O prazer da velocidade pode ter custos elevados

Andar rápido demais na cidade pode aumentar risco de ferimentos em caso de acidente

Foto: Nivaldo Lima/Futura Press

Um duelo entre uma Ferrari e um Porsche pode ser eletrizante em ambiente adequado, como um autódromo. Em vias públicas, a combinação tem tudo para dar errado, como se viu na madrugada do dia 8 deste mês, quando dois desses esportivos se envolveram em um grave acidente na Avenida 23 de Maio (ironicamente, maio é o mês dedicado a uma campanha mundial para conscientizar a população sobre os riscos de acidentes de trânsito), durante um suposto “racha”. Acredita-se que os dois carros estavam rodando a mais de 150 km/h.

Para os fãs de automóveis, acelerar traz uma descarga de adrenalina fascinante. Mas para quem não é piloto e se aventura fora das pistas, esse prazer pode custar caro. Em situações inesperadas, como se surgir um obstáculo ou um pedestre à frente, o motorista terá bem menos tempo para reagir.

Além disso, em acidentes em altas velocidades, as consequências tendem a ser piores. “Diversos estudos mostram que a velocidade é o principal fator desencadeante das grandes lesões em acidentes de trânsito”, afirma o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Jr. “Os casos mais graves, que chegam ao Instituto Médico Legal, têm relação direta com a velocidade em que o veículo estava.”

A energia cinética gerada pelo movimento do veículo é uma ameaça à integridade física de quem está dentro dele. Em colisões, um carro seguro deve se deformar ao máximo, para evitar que essa energia seja repassada à cabine e seus ocupantes. “Quanto maior a velocidade, maior será a energia acumulada e maiores serão as lesões”, afirma Alves Jr.

Pedestres. O risco é maior para o pedestre (veja no quadro à direita). “Enquanto em um atropelamento a 32 km/h há 5% de óbitos, a 48 km/h o porcentual sobe para quase 50%. Isso mostra o quanto o pedestre é frágil no trânsito”, diz o especialista.

Na prática, a dimensão dos ferimentos dependerá também do nível de segurança oferecido pelo carro que atropelar a vítima. “Há modelos que são mais ‘gentis’ com o pedestre, pois foram desenvolvidos prevendo esse risco, e outros que não o são”, explica o porta-voz do Latin NCAP, Alejandro Furas. “O mesmo vale para a proteção dos ocupantes do veículo.”

Para o diretor da Abramet, o Brasil deveria acompanhar a tendência de redução de velocidade nas vias que vem sendo feita nos países europeus. “Por aqui, não há uma consciência do estrago que essas máquinas sobre rodas são capazes de produzir. Os riscos envolvidos só são descobertos depois que os acidentes ocorreram.”


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