Onboard Diego Ortiz

Peugeot 3008, o carro do ano e do meu coração

SUV da Peugeot se mostra um produto robusto, capaz de encantar até os mais exigentes compradores

Crédito: Peugeot
Peugeot 3008 na pista Crédito: Peugeot

Eu nunca imaginei que um carro da Peugeot me faria tecer uma retratação pública, ainda mais sobre um SUV, mas esse dia chegou. Nada contra a marca, que tem carros ótimos, em especial seus hatchs médios. Mas um SUV da Peugeot reverter tudo que eu sempre disse sobre os utilitários esportivos é de uma ironia que nem dá para mensurar.

O 3008 já vinha para o mercado brasileiro coberto de expectativas por ter sido eleito o Carro do Ano da Europa. Mais que isso, tinha sido a primeira vez que um SUV era alvo de tamanha honraria. Mas, confesso, eu estava desconfiado. Por mais que o modelo da Peugeot fosse lindo (beleza é subjetiva, mas não neste caso, ele é lindo e ponto final), SUvs não costumam ser bons de dirigir.

Mas aí o 3008 chega na redação. Edito as “mil” notícias diárias do site do JC e parto para o meu encontro com o bichão de 4,44 metros de comprimento e 1.567 quilos. Aperto o botão de ignição, que precisa de mais pressão que o normal para ativar a centelha, talvez por estar no console, lugar mais fácil de se encostar acidentalmente do que próximo à coluna de direção. O felinão ruge discretamente o seu motor 1.6 Turbo a gasolina de 165 cv e 24,5 mkgf. Nada que impressione na audição, mas instiga a visão o painel totalmente digital e customizável que se abre na frente dos olhos.

Mexo na alavanca do câmbio automático que parece um joystick, coloco na posição Drive, acelero e SIM, o torque todo disponível aos 1.400 giros faz o carro deslizar asfalto a fora com muita vontade e sem buracos de performance, culpa também do ótimo câmbio automático de seis marchas que não deixa as rotações por minuto caírem muito.

Sigo por um caminho que geralmente uso como prova final dos carros, que tem alguns buracos e uma curva bem fechada no fim. O 3008 bate suave nos buracos, com “um retorno e meio de mola” – ótimo para um SUV – e sem passar incômodo para o motorista. Vem a curva e o carro a faz como se fosse praticamente um hatch médio. A carroceria pouco aderna, ele não sai de frente e se mantém estável o tempo todo. Chego a ficar inconformado, numa ânsia de implicância com os utilitários que se diliu com o prazer ao dirigir que o 3008 oferece. Prazer esse que eu só tinha experimentado outras vezes na vida, com SUVs, nos de luxo como o Range Rover SVR e o Macan Turbo, coisas de outro mundo mecânico e financeiro.

A posição de dirigir e ergonomia também são ótimas, mas o volante merece um salve. Ele é pequeno e tem um desenho que praticamente te obriga a ficar com a mão na posição certa de pilotagem. É uma obra de arte.

Além destas qualidades dinâmicas, o Peugeot ainda tem um acabamento primoroso, com detalhes em tecido que parece canvas, diferente do comum e que deixa o ar moderninho. Há ainda comandos que parecem botões de aviões, console central com muitos porta objetos, carregador de celular por indução e um sistema multimídia tão intuitivo quanto objetivo. E quando o celular está pareado, ele informa a quantidade de bateria do celular. Beleza e funcionalidade em níveis máximos.

Com tanta coisa bacana, fica difícil achar um defeito no 3008. É preciso procurar pelo em ovo para criticar alguma coisa nele, o que é ótimo para a marca, que precisa se recuperar no País, principalmente no quesito imagem, fruto de alguns erros do passado que não acontecem mais. Após uma semana com o 3008, só consigo pensar na última parte da música “Teresinha”, do Chico e cantada magistralmente por Maria Bethânia: “Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não, se instalou feito um posseiro dentro do meu coração”.


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