Carros viram presentes de filhos para pais

Confira a história de homens que passaram para a próxima geração a paixão por automóveis


Diego e Mauro estão restaurando Kombi de 1974

“Você está brincando. Jura que esse carro é meu?”, perguntou o arquiteto Carlos Fleury ao filho Leonardo, diante do Fusca de 1968. “Pai, é seu”, respondeu o estudante de direito, que resolveu dar o presente para celebrar o aniversário de Carlos e, ao mesmo tempo, o Dia dos Pais.

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O Volkswagen é uma paixão da família. Carlos teve um modelo 1972 e não escondia do filho o arrependimento por ter vendido o carro.

Leonardo conta que procurou o Fusca em anúncios por dois meses até encontrar o modelo que o agradasse. “Eu o guardei na garagem de um amigo e comecei a personalizá-lo para que ficasse a cara do meu pai.”

Os Marcos: pai e filho compartilham nome e têm o mesmo modelo de veículo (Foto: José Patricio/Estadão)

Entre as atualizações, o carro ganhou rodas americanas, interior vermelho, suspensão rebaixada e bagageiro de época. O motor também foi revisado.

A reação do funileiro Marcos Carvalho ao ganhar um Chevrolet Monza de presente foi contida, mas carregada de emoção. “Ele é reservado, não expõe muito seus sentimentos. Mas sua alegria era nítida e foi demonstrada por meio de um verdadeiro abraço de pai. Não há nada no mundo que pague isso”, conta o filho, que também se chama Marcos e é funileiro.

Ele resolveu comprar o sedã para tentar resgatar a paixão do pai por automóveis, perdida após seu Fusca 1966 de “estimação” ter sido furtado há 11 anos.

Isso porque quando Marcos (filho) comprou um Monza, em 2005, seu pai passou a cuidar do carro como se fosse dele. “Agora cada um tem o seu próprio Monza. A satisfação maior foi fazer meu pai ficar feliz”, diz. Pai e filho fazem parte do clube dedicado ao modelo.

RESGATE

O xodó do programador Mauro Carvalho era a Kombi 1986 do filho, Diogo Ferreira. Mas o radiologista teve de vender a van, o que deixou seu pai bastante chateado.

Para tentar agradar Mauro, Diego deu-lhe outra Kombi, de 1974, que à primeira vista pareceu ser um “presente de grego”. Além de estar incompleto, com várias peças faltando, o carro chegou à casa do pai guinchado.

“Fiquei muito bravo”, diz Mauro, que mudou de opinião quando começou a restaurar a VW. “Quero deixá-la bem legal. Andar com ela aos fins de semana, reunir os filhos e ir à praia.”


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