jornais e revistas. Que não se importa em lavar as mãos negras de tinta depois de folhear um jornal.

O automóvel não é diferente. Depois de dezenas de anos de puro prazer (às vezes privilégio) de estar ao volante de centenas de carros e curtindo estilo, motor, câmbio, direção, suspensão e freios, é inútil negar que o carro do futuro vai eliminar esses prazeres e sensações.

Eu jamais abandonaria um V8 roncando grosso por um insosso elétrico que nem barulho faz. Mas não tem futuro por ser extremamente ineficiente. Por isso dizem que o motor a combustão é a melhor máquina de calefação do mundo:  75% do litro de gasolina no tanque não vão para as rodas, mas para gerar calor.

Na semana passada, comentei nesta coluna (leia aqui) estarmos vivenciando uma revolução em que o motorista será substituído pelo computador. Fui aplaudido (ainda bem…) mas levei também uma saraivada de tiros (melhor ainda…) dos entusiastas do automóvel. Que não admitem o elétrico e muito menos o autônomo. Eu me alinho com eles, como entusiasta que sempre fui, da alergia aos autônomos.

O silencio ensurdecedor dos elétricos é incapaz de sensibilizar alguém. Mas tive que tirar o chapéu para um AMG GT elétrico que dirigi numa pista europeia: 750 cavalos (um motor de quase 200 cv em cada roda) e chega a 100km/h em menos de três segundos.

Há quem conteste o elétrico argumentando que a recarga da bateria gera poluição. E de ela própria ser um entulho ambiental. Mas existe solução mais limpa: é o carro elétrico que anda sem bateria, com eletricidade gerada nele mesmo pela célula a combustível (fuel cell), que funciona com H2. E, para o Brasil, um trunfo adicional: dá para alimentar a fuel cell com o etanol encontrado nos postos.

Como apaixonado pelo automóvel, eu abomino o carro autônomo. Como jornalista, sou obrigado a reconhecer que sua presença é indiscutível, a longo prazo.

Apaixonado que sou pela música clássica, prefiro (e mantenho) o “long-play” de 33 rpm, mas tive que me render também ao CD, DVD, blu-ray, pen-drive, iPod e outras modernidades. Mas já estão reeditando o LP! E, acreditem se quiser, acabam de relançar a versão impressa do glorioso JB!

Como jornalista, tive que me render aos meios modernos e interativos de comunicação. Mas saudoso – e como! – da época em que fui garoto de programa – na tevê…

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