Casa do futuro tem seu próprio posto GNV

Em parceria com Comgás, engenheiro tem o primeiro ponto de abastecimento domiciliar do Brasil


O engenheiro João Barassal é dono de uma casa com inúmeras soluções sustentáveis. Chamada de “Smart Eco House”, a residência localizada em Santana, zona norte de São Paulo, produz energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos e de turbo aero gerador de eixo vertical (uma espécie de hélice de helicóptero, mas com as pás para cima), instalado no telhado. Ela tem ainda sistema de calefação por meio de recuperadores de calor, captação e tratamento da água de chuva e até potabilização de água da chuva para consumo humano. No entanto, umas das novidades mais interessantes é um posto de abastecimento de Gás Natural Veícular (GNV) na garagem, o primeiro ponto domiciliar do Brasil.

O “posto particular” foi feito em parceria com a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). A bomba compressora – que mais parece um aquecedor comum – foi importada da Itália pela companhia e instalada na parede da garagem. A rede de gás encanado teve de ser modificada: foi preciso aumentar a bitola de alguns canos e adaptar a tubulação. Todo o processo demorou 45 dias. O carro de Barssal, um Fiat Strada 1.4, também recebeu um “Kit GNV” chamado de “Geração 5”, com dois cilindros de 7,5 m³ cada, com autonomia total de cerca de 250 km. O dispenser abastece aproximadamente 1,5m³ por hora, podendo levar entre 6 a 10 horas para um abastecimento – em um posto normal a operação demora apenas 5 minutos. “Acoplo a saída no bocal à noite e vou dormir. Ao acordar já está pronto. Aproveito para limpar os vidros do carro e checar a água do reservatório. Só não ganho gorjeta”, brinca. O treinamento demorou apenas um dia para que Barassal soubesse mexer no aparelho.

O gerente de marketing Industrial e Transporte da Comgás, Ricardo Vallejo, explica que o gás natural tem utilização ampla. Pode ser usado no fogão, para o aquecimento de água e também para o abastecimento dos veículos. “A diferença é que a rede interna é de baixa pressão. E para abastecer um carro é preciso que o gás esteja em alta pressão. O aparelho comprime o gás e o leva de 0,98 bar a até 220 bar. Esse experimento mostra uma possibilidade de tendência. Imagine seu veículo sempre abastecido ao sair de casa?”, propõe Vallejo.

Economia e emissões. As vantagens do combustível são muitas. O GNV emite, em média, 15% menos CO2 em relação ao etanol e 20% a menos na comparação com a gasolina. Comercializado em metros cúbicos enquanto o etanol e a gasolina são precificados em litros, o GNV proporciona um rendimento maior que o desses combustíveis.

Ocusto médio do km rodado com GNV é de R$ 0,15, enquanto com etanol é de R$ 0,28 e com a gasolina, de R$ 0,31, de acordo com preços registrados no mês de agosto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O GNV tem economia de 44% em relação ao etanol e 51% em relação a gasolina. “Nunca tinha andado em um carro a gás antes. A economia é enorme e minha autonomia aumentou, porque eu tenho dois ‘tanques’ de combustível. Acho que muitas pessoas deveriam ir pelo o mesmo caminho”, conta Barassal. No entanto, modelos que rodam com GNV precisam de mais revisões, pois o motor não foi criado para usar combustível gasoso, e sim líquido.

A Comgás diz não ter ideia de custo sobre o abastecimento residencial. “Ainda é um equipamento conceito, feito para demostrar a concepção de tecnologia”, explica Vallejo. O projeto da companhia é deixar o compressor por cerca de um ano na posse de Barassal, tempo em que dados dessa experiência serão coletados. “O que temos em mente é que isso pode ser muito utilizado para frotas. Muitas empresas de táxi têm bolsões onde os veículos ficam estacionados (…)O objetivo da empresa é entender a viabilidade de implementar, no futuro, essa tecnologia no mercado brasileiro”, completa o gerente.


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