Mercado

Aluguel por período é alternativa para quem não quer carro próprio

Diminuição de custos é o principal fator na busca por aluguel de carros. Montadoras também vêm investindo nessa modalidade de negócio

Vagner Aquino

29 de set, 2020 · 18 minutos de leitura.

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Aluguel de carros é visto como alternativa para ida às compras e até test-drive mais longo
Crédito: Nilton Fukuda/Estadão

Com a pandemia do novo coronavírus, muita gente passou a alugar veículos. Um dos motivos é o medo do transporte público, por causa do maior risco de contágio. Outro fator importante é que boa parte da população passou a trabalhar em casa e percebeu que não compensa manter um carro próprio. As recentes novidades implementadas no setor, como aplicativos que permitem aluguel por algumas horas, também contribuem com a alta.

É o caso da analista financeira, Amanda Miranda, que desde abril, quando vendeu seu Ford Fiesta, passou a recorrer à essa modalidade em situações pontuais. “Para equilibrar o orçamento, meu marido e eu resolvemos ficar sem carro, afinal, por conta da pandemia, ele ficava parado, apenas gerando custos”, conta.

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Amanda conta que, no início, recorreu aos serviços oferecidos por motoristas de aplicativo. “Mas não tinha liberdade. Em determinadas situações, como compras e idas ao pet shop, os motoristas nem sempre gostavam de esperar, então, acabei buscando outra alternativa na internet”.

Como veio a ideia do aluguel?

Dentre as 10.812 locadoras ativas no Brasil – dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) -, eis que Amanda encontrou a Turbi. Ao contrário dos modelos tradicionais de aluguel, a empresa, que atua no mercado desde 2017, investe em serviços online que possibilitam empréstimos por períodos mais curtos.

“Atendeu perfeitamente a minha necessidade, com variedade de modelos de carros e facilidade de acesso. Sem contar o preço baixo. Ganhei cupom de desconto e aluguei um Mitsubishi ASX por R$ 10”, lembra Amanda.

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É fácil

Para utilizar o serviço de carsharing da Turbi é necessário baixar o app da empresa e fazer um breve cadastro. Após a inclusão de dados pessoais, documentos de identificação, CNH e cartão de crédito, é preciso esperar a aprovação. Na sequência, basta escolher o modelo do veículo e o local de retirada.

“Todo o processo de locação do veículo é feito digitalmente, via aplicativo, e para usar o carro, é só destravá-lo, também via app, e pegar a chave no porta-luvas, sem qualquer contato humano”, explica Diego Lira, CEO da Turbi. A frota da empresa fica em estacionamentos 24 horas. O aluguel pode ser por hora de uso ou por pacote de horas.

Atuante nas cidades de São Paulo, Guarulhos e Barueri, a Turbi reúne uma frota de 2.000 carros. Tem desde os mais populares, como Chevrolet Onix e Hyundai HB20, até o conversível Mini Cooper Cabrio. Os preços variam entre R$ 10 e R$ 35 a hora. Soma-se aí R$ 0,50 a cada quilômetro rodado. A devolução do carro precisa ser feita no mesmo local da busca. O pagamento é feito de maneira online, por meio de cartão de crédito.

Vantagens e parceria em cine drive-in

Por falar em pagamento, esse tipo de serviço é visto com bons olhos pela clientela. Tem menor custo e algumas vantagens. A gasolina, por exemplo, é custeada pela empresa, que oferece seguro e assistência 24 horas.

“Nossa rede de parcerias inclui ações com o Cine Drive-in Belas Artes, oferecendo carro para quiser curtir o evento”, explica Lira. Para quem gosta de cinema e não tem carro, a parceria permite aluguel mais barato. Clientes Belas Artes contam com R$ 60 de desconto no primeiro uso. E quem já é cliente Turbi tem R$ 10 de abatimento no preço de ida ao Belas Artes Drive-in, que fica no Memorial da América Latina, Zona Oeste da capital paulista.

Locação convencional

Apesar de sair mais barato, a desvantagem das locadoras convencionais é, justamente, precisar passar um dia inteiro com o carro. Na Unidas, por exemplo, o período mínimo é de 24 horas. Em termos de preços, a empresa oferece por R$ 123,05, o aluguel de modelos populares com motor 1.0, como Fiat Mobi e Renault Kwid.

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Para locações entre uma e 20 diárias, a quilometragem é livre. Já quem alugar por período entre 21 e 30 dias, é estipulado um limite de 4.500 quilômetros rodados. É preciso, ainda, ficar atento ao valor da franquia para, por exemplo, evitar prejuízo.

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O custo, dependendo da situação, pode não ser tão baixo. Porém, se levar em conta a comodidade, alugar carro é vantagem, afinal, não há gastos com manutenção, como no caso de veículo próprio. A locadora se encarrega também de despesas como IPVA, licenciamento, entre outros custos. A única preocupação do cliente, além das taxas do aluguel, é o combustível e a lavagem, se necessário.

O comerciante Guilherme Arantes abriu mão de ter carro depois que descobriu a praticidade do aluguel. Em 2018, trabalhou como motorista de aplicativo e, à época, passou a utilizar planos mensais. Além do estado de conservação do carro, aponta como pontos positivos a praticidade da quilometragem livre oferecida pela empresa VAI. “Rodava 270 km por dia e, com 15 dias trabalhados, já pagava o aluguel integral”, esclarece. Na ocasião, optou pelo Renault Logan.

Mesmo mudando de ramo, Arantes não quer saber de carro próprio tão cedo. Trabalhando perto de casa, o comerciante compra praticamente tudo pela internet. “Quando quero fazer passeios em família (tem esposa e duas filhas), alugo um carro. É muito mais barato e prático do que ter um boleto com prestações diluídas ao longo de três, quatro anos”, argumenta.

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Retomada

De acordo com o Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos, organizado pela Abla, e com informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), no final de 2019, o Brasil contava com 997.416 veículos para aluguel. Deste total, o contrato diário corresponde a 48% da frota. Dentro do montante, 20% (cerca de 200 mil) é destinado à motoristas de aplicativo.

Desde a segunda quinzena de março – início da pandemia – até a primeira semana de maio, houve queda de 80% do volume, resultando em cerca de 160 mil carros devolvidos. Entre junho e agosto, a retomada foi acelerada – 90% voltou à normalidade.

“Agora, com o afrouxamento das medidas de isolamento social, a alta está sendo percebida e até o primeiro trimestre do ano que vem, devemos voltar ao patamar do período pré-pandemia”, estima Paulo Miguel Júnior, presidente da Abla.

O executivo também fala sobre a modalidade de aluguel de veículos de pessoas para pessoas. Essas plataformas são diferentes das empresas de carsharing, que trabalham com frotas próprias de automóveis para locação, mas “é válida, afinal, é uma possibilidade de fazer renda para quem está com o carro parado e, ainda, ajuda quem precisa se locomover, mas não quer ter despesas com a compra de um automóvel”, defende.

A moObie, por exemplo, conecta (via app) pessoas que querem compartilhar o carro à outras que desejam alugar um veículo de maneira segura e sem burocracia. Mas é necessário ficar atento ao modelo e à aparência do carro, que pode não ser tão novo.

Alugueis para test-drive

De acordo com a Kinto Share (antes chamada de Toyota Mobility Services), boa parte da clientela não se satisfaz com os test-drives feitos em concessionárias e acabam querendo ir além dessas poucas voltinhas no quarteirão. Por isso, é comum, por exemplo, que o cliente interessado em comprar um Corolla Hybrid alugue o modelo por uma semana para conhecer sua tecnologia e decidir a compra. Modelos Lexus também estão no portfólio.

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A empresa, que chegou ao Brasil em julho, está sob o guarda-chuva da Kinto Brasil e é fruto de uma joint venture entre a Toyota Financial Services Corporation (TFS) e a Mitsui & Co. Seu serviço de compartilhamento de carros é realizado por aplicativo. Na Kinto Share, são oferecidas comodidades como seguro, veículos conectados com telemática, e suporte da rede de concessionárias da montadora japonesa.

A companhia afirma que suas principais prioridades são a segurança e a saúde dos consumidores. Para isso, devido ao novo coronavírus, foi estabelecido um rigoroso protocolo de limpeza e higienização de cada veículo antes e depois das locações. A intervenção é realizada em mais de 40 pontos de contato do automóvel – por dentro e por fora.

Para colaboradores

A Nissan tem dois programas em curso. Um, lançado no início de 2019, apenas para funcionários. O outro, datado de fevereiro último, é um projeto piloto de locação de veículos destinado aos funcionários de fornecedores e prestadores de serviços que atuam na Nissan. Apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná têm o serviço.

O programa interno para funcionários está prestes a começar sua quarta fase. Na lista de veículos, estão Kicks, March e Versa. Os contratos de locação têm duração de 12 meses, com direito à revisões periódicas, seguro, assistência 24h e opção de compra do veículo com desconto após o término do período. O programa disponibiliza plataforma 100% online. Lá, os os usuários podem consultar, por exemplo, infrações e histórico de serviços realizados em concessionárias.

E não está descartada a hipótese de o programa chegar ao público em geral. A Nissan afirmou ao Jornal do Carro que tem reunido o maior número de informações possíveis e avalia novas possibilidades e públicos para expansão do programa.

Veículos por assinatura

Para quem não quer gastar com um veículo próprio, o mercado oferece contratos de carro por assinatura . Na Porto Seguro, por exemplo, o interessado pode optar por contratos de 12 a 24 meses. Para ter à disposição um Renault Kwid, por exemplo, com pacote de quilometragem de 6.000 km anuais (isso varia de acordo com a necessidade do motorista), o custo mensal é de R$ 999. Se a preferência for pelo Volkswagen T-Cross 1.4 Highline, o valor parte de R$ 2.749 por mês.

Para aderir, é possível baixar o aplicativo e assinar contrato com o modelo desejado. Tudo, por meio online. No pacote estão inclusos custos com IPVA, suporte 24h e carro reserva ilimitado. As despesas com combustível ficam por conta do assinante. Dentre os benefícios, serviços residenciais da Porto Seguro ficam disponíveis durante o tempo de contrato.

Lá fora

De uns anos para cá, a Volvo lançou um programa exclusivo de aluguel para sua linha de SUVs (XC40, XC60 e XC90). Quem puder/quiser, pode comprar, mas há opção de aderir ao programa Care by Volvo. Funciona no estilo assinatura de TV a cabo, e é voltado aos mercados dos EUA e Europa. A ideia permite ao cliente pagar um valor mensal (parte de US$ 700, ou R$ 3.700) e utilizar o carro por dois anos. Findo o prazo, é possível trocar o carro por um mais novo.

Nenhum contato com vendedores ou ida à lojas é necessário. Segundo a Volvo, a inscrição é online e o processo é fácil e sem burocracia. Há opção de entrega em domicílio. O valor, aliás, engloba revisão, manutenção e até pequenos consertos, como riscos na lataria. Tem até cobertura de seguro para os motoristas.

Fiat 500

No Velho Continente, onde é normal abrir mão do carro próprio em prol de soluções mais sustentáveis, o aluguel será realidade também na FCA. Quem comprar o novo Fiat 500 elétrico poderá usar qualquer outro carro do grupo. O programa My Dream Garage (minha garagem dos sonhos, em português) permitirá o uso de 13 diferentes modelos por períodos pré-estabelecidos. Os carros podem ser das marcas Abarth, Alfa Romeo, Jeep e, claro, da própria Fiat. Tem até Maserati.

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Para ter acesso, basta instalar um aplicativo no smartphone e desfrutar das máquinas. A FCA exige um valor mensal entre 99 e 299 euros (de R$ 620 a R$ 1.800, na conversão direta). Por contrato, o usuário poderá usar a frota por um total de 60 dias ao ano. E não vale para a Europa toda. O serviço será lançado no mês que vem, na Itália, em paralelo à chegada do compacto.

E a Citroën foi ainda mas longe. Em março, lançou um carro destinado para três fins: compra, aluguel e compartilhamento. Trata-se do Ami. Um compacto elétrico que custa quase 20 euros por mês ($ 125,55, na conversão direta). Há, também, pacotes adicionais.

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Nele cabem duas pessoas e as portas são configuradas com aberturas opostas. A bateria de 5,5 kWh garante autonomia máxima de 70 quilômetros. A recarga pode ser feita em até 3 horas em tomadas convencionais, de 220 volts. O pequenino (2,41 metros de comprimento) pode ser comprado por 7.300 euros (R$ 46 mil, na conversão direta, sem impostos).

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