Hairton Ponciano

30/08/2018 - 8 minutos de leitura. Atualizado: 31/08/2018 | 11:18

Citroën C4 Cactus tem receita francesa e tempero local

C4 Cactus, arma da Citroën para brigar com os SUVs compactos, aposta no estilo e no motor 1.6 turbo aliado ao câmbio automático

Citroën C4 Cactus
Crédito: Citroën C4 Cactus custa a partir de R$ 68.990 (versão Live), e pode chegar a R$ 98.990 (versão Shine completa, como a da foto). Foto: Werther Santana/Estadão. Agradecimento: Quinta da Cantareira (4485-2372)
Carro

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Na nouvelle cuisine (estilo de culinária que surgiu na França nos anos 70), o aspecto do prato é quase tão importante quanto o sabor. O C4 Cactus feito no Brasil parece beber dessa fonte: antes de mais nada, atrai pelo visual. Na dianteira, o destaque é a faixa de LEDs, logo acima dos faróis. Visto de lado e de traseira, o SUV da Citroën parece um hatch esportivo.

Fabricado em Porto Real (RJ), o C4 Cactus parte da receita básica do modelo feito na Espanha e lançado na Europa em 2014. Mas se diferencia pelo nível de tecnologia e interior.

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Há três versões de acabamento (Live, Feel e Shine), duas do motor 1.6 flexível (aspirado de 122 cv e turbo de 173 cv) e duas de câmbio (manual de cinco e automático de seis marchas). A tabela vai de R$ 68.990 (Live manual) a R$ 98.990 (Shine completa). O carro está em fase de pré-venda e as entregas começam em outubro.

DIMENSÕES COMPACTAS

A porção reduzida é outra afinidade com a comida francesa. O Cactus tem 4,17 metros de comprimento, 1,53 m de altura e porta-malas de 320 litros. Para comparação, são, respectivamente, 13 e 5 cm e 117 litros a menos que o Honda HR-V.

O C4 Cactus Shine “corrige” ao menos um dos erros do “irmão” 2008, com o qual compartilha a plataforma. O Citroën oferece câmbio automático e o bom motor 1.6 turbo no mesmo carro. O Peugeot também utiliza essa dupla, porém separadamente: o motor turbo só está disponível com o câmbio manual, enquanto a caixa automática só vem em conjunto com o 1.6 aspirado.

Na versão de topo do C4 Cactus, a boa oferta de potência e torque garante desempenho vigoroso. Como acelera de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos (dados da fabricante), o C4 Cactus é o utilitário-esportivo compacto mais rápido do País. O senão é que, ao acelerar forte, a frente levanta e fica muito leve. Suspensão e direção (com assistência elétrica) mais firmes combinariam mais com o 1.6 turbo.

A opção mais cara da gama traz chave presencial, partida do motor por botão, seis air bags, central multimídia com tela de 7 polegadas e grip control, que adapta a tração dianteira ao tipo de piso. O volante de couro em dois tons agrada, mas não traz aletas para troca de marcha, detalhe que daria mais um tempero à receita.

DIFERENÇAS EM RELAÇÃO AO EUROPEU

As principais diferenças do C4 Cactus nacional em relação ao europeu estão na cabine e plataforma. O novo SUV nacional utiliza a base do Peugeot 2008, chamada MP1 (a mesma do 208 e do C3). Na Europa, o Citroën emprega uma base mais moderna, PF1, do novo C3, não disponível no Brasil.

Na parte visível, as particularidades são evidentes, começando pelo painel. O europeu tem acabamento mais refinado, notado no revestimento do painel e até nos puxadores das portas.

Além disso, a tampa do porta-luvas abre para cima e o air bag do passageiro sai do teto, enquanto o carro brasileiro utiliza a receita convencional. Além dos bancos mais atraentes, o Cactus europeu traz quadro de instrumentos que se destaca do painel, como a tela da central multimídia.

O nacional utiliza o mesmo quadro digital do C4 Lounge, bem mais simples. O conta-giros, um gráfico de barras horizontais, é muito pequeno, e o econômetro (para ajudar a reduzir o consumo) é confuso.

ACABAMENTO SIMPLES

Em maio deste ano, a Citroën convidou um grupo de jornalistas para avaliar unidades do Cactus nacional ainda da fase de pré-série. O objetivo da marca era coletar críticas e, se possível, melhorar o carro.

O modelo de produção, no entanto, veio com praticamente as mesmas virtudes e falhas dos carros avaliados à época. O desempenho é muito bom e o espaço agrada, mas as laterais e painel têm muito plástico rígido (nas versões de topo há uma faixa de material macio).

Só a parte de apoio dos braços, nas portas, ganhou tecido. Não há luzes nos quebra-sóis e espaço para os pés na área dos pedais é mínimo – o calçado do motorista fica raspando na parte inferior do painel.

Outra falha é haver apenas uma entrada USB na dianteira, e nenhuma atrás. Os dois porta-copos no console central são muito pequenos, e os porta-objetos têm fundo rígido, sem emborrachamento. Com isso, serão fonte de ruído se alguém colocar chaves ou moedas ali. Por não ter amortecimento, a tampa do porta-luvas cai de uma vez ao ser aberta.

FRENAGEM AUTOMÁTICA

A versão Shine, de topo, pode ter (opcionalmente) alerta de saída involuntária de faixa e de risco de colisão. No primeiro caso, não há correção de direção, mas em caso de iminência de choque frontal os freios são acionados automaticamente. Além disso, o facho das luzes de neblina acompanha as curvas.

Prós e contras

Prós
DESEMPENHO
Motor 1.6 com turbo é tão vigoroso nas acelerações que merecia direção e suspensão com ajustes mais firmes.

Contras
ACABAMENTO
Plástico que reveste painel e laterais é muito rígido. Não há luzes nos quebra-sóis nem apoio para as mãos no teto.

Ficha técnica

Preço sugerido
R$ 98.990
Motor
1.6, 4 cil., 16V, turbo, flexível
Potência (cv)*
173 a 6.000 rpm
Torque (mkgf)*
24,5 a 1.400 rpm
Porta-malas
320 litros

*Dados com etanol. Fonte: Citroën

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