Novato Fiat Argo encara líder de vendas Chevrolet Onix

Versões intermediárias com câmbio manual se encaram em duelo de custo e benefício acirrados

Fiat Argo Drive 1.3 x Chevrolet Onix LTZ 1.4 - Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Durante o lançamento do Argo, no final de maio, a Fiat não escondeu que seu novo hatch vinha para encarar Onix e Hyundai HB20. Pois a hora chegou, e a gente promove o encontro. Neste comparativo, o Argo Drive 1.3 (R$ 53.900) desafia o bicampeão nacional de vendas, o hatch Chevrolet – na versão LTZ 1.4 (R$ 56.650).

A novidade larga na frente por causa do preço, e acaba levando a melhor por ser mais moderna, econômica, potente e tecnológica – além de ter seguro mais em conta. O Argo traz de série itens que o Onix não tem nem como opcionais, como sistema start-stop e dispositivo Isofix para fixação de cadeirinha infantil.

O Chevrolet, por sua vez, contra-ataca com câmbio manual de seis marchas (cinco no Argo). Além disso, vem com rodas de liga aro 15, faróis de neblina, sensor de obstáculo na traseira e comandos elétricos para espelhos e janelas traseiras. Todos esses itens são opcionais no Argo. Completo, o Fiat chega a R$ 58.200.

Em comum, ambos oferecem central multimídia com tela de sete polegadas, compatível com espelhamento de smartphones (Android e Apple), direção elétrica e monitoramento de pressão dos pneus, entre outros equipamentos.

Vistos de fora, os dois ostentam visual moderno. Isso é praticamente uma obrigação para quem acabou de chegar (caso do Argo), mas o Onix não faz feio. A reestilização pela qual o modelo passou, há um ano, atualizou a aparência, especialmente na frente.

Por dentro, o Fiat é o que recebe melhor o motorista. O visual do painel é bem mais atraente, com monitor central na mesma linha horizontal do quadro de instrumentos. Isso facilita a visualização e a segurança, porque o motorista não precisa baixar a vista para acessar os comandos na tela sensível ao toque, como no Onix.

O quadro de instrumentos do Fiat também é melhor. No Onix, o mostrador minimalista causou boa impressão na época do lançamento do carro, em 2012, mas o fator novidade já passou. Tem somente computador de bordo, enquanto o Argo 1.3 traz um display entre o conta-giros e o velocímetro que oferece diversas informações adicionais, como, por exemplo, tensão da bateria e horas de funcionamento do motor.

Os dois têm comando de som no volante, assim como ajuste de altura na coluna de direção e no banco do motorista. Achar a melhor posição é bem mais fácil no Argo, porque no Onix o comando rotativo de altura do assento não é prático. O Fiat tem custo das três primeiras revisões um pouco mais baixo.

Argo tem motor menor, porém mais potente

O Argo compensa o motor um pouco menor (1.3, diante do 1.4 do Onix) com mais tecnologia. Embora os dois tenham somente oito válvulas e comando único, no propulsor da nova família Firefly da Fiat o comando é variável, o que resulta em melhoria tanto no consumo quanto no rendimento.

Com etanol, o Argo tem 109 cv e faz média de 9,2 km/l na cidade, ante os 8,6 km/l do Onix (106 cv). O torque do Fiat também é superior, e é entregue em rotação mais baixa: 14,2 mkgf a 3.500 rpm, contra 13,9 mkgf a 4.800 giros no Onix (ambos com combustível renovável).

Os dois mostram boa agilidade na cidade, e mesmo na estrada nenhum decepciona (a sexta marcha reduz o nível de ruído do Onix). Ambos têm direção elétrica bem calibrada, mas a do Argo mostrou-se mais direta e “comunicativa” (passa melhor as informações do piso). Já a suspensão do Onix continua a ser referência: isola bem as imperfeições do piso, trabalha silenciosamente e garante boa estabilidade.

O Fiat comporta-se bem nas curvas, mas a carroceria balança um pouco mais que a do rival, revelando acerto um pouco mais macio.

Opinião
Hora de se mexer
Hairton Ponciano

O Onix chegou há cinco anos sacudindo paradigmas: trazia para a categoria dos compactos algo inédito, um sistema multimídia (MyLink), equipamento que só se via em carros bem mais caros. Mais tarde, acrescentou a ele o dispositivo OnStar, de auxílio remoto. O Onix também representou um salto em termos de dirigibilidade, quando comparado aos antigos modelos da Chevrolet, como Celta e Corsa. E foi o pontapé inicial da renovação de linha da empresa, tanto que depois dele veio o restante da família (sua plataforma é a mesma de Prisma, Cobalt, Spin e Tracker). Não é à toa que ele tem se mantido como o mais vendido do País nos últimos dois anos. E também não é por acaso que a Fiat se inspirou nele e no Hyundai HB20 para fazer o Argo. Conseguiu. Mas agora é hora de o Onix voltar a se mexer, até porque, embora continue com a aprovação do público, no teste de colisão do Latin NCAP ele tirou nota zero. Se parar…


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