Novo Ford EcoSport Freestyle encara Honda WR-V

Com novo motor 1.5 de três cilindros, versão intermediária do Eco pega WR-V EXL, de topo

Foto: Rafael Arbex/Estadão

Desde o lançamento do EcoSport, em 2003, quase tudo mudou no segmento de utilitários-esportivos compactos. Vieram vários novos rivais e o Ford, embora tenha resistido bravamente, acabou perdendo a hegemonia do mercado.

Agora, o pioneiro recebeu uma reformulação sobre a segunda geração que inclui visual mais moderno, interior caprichado e motores novos. A mudança fez tão bem que o “veterano” estreia com vitória diante do WR-V.

Lançado no início deste ano, o Honda derivado do Fit tem dimensões e preços semelhantes ao Ford, mas fica devendo em equipamentos e refinamento mesmo na versão de topo, EXL. Superior nesses quesitos, o EcoSport compensa o preço um pouco maior na configuração escolhida para o comparativo, FreeStyle (intermediária) com o novo motor 1.5.

Tabelado a R$ 86.490, o Ford esbanja itens de série. Há mimos como ar-condicionado digital e bancos revestidos parcialmente de couro, bem como uma vistosa central multimídia. A fartura do carro feito em Camaçari (BA) contrasta com a simplicidade do WR-V, que tem tabela de R$ 83.400 e é produzido em Sumaré (SP).

Se não chega a ser “franciscano”, o Honda deixa a desejar na qualidade dos materiais de acabamento e no revestimento acústico, que não são condizentes com um carro dessa faixa de preço.

A Ford fez o dever de casa e melhorou bastante a cabine de seu utilitário, que tem até painel emborrachado e quadro de instrumentos bastante completo, semelhante ao de modelos mais caros e muito melhor que o do Honda.

O WR-V até traz central multimídia com câmera na traseira (que produz imagens semelhantes às de um olho mágico), mas menos completa que o sistema do EcoSport. O Honda também deve air bag para os joelhos do motorista, presente no rival, bem como o importante controle de estabilidade (ESP), outra falha inaceitável em carros de mais de R$ 80 mil.

Ao menos, o WR-V contra ataca com mais eficiência no aproveitamento de espaço que o EcoSport. O Honda leva melhor os ocupantes do banco de trás e tem um engenhoso sistema de rebatimento da segunda fileira, que conta com ampla possibilidade de configurações.

O porta-malas do WR-V também é um pouco maior, com 363 litros, ante 356 do rival. Além disso, o bagageiro do Ford é mais alto do que profundo, fazendo com que as malas tenham de ser empilhadas para aproveitar melhor o espaço.

Motores
Também novo no EcoSport Freestyle é o motor 1.5 de três cilindros e 137 cv. A versão avaliada traz câmbio automático de seis marchas. O propulsor do WR-V é também 1.5, mas de quatro cilindros e 116 cv. A transmissão é automática CVT.

Novo motor dá brilho extra ao EcoSport
A troca do antigo motor 1.6 pelo novo 1.5 fez muito bem ao EcoSport. Com três cilindros e muita suavidade no funcionamento, o propulsor casa muito bem com o também novo câmbio automático de seis velocidades. O modelo da Ford conta com acelerações lineares e é bastante ágil na cidade, situação em que seu motor entrega bom torque em baixas rotações e a transmissão faz trocas de marcha sem indecisões.

O conjunto é bem mais interessante que o do WR-V. O desempenho do Honda não decepciona, mas o câmbio CVT se encarrega de roubar qualquer emoção ao volante.

Segundo o Inmetro, fonte para dados sobre consumo nos comparativos do Jornal do Carro, o EcoSport roda até 12,8 km na estrada com um litro de gasolina, ante os 12,4 do WR-V. Por isso, eles têm notas iguais.

Porém, durante a avaliação, o computador de bordo do Honda chegou a marcar 14 km/l, graças ao câmbio CVT, que mantém as rotações bem baixas ao rodar em rodovias.

Já o do Ford não hesita em reduzir uma ou duas marchas para manter o ritmo, o que acaba elevando o consumo do jipinho na “vida real” (12 km/l no computador de bordo).

Opinião
Quem diria: atualmente o comprador do EcoSport é visto como alguém com gostos mais tradicionais entre os consumidores de utilitários compactos. Só que o tempo passa para todos e até os mais tradicionais podem recorrer a uma intervenção cosmética aqui e ali. E foi justamente o que a Ford fez em seu jipinho, que envelhecia à sombra de rivais mais modernos. A marca mexeu exatamente nos quesitos que motorista e passageiros mais percebem, e ganhou muito com as mudanças. Trata-se do melhor EcoSport feito até hoje. É certo que alguns problemas só serão corrigidos em uma nova geração, como o espaço interno e o porta-malas pequenos, mas motor e câmbio evoluíram muito e o acabamento passa a impressão de pertencer a veículos mais caros. Principalmente ao considerar a diferença de meros R$ 3 mil entre o WR-V de topo e um EcoSport que, de tão renovado, nem parece que ainda está na mesma geração lançada há cinco anos.

 


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