Blog do HP Hairton Ponciano

Nossos carros gastam até 24% a mais de gasolina que os similares gringos – e pagamos a mais por isso

O mesmo carro que faz média de 13,0 km/l de gasolina no Brasil roda mais de 16 km/l nos EUA

Honda Civic
Crédito: O Honda Civic 2.0 CVT faz média de 13,0 km/l de gasolina em percurso rodoviário no Brasil e 16,1 km/l nos EUA. Foto: Honda/Divulgação

O Honda Civic 2.0 é capaz de rodar 13 km/l de gasolina no Brasil. Mas, nos EUA, onde também é produzido, o mesmo carro vai bem mais longe: com um litro de gasolina, percorre 16,1 km, ou 23,8% a mais que o nacional. Não é culpa da Honda. Da mesma forma, a Toyota também não tem nenhuma responsabilidade pelo fato de o Camry 3.5 V6 fazer 11,5 km/l no Brasil e 14,0 km/l nas boas estradas norte-americanas.

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+ Confira o comparativo entre Honda Accord e Toyota Camry

Civic e Camry são apenas dois exemplos. Há vários outros. Alguns fatores explicam essa discrepância, sendo que a principal é a maior quantidade de etanol misturada à gasolina brasileira.

Atualmente, a chamada “gasolina C” contém (oficialmente) 27% de etanol em sua composição. É bem mais que os 10% presentes na maior parte das bombas nos EUA. Por lá, há ainda outras duas possibilidades de mistura: o E15 (gasolina com 15% de etanol, presente em alguns locais) e E85 (combustível com 85% de etanol, exclusiva para veículos flexíveis, de uso ainda muito raro no país).

Etanol polui menos

O etanol é um combustível mais “limpo”, portanto mais amigável ao meio ambiente. No processo de combustão, ele emite muito menos monóxido de carbono que a gasolina.

O incentivo ao combustível renovável foi uma opção do governo, lá nos anos 70. A ideia do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) era desenvolver uma tecnologia própria. Uma das motivações era criar uma alternativa nacional para livrar o País da crise do petróleo, que estava elevando os preços do produto.

Apesar de o assunto até hoje ser polêmico, e muita gente ainda ser contra a opção pelo combustível vegetal, o fato é que o mundo todo voltou as atenções para esse pedaço do planeta, que, afinal, havia encontrado uma opção ao combustível fóssil.

Mas há também o outro lado. Como o poder calorífico do combustível vegetal é cerca de 30% menor comparado ao da gasolina, quanto maior a participação na mistura, maior o consumo (precisa-se mais etanol para se obter o mesmo desempenho do combustível fóssil). Daí o fato de “nossos” carros gastarem mais, mesmo quando abastecidos com gasolina.

Motor flexível dá liberdade de escolha, mas cobra por isso

Além da maior adição de etanol à gasolina, O Brasil adotou também os carros flexíveis, a partir dos anos 2000. Isso resolvia uma problemão: o de ter de produzir o mesmo carro com dois tipos de motores, um a álcool e outro a gasolina. Em termos de economia de escala, era um péssimo negócio.

Com o carro flexível, o dono não ficava à mercê nem dos usineiros, nem dos xeiques árabes do petróleo. A contrapartida (aqui também havia um preço a pagar) era que esse tipo de motor, embora pudesse receber gasolina e etanol em qualquer proporção de mistura, não era tão bom nem como um motor puramente a gasolina, nem como um propulsor desenvolvido apenas para álcool.

Daí aquela analogia com pato: ele nada e voa, mas não faz bem nenhuma das coisas.

Nos EUA, custo do km/rodado é menos da metade do que no Brasil

Os exemplos que utilizei são de automóveis que rodam no Brasil e no Estados Unidos. Incluem veículos de produção nacional (caso do Civic, flexível) e importados (como o Passat, a gasolina). Tomei a precaução de escolher carros que utilizam o mesmo conjunto motor-câmbio aqui e lá.

A diferença já era esperada. Mas o que chama a atenção é que em alguns casos ela é superior a 20%, principalmente no ciclo rodoviário. Os números são oficiais. No caso do Brasil, são do Inmetro , que compila os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem. No caso dos EUA, os dados são do Departamento de Energia, que os divulga no site FuelEconomy.gov.

Por fim, há ainda o fator preço. Além de gastar mais, pagamos a mais para repor o combustível no tanque. Vamos usar como exemplo o Nissan Versa 1.6 automático. No Brasil, ele faz média rodoviária de 14,1 km/l. Como a gasolina custa na média R$ 4,17 (segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás, Natural e Biocombustíveis, ANP), o km rodado nesse caso sai por R$ 0,29.

Nos EUA, o mesmo Versa faz 16,6 km/l. Com o galão (3,785 litros) a US$ 2,28, paga-se o equivalente a US$ 0,60 o litro, ou R$ 2,23. Assim, nos EUA o km rodado nesse caso cai para R$ 0,13, menos da metade do que no Brasil.

Poluímos menos, mas a conta ficou para os motoristas daqui.


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