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FCA e PSA: o que muda no Brasil com a fusão dos grupos
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FCA e PSA: o que muda no Brasil com a fusão dos grupos

Entenda como deve ser o panorama futuro da criação dos próximos veículos com a fusão dos grupos Fiat-Chrysler (FCA) e Peugeot-Citroën (PSA)

Redação

19 de dez, 2019 · 6 minutos de leitura.

fusão
CARLOS TAVARES, CEO DO GRUPO PSA E MIKE MANLEY, CEO DO GRUPO FCA, NA ASSINATURA DO ACORDO
Crédito:DIVULGAÇÃO

O novo grupo automotivo formado pela fusão dos grupos Fiat-Chrysler (FCA) e o Peugeot-Citroën-Opel (PSA) criou uma empresa com 400 mil funcionários ao redor do mundo e 8,7 milhões de veículos vendidos por ano. Com estes números se tornam o quarto maior grupo automotivo do mundo. Ficam atrás da Volkswagen, Renault-Nissan-Mitsubishi e Toyota, respectivamente.

Tamanho do novo grupo

No Brasil, o grupo teve 395,5 mil licenciamentos entre janeiro e setembro. Isso coloca a nova empresa à frente da GM com 345,75 mil e Volkswagen com 304,6 mil, respectivamente. Os dados são da Fenabrave, federação que reúne as concessionárias do País.

O novo grupo terá um total de 15 marcas. Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, Fiat, Fiat Professional, Jeep, Lancia, Ram, Maserati, Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall. Ficaram de fora do acordo as sistemistas Magneti Marelli e a Faurecia. A primeira está em processo de venda pela FCA e a segunda terá ações distribuídas aos acionistas do grupo francês.


Plataformas para novos produtos

Entre as vantagens da fusão estão o acesso da FCA à plataformas mais modernas, especialmente para a produção dos veículos compactos. A PSA tem a base CMP (Common Modular Plataform) que deu origem a modelos como o novo 208, que estreia aqui em 2020, e poderá servir de base para uma nova geração do Fiat Argo, por exemplo.

Na esteira das plataformas vem motores mais modernos e eficientes, como o 1.2 turbo. Isso vai permitir que a FCA consiga atingir mais facilmente as metas de emissões de poluentes que a empresa têm dificuldade em cumprir, especialmente nos Estados Unidos. Há também o 1.6 turbo que a PSA ainda utiliza e foi um projeto criado dos tempos da parceria com a BMW/Mini. Com tecnologia flexível, esse motor rende até 173 cv.

Esse motor, inclusive, será uma das novidades do Peugeot 208 no Brasil. Na Europa, ele rende 130 cv com injeção direta de combustível movido a gasolina. Aqui, deverá receber a tecnologia flexível, como já aconteceu com sua versão aspirada, que é oferecida no 208 e no C3.


Uma versão maior da mesma plataforma é a EMP2, para veículos médios e grandes. É a base sobre qual é produzido os modelos 3008 e 5008, entre outros. Essas plataformas, mais modernas, substituirão as atualmente utilizadas pelo grupo FCA nos seus SUVs.

Eletrificação para o grupo FCA

Outra vantagem do uso das plataformas grupo PSA é que elas foram pensadas desde o início para a eletrificação (100% elétrico ou híbridos) de versões.


E esse é hoje o calcanhar de Aquiles do Grupo FCA, já que suas plataformas são antigas e precisam de várias adaptações para conseguir receber tecnologia híbrida. E a marca não tem desenvolvimento sólido de carros elétricos.

Por outro lado, a criação de picapes e veículos fora de estrada maiores, como o Wrangler ou o Grand Cherokee, será mantida no domínio da FCA. Já que a empresa, particularmente sob a marca Jeep, tem largo conhecimento desse segmento, que não é dominado pela PSA.

Para os carros da PSA, a FCA, especialmente a divisão brasileira, poderá oferecer o conhecimento de engenharia para calibragem de suspensão mais ao estilo das estradas e ruas brasileiras, além de atender mais ao gosto do consumidor nacional.


Fusão de fábricas e sinergias

Mas em processos de fusão, a principal meta é a redução de custos com a sinergia. Hoje, com a atual estrutura, o grupo FCA/PSA tem quatro fábricas no Brasil: Betim, Goiana e Campo Largo (FCA), e Porto Real (PSA). Além disso, na Argentina, a FCA tem uma planta em Córdoba e a PSA em El Palomar.

Como parte do reajuste para melhorar a operação, deve ocorrer redução. Tanto de fábricas, quanto do número de funcionários. Isso ainda precisará ser negociado com sindicatos e trabalhadores, além de envolver governos. A promessa, no entanto, é de reduzir custos em 3,7 bilhões de euros (cerca de R$ 16 bilhões) sem fechar fábricas.

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