Onboard Diego Ortiz

iPhone X, o carro usado da nova geração

Amor pelos carros perde espaço cada vez mais para o multifacetado celular, como o caríssimo iPhone X

iPhone X
iPhone X Crédito: Apple

Eu tirei a minha habilitação assim que foi possível para poder, de forma legal, fazer o que já fazia há anos. Era o final dos anos 90, outro mundo, e não recomendo a ninguém ser um fora da lei. A adrenalina não compensa o vexame de ser pego, acredite.

Independentemente da permissão para dirigir, o que quero dizer é que o grande barato da minha geração, o sonho, o presente pedido ao passar na faculdade, era um carro, qualquer que fosse. Era a sensação de viver uma vida a quatro rodas que motivava a rapaziada. Eu, que vinha de uma família de motoristas orgulhosos, neto do melhor mecânico do mundo, não teria como fugir disso.

O meu primeiro carro foi um Chevrolet Chevette 1.6/S 1986, verde claro, uma lindeza. Um virtual Ford Corcel 1969, relíquia de família, veio em seguida, mas a falta de grana me fez abandonar o projeto. Depois disso, deixei os carros e fui para as motos, voltei para os carros depois, e vivo nessa vida dupla o tempo todo até hoje. Muitos dos meus amigos também.

Mas o mundo muda, nem sempre para melhor, eu diria. E hoje o carro caminha para ser um mero meio de transporte, afastado daquela paixão que ele carrega há mais de 100 anos. Motivos justos, como o meio ambiente e a superpopulação nas grandes cidades, o colocaram neste momento complicado. Eu, diante do meu amor escancarado, sofro, nem sempre em silêncio, como você pode notar neste momento.

Todo esse (looooongo) preâmbulo serve à dois propósitos: reclamar que os jovens não gostam mais de carro e me mostrar escandalizado com o preço do novo iPhone X, que custará R$ 7 mil no país. Mesmo com este preço absurdo, veremos filas de jovens na loja da Apple para comprar o aparelho. Nunca mais veremos filas na lojas de usados para um jovem comprar um usado usável para passear por aí. Nem para impressionar as gatinhas. Hoje sabemos que presumir isso é errado e elas não se impressionam mais com esse tipo de besteira.

Há uma dura transição no ar. As fabricantes de carros correm para chegar em um ponto onde a tecnologia fisgue os jovens novamente. Pode ser que consigam, mas adianto que estou pessimista. Enquanto isso não acontece, continuo me sentindo um dinossauro à beira da extinção, tendo como sonho de consumo um carro feito em 1968. Vou ali pesquisar sobre meteoros na minha enciclopédia e já volto.

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