Blog do Boris

Preço do carro não para de subir. Parte da culpa é de quem reclama

Exigências governamentais de segurança e baixas emissões encarecem o carro. Mas a preferência dos consumidores também estimula as fábricas

Boris Feldman

16 de nov, 2021 · 8 minutos de leitura.

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A questão é: vale a pena esperar para comprar um carro zero em 2022 por uma possível redução de preço, se a oferta crescer?

Não, é quase impossível. São vários os fatores que só fazem elevar seu custo. Sem perspectiva de se atenuarem num futuro previsível. E o pior: alguns deles provocados pelas próprias reações do mercado. Ou seja, culpa do consumidor…

Segurança

O brasileiro não chega a ser um fervoroso adepto dos equipamentos de segurança, e a maioria adere à ideia de que “acidente, só com os outros”. Pesquisa da Bosch junto a consumidores revelou que se preocupam, sim, com a segurança. Mas, vendedores de concessionárias negaram: raros deixariam de investir em rodas especiais, couro e som para optar por freios ABS ou airbags.

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Aliás, só mesmo sua obrigatoriedade, a partir de 2014, equipou nossos automóveis com estes dispositivos. Assim como estes dois, outros estão se tornando obrigatórios, como o controle eletrônico de estabilidade em 2024, o mais importante item de segurança depois dos cintos.

O problema é que essa eletrônica não é barata e influi no custo final do automóvel, principalmente nos menores e mais baratos, os chamados “de entrada”. Vários outros já equipam modelos mais sofisticados, como “freio automático de emergência”, alerta de troca de faixa, assistência de partida em rampa, sistema de estacionamento, etc.

Emissões

Evitar a poluição da atmosfera não é barato. Para se cumprir os limites de emissões, as fábricas não investem apenas nos (caros) catalisadores, mas em diversos outros sistemas e até no desenvolvimento de novos motores.

A próxima fase (L7) do Programa de Controle das Emissões (Proconve) entra em vigor em janeiro de 2022 e aperta ainda mais o limite de emissões. E também o das evaporações, ou seja, dos gases emitidos pelos tanques de combustíveis. Enquadrar os carros nestas regras exige pesados investimentos. E a conta vai sempre para o bolso do consumidor.

'Paixonite'

Se as vendas de um segmento entram em queda livre por uma tendência do mercado, a fábrica o descontinua.

A recente “paixonite” pelos utilitários esportivos reduziu significativamente a demanda por outros modelos. Mesmo que o SUV custe mais caro e – geralmente – ofereça menos que peruas, sedãs e hatches, vários destes já foram ou estão sendo condenados à morte. Ou tiveram seu preço aumentado devido à queda do volume de produção.

Mas, a paixão inexplicável e irracional pelo SUV vem ao encontro do que sonham as fábricas: vender mais caro um carro que custa menos (ou o mesmo) para ser produzido. Exatamente o caso do SUV em relação a um sedã ou perua.

No caso do Corolla? O Cross realmente vale mais do que o sedã? Eu explico! https://www.youtube.com/embed/a3Zxaqrwa9c

Bugigangas

Os especialistas de marketing das fábricas percebem a paixão do freguês por supérfluos como rodas de liga leve, decoração esportiva e tantos outros. E trata de incorporá-los como equipamentos de série, encarecendo desnecessariamente o carro.

É óbvio que a eletrônica deixou o automóvel mais eficiente, seguro, interativo e confortável. Mas responsável também por vários dispositivos totalmente dispensáveis, verdadeiras “bugigangas” que nada contribuem, exceto encarecer o custo final.

Tempos atrás, a Mercedes-Benz realizou pesquisa para avaliar a interatividade dos motoristas de seus automóveis com sistemas sofisticados que poderiam acionar cerca de 600 funções pelo “joystick” no console. O resultado foi decepcionante: a maioria não utilizava sequer 10% delas…

Internet

carro autonomo com rede 5g

A internet entrou no automóvel de maneira acanhada. Mas é fácil imaginar que agora – com a 5G – ela vai invadi-lo de forma radical.

Nosso colega Zeca Chaves já previu (em coluna do nosso portal) várias formas com que a 5G vai revolucionar o automóvel, além das maravilhas que proporcionará ao celular. Ele lembra que vários dos recalls são efetuados para atualizar o software do motor, câmbio ou de outro sistema qualquer. Sempre com o  carro na oficina.

Mas não com a 5G, que permitirá a correção remota do problema na garage do dono. E não apenas para recalls, mas também para resolver problemas alertados no painel, atualização ou introdução de novos softwares.

Também possível adquirir serviços opcionais que o motorista não se interessou ao comprar o carro. Permitirá a conectividade entre veículos e entre estes e as centrais de controle de trânsito, com intercâmbio de informações, aumentando a segurança viária e reduzindo congestionamentos.

Enfim, uma revolução no cardápio de serviços do automóvel, sem limites previsíveis Mas com custos igualmente imprevisíveis e ilimitados…

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