Chinesas preparam nova invasão ao Brasil

Depois da “ressaca” do mercado, crescimento da economia e fim das amarras do Inovar Auto alimentam otimismo e estimulam novos lançamentos

JAC T80
Crédito: JAC Crédito:

Há dois anos, as marcas chinesas estavam em uma encruzilhada difícil no Brasil. Os modelos à venda custavam a dialogar com os gostos do consumidor local. E a política protecionista do governo brasileiro, que subiu o IPI para importados, não ajudava. Como resultado, Geely e CN Auto deixaram o País. E a JAC Motors abortou os planos de instalar uma fábrica em Camaçari (BA).

Um panorama desolador, em contraste com a euforia dos primeiros anos de operação da marca. A JAC chegou a ter 70 concessionárias, 1% de participação no mercado e o sonho de chegar a 100 mil unidades vendidas por ano.

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Agora, porém, o clima é outro. As chinesas confiam na retomada do crescimento do mercado brasileiro e ensaiam uma segunda ofensiva.

Uma das principais razões para o otimismo é o fim da cota para importações, que havia sido imposta pelo Inovar Auto. O antigo regime, terminado em dezembro de 2017, aplicava IPI de 30% aos carros que excedessem o limite de 4.800 unidades ao ano.

Além disso, depois da depressão que culminou com o sombrio ano de 2016, os números de vendas começam a reagir. Com isso, as chinesas que sobreviveram à tempestade – Chery, JAC e Lifan – preparam uma nova onda de lançamentos para o Brasil.

Chery

A Chery (que se associou ao grupo Caoa e agora atende pelo nome de CAOA Chery) apresentou um primeiro produto, o SUV Tiggo 2. E já confirmou outros três para o Brasil. O sedã médio Arrizo 5 será fabricado em Jacareí (SP). Já os utilitários Tiggo 4 e 7 virão de Anápolis (GO).

A companhia ainda não revelou as motorizações dos novos produtos. Todos estarão no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro. E em seguida chegam às lojas.

A CAOA Chery quer aumentar, até o final do ano, o volume de produção de 35 para 120 carros por mês na fábrica de Jacareí.

JAC

Do lado da JAC Motors, o produto que marcou o “renascimento” da marca foi o T40. O crossover compacto tem dimensões comparáveis às do Renault Stepway e câmbio automático tipo CVT.

Ainda neste ano, devem chegar às lojas o T5 renovado (que passará a se chamar T50 e trocará o motor 1.5 flexível pelo mesmo 1.6 a gasolina do T40), e um modelo inédito, o T80.

Esse modelo, que na China é vendido com o nome de S7, é um SUV com medidas semelhantes às do Volkswagen Tiguan Allspace. O motor será um 2.0 turbo, a gasolina, com pouco mais de 200 cv.

Lifan

Já a Lifan aposta no utilitário X80, um utilitário para sete ocupantes, como divisor de águas em sua estratégia comercial no Brasil. Cansada de ser vista como marca de carros baratos, ela quer oferecer modelos de maior valor agregado. A pretensão é disputar clientes com marcas como a Hyundai.

O X80 é apenas o primeiro de uma lista de próximos produtos com esse posicionamento. Ele traz itens pouco triviais em sua faixa de preço. O ajuste elétrico é também para o banco do passageiro dianteiro, e não apenas para o do motorista. Há ainda ar-condicionado digital com controles independentes para os que viajam atrás e assistentes de partida em aclives e declives. Um sistema “anticapotamento” que evita que a carroceria incline em curvas acentuadas ou mudanças de trajetória súbitas.

Para o primeiro ano de vida do X80 no Brasil, a Lifan se propõe a atingir um ritmo de 120 unidades vendidas por mês. Ainda que a capacidade da planta uruguaia, que por enquanto abastece apenas o mercado brasileiro, seja pelo menos quatro vezes maior que isso.

O vice-presidente da marca chinesa no País, Johnny Fang, mostra que, por trás de uma meta que soa conservadora, há uma boa dose de realismo diante das dificuldades embutidas nessa guinada que a marca quer dar.

“É muito difícil para a gente oferecer um carro premium e se posicionar dessa maneira. O consumidor brasileiro só vê carro chinês como sinônimo de custo-benefício. Mas queremos mudar de patamar. Queremos mostrar que o carro chinês se desenvolveu nos últimos anos e tem a mesma qualidade dos coreanos e japoneses”, defende o executivo.

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