Os custos da cadeia automotiva no Brasil chegam a ser 60% superiores aos de outros países. A informação é do presidente da Anfavea, a associação das montadoras, Cledorvino Belini. O executivo apresentou ontem um estudo de competitividade e política industrial para o setor, que foi feito a pedido da entidade e entregue ao governo há duas semanas.
Se na China o custo na indústria é de US$ 100, no Brasil é de US$ 160, no México, de US$ 120 e na Índia, de US$ 105. Segundo Belini, os valores incluem mão de obra, que aqui é de 5,3 euros por hora. No México, esse custo é de 2,6 euros e na Índia, de 1,2 euro.
“Além disso, somos afetados por fatores externos, como o câmbio”, disse Belini. “Enquanto o dólar se desvalorizou frente ao real, na comparação com as moedas mexicana e coreana, a americana se valorizou, o que beneficia a exportação desses países.”
O presidente da Anfavea disse que o estudo foi bem aceito pelos representantes do governo. “É um diagnóstico do setor. Não pedimos nada desta vez.”
O executivo afirmou que, com a nova política industrial do governo, que deve ser apresentada no mês que vem, o setor automotivo brasileiro pode reverter seu déficit comercial até 2016.
“Mas sem inovações, isso não será possível “, acrescentou. De acordo com Belini, se não houver investimentos nessa área, o Brasil continuará importando – e cada vez mais.