Blog do HP Hairton Ponciano

Prazer de dirigir está longe de acabar

Algumas iniciativas tomadas por montadoras evidenciam que o prazer ao volante ainda vai durar muito tempo

Cadillac CTS
Várias fabricantes de automóveis atravessam oceanos para testar seus carros em Nürburgring, na Alemanha, como é o caso da norte-americana Cadillac (foto) Crédito: Cadillac/Divulgação

O carro autônomo está a caminho, e isso é inexorável. Com ele, em tese, dirigir não será mais uma necessidade. Mas, para muita gente – eu incluso -, dirigir não é exatamente uma necessidade. E sim um prazer. A boa ou a má notícia (depende do ponto de vista de cada um) é que, aparentemente, os veículos autônomos estão muito longe de bater à nossa porta. Fosse assim, algumas montadoras não estariam investindo pesadamente em uma coisa chamada satisfação ao volante. Prazer de dirigir.

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A Toyota está construindo no Japão uma réplica do circuito alemão de Nürburgring. A pista na Alemanha é tão desafiadora que diversas montadoras levam seus carros para ver como eles se comportam naquelas retas e curvas.

A notícia sobre a “Nürburgring japonesa” você pode ver aqui

Obviamente, automóveis que dispensam motoristas não precisam ir a uma pista de corrida. Autônomos são desenvolvidos em cidades. Eles precisam negociar civilizadamente (e em baixa velocidade) com outros autônomos para decidir quem cruza a rua antes, esse tipo de coisa.

Antes de continuarmos, que tal um vídeo que fizemos sobre fatos pouco conhecidos do meu xará:

Para isso, algumas empresas até estão investindo em cidades falsas, com prédios e semáforos. Isso para evitar barbeiragens de autônomos que ainda não sabem dirigir direito e obviamente podem cometer erros.

Fazer a pista no Japão evita que a Toyota tenha de se deslocar para a Alemanha a fim de efetuar o melhor acerto de suspensão e freios em situações de extrema exigência.

E não é só questão de distância. Nürburgring é uma pista aberta. Para começo de conversa, há a questão da confidencialidade. Muitas marcas levam para lá carros que ainda não foram lançados, e que, apesar dos disfarces na carroceria, são um prato cheio para fotógrafos. Lá, é difícil guardar segredos.

Uns trabalham enquanto a maioria se diverte

Outro ponto é o da segurança. Pilotos de montadoras acabam tendo de disputar curvas e freadas com amadores que vêm de todos os cantos do planeta para experimentar o prazer de dirigir naquele lugar. Trata-se de um templo da velocidade. Você apenas tem de pagar uma taxa de ingresso, respeitar algumas regras de segurança e entrar. Acidentes são muito comuns ali.

O problema é que, se para nós, aficionados, dirigir ali é um prazer e um sonho, para as fábricas é trabalho. E, sim, pilotos amadores se atrapalham e atrapalham os profissionais. Uma vez, um engenheiro de desenvolvimento da Porsche me disse que preferia fazer seus testes lá à noite, para evitar o tráfego diurno. Isso porque, de dia, às vezes ele fazia uma curva rápido e encontrava um cara andando de moto bem lento logo à frente. Entenda-se “lento”, nesse caso, pelos critérios de um cara que está acostumado com Nürburgring, e ao volante de um Porsche.

Voltando ao caso da Toyota, ela só está gastando muito dinheiro num projeto desses porque tem certeza de que os clientes estão dispostos a pagar por um carro que seja bom de dirigir. Característica desnecessária em autônomo.

Vida longa aos motores V12

Outra boa notícia da semana veio da Aston Martin. A marca britânica anunciou que prevê vida longa aos seus modelos com motor V12.

A notícia está aqui

Não tenho a menor condição de ter um carro V12, tampouco V8, sequer V6. Meu carro tem quatro (suficientes) cilindros. Minha moto, apenas um. Mas mesmo assim percebi aí não uma luz, mas uma iluminação digna de estádio no fim do túnel. Apesar do cerco aos motores a combustão, é sempre bom saber que as marcas sabem que existe um público disposto a pagar (e muito) para ter um carro de alto desempenho.

E não se trata de pagar para poder poluir. Fabricantes de superesportivos também precisam respeitar limites cada vez mais restritos de emissões. É aí que entra a engenharia. Fala-se, como no caso da italiana Lamborghini, na utilização simultânea de motor V12 associado a um elétrico. Com isso, o carro emite menos poluentes, sem sacrifício da performance.

A Aston Martin está preparando o Valkyrie, um hiperesportivo híbrido, que terá um motor V12 de 1.000 cv e um elétrico, de 160 cv. É esse aí abaixo.

Esse esforço de várias marcas espalhadas pelo planeta evidencia que ainda teremos carros com volante e pedais por muito tempo. Que assim seja.


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