Porsche 930 ‘Slantnose’ é remédio contra estresse

Quando precisa espairecer, o administrador de empresas Ángel Martínez corre para o volante do Porsche de 1983 que trouxe dos EUA

Amanda Perobelli/Estadão

Quando o administrador de empresas Ángel Martínez está com a cabeça tomada pelo trabalho, bastam 20 minutos de terapia para que as tensões se aliviem e o dia difícil passe a ser prazeroso. Essa terapia tão eficaz consiste em dirigir o Porsche de 1983 que ele mesmo importou.

Não é um Porsche qualquer: trata-se de uma rara variante do modelo 930 com a frente em cunha, conhecida como “Slantnose”, e que fascinou Martínez. Como não havia no Brasil nenhum exemplar original dessa versão, ele resolveu trazer o modelo dos Estados Unidos por conta própria, em 2014.

O carro dos sonhos foi encontrado por meio da internet. Com pouco mais de 128 mil km rodados, estava muito bem conservado e era acompanhado de farta documentação. A papelada incluía notas de serviços como trocas de óleo, provas do traslado do veículo por avião da Alemanha até os EUA e a primeira placa que ele recebeu, no Estado do Alasca.

“Apenas 42 dias após a compra, o carro já estava na minha garagem. Depois, descobri que seu primeiro dono foi o piloto de corrida Dick Barbour, que correu a 24 Horas de Le Mans (na França) de 1979 ao lado do ator Paul Newman e conquistou o segundo lugar na prova.” Nas mãos do executivo, o carro dos sonhos se tornou uma fácil realidade. Ele nunca precisou fazer reparos no veículo.

“De lá para cá, tive apenas de trocar o óleo. O motor liga na primeira tentativa. Aliás, quando meus amigos precisam regular os motores de seus 911 Turbo, usam o do meu carro como referência”, gaba-se.
Por via das dúvidas, ele tem à mão três profissionais de confiança para cuidar do Porsche: um mecânico, um funileiro e um tapeceiro. “É preciso recrutar mão de obra especializada em modelos dessa época, já que a mecânica dos atuais é muito mais eletrônica.”

Bravo. Com motor de 330 cv e tração traseira, o brinquedo preferido de Martínez exige destreza ao volante. “Se você não souber dirigir bem, é um carro meio traiçoeiro. A aceleração brutal para os padrões da época lhe rendeu o apelido de ‘widow maker’ (fazedor de viúvas)”, conta o administrador. Ele diz que o esportivo é até amigável para o uso no dia a dia, com ar-condicionado e vidros elétricos (mas sem direção hidráulica).

Em piso molhado, porém, é preciso ter cautela extra.“Onde meus amigos rodam a 80 km/h com seus sedãs, vou com ele a 60 km/h. Tem de saber respeitar o carro”, ele explica. “Além disso, prefiro abusar dos modelos mais novos. O 930 tem peças dificílimas de repor.”

Todo esse zelo não impede que ele tire o Porsche da garagem semanalmente. Pode ser para ir a uma reunião de trabalho no interior paulista, fazer um passeio até Campos do Jordão, ou mesmo se divertir com as reações que o esportivo provoca pelas ruas da capital.

“Muitos pedem para eu dar uma acelerada, para eles ouvirem o barulho do motor. As crianças ficam loucas. Senhoras tiram fotos com o celular para mostrar aos filhos e maridos. Um dia, parei na faixa de pedestres para um idoso atravessar a rua, e ele respondeu: ‘não, quero que esse Porsche passe primeiro!’”, diverte-se Martínez.


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