Blog do HP Hairton Ponciano

Pneu usado é melhor que novo – e quem afirma é uma fabricante de pneumáticos

De acordo com a Michelin, desde que em bom estado, pneus usados são melhores que novos em termos de estabilidade e frenagem sobre piso seco

A Michelin afirma que a substituição precoce pode resultar em 128 milhões de pneus adicionais por ano somente na Europa. Epitácio Pessoa/Estadão

Muita gente acha que, quanto mais novos, melhores são os pneus. Mas a própria Michelin – uma das mais importantes fabricantes do setor – divulgou um comunicado enaltecendo as qualidades dos pneus usados!

Em um documento intitulado “A verdade sobre pneus usados”, a multinacional francesa esclarece alguns pontos que pouca gente sabe, e quase ninguém comenta.

O ponto nevrálgico é o que afirma que, em termos de estabilidade sobre piso seco e economia de combustível, um jogo de pneus perto do limite de sua vida útil (com a profundidade de sulcos próxima de 1,6 mm) é melhor que um conjunto novo.

Antes de mais nada, é importante esclarecer que pneu velho não é aquele totalmente liso. É o que preserva todos os sulcos de modo uniforme na banda de rodagem, que tenha a carcaça em bom estado, sem “bolhas” nas laterais, e “ombros” (extremidades da banda de rodagem) sem arredondamentos.

Para chegar à velhice assim, os pneus – como as pessoas – precisam ter tido uma vida saudável. Só chegam à velhice em forma pneus que tenham passado por rodízio, balanceamento e alinhamento de direção periódicos. Esses cuidados fazem com que o desgaste seja uniforme.

Voltando à Michelin, a empresa afirma que as tecnologias modernas possibilitam que os pneus tenham altos níveis de aderência “mesmo até os últimos milímetros de desgaste”.

A empresa escreve com todas as letras que sobre piso seco a distância de frenagem é menor com pneu usado do que com o mesmo pneu novo. Além disso, em piso seco, o pneu usado gera menos atrito com o solo, e portanto o veículo gasta menos combustível.

Com chuva, a coisa muda

Com piso molhado, as coisas mudam, mas mesmo assim a Michelin afirma que “alguns pneus usados podem ter desempenho tão bom como alguns novos”. Claro que nesse ponto ela puxa a sardinha para a própria brasa, ao insinuar que até no molhado seu pneu usado consegue performance comparável ao novo da concorrência.

A afirmação se baseia no fato de que a profundidade dos sulcos, embora seja um fator importante (já que eles servem como dreno de água), não é o único responsável pela estabilidade em piso molhado. A fabricante cita elementos como desenho da banda de rodagem e composto de borracha como dois exemplos de fatores que também podem interferir (para o bem ou para o mal) no comportamento.

A Michelin afirma que, em testes, “os pneus não apresentam resultados iguais quando novos, e as diferenças de desempenho são mais acentuadas quando o pneu está gasto”.

O documento também afirma que, se os pneus forem trocados cedo, antes do limite legal, os consumidores gastarão dinheiro sem necessidade, com impacto negativo sobre o ambiente.

Para o consumidor, isso representaria um custo estimado em 6 bilhões de euros só na Europa, de acordo com cálculos da consultoria Ernst & Young.

Para a atmosfera, a Michelin informa que a troca precoce de pneus resulta em uso adicional de 128 milhões de pneus por ano somente na Europa, com a emissão equivalente a nove milhões de toneladas de CO2.

Seminovos

Confira as melhores ofertas do Autoline.com.br


Ofertas 0KM

Mais ofertas

Mais ofertas exclusivas

Veja todas as condições especiais


Mais artigos
Volvo XC40
BMW 740e híbrido
Trânsito em São Paulo
Volkswagen Tiguan
Tesla Modelo S
Ford Ka