Híbridos e elétricos: sistemas jogam a favor do impacto ambiental

Tecnologias de propulsão mais limpa contribuem para a solução de um problema gerado justamente pelos veículos

Por 30 de out, 2024 · 7m de leitura.

Caminho sem volta. A frase se tornou praticamente um mantra quando se fala de mobilidade elétrica no Brasil. Afinal, mitigar as consequências do aquecimento global provocadas pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE) é uma emergência no mundo todo. 

Segundo relatório apresentado no ano passado no Fórum Internacional do Transporte, instituição ligada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o transporte responde por 20% das emissões globais de CO2. 

Nos primeiros sete meses do ano, 94.587 veículos híbridos e elétricos ganharam as ruas brasileiras – 140% a mais que o mesmo período de 2023. Crédito: BYD/Divulgação

Os automóveis de passeio são responsáveis por dois quintos desse volume. Se os carros são parte do problema, também precisam contribuir para a solução.

Para reduzir os níveis de emissões, o setor automotivo é unânime em defender que não há um único remédio, mas sim várias tecnologias. 

“Há níveis diferentes de eletrificação em contínua evolução, que marcam justamente a transição energética no transporte”, afirma Raquel Mizoe, diretora de Consumo e Emissões de Veículos Leves da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). “Cada uma delas apresenta ganho de consumo e, portanto, de eficiência energética.”


Raquel Mizoe, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA): “Os híbridos flex – tecnologia que a indústria nacional sinaliza adotar com mais força – se mostram como solução regional mais eficiente [para a descarbonização da frota].” Crédito: Divulgação

No Brasil, a oferta de veículos eletrificados cresce a passos largos. De acordo com dados de emplacamento do Renavam, nos primeiros sete meses do ano, 94.587 veículos híbridos e elétricos ganharam as ruas brasileiras, número 140% maior sobre o mesmo período de 2023, quando foram emplacadas 39.711 unidades.

O crescimento está baseado em cinco tecnologias, distribuídas entre os modelos híbridos e 100% elétrico:


Híbrido leves (MHEV)

É o sistema mais simples, dotado de um dispositivo de 12 ou 48 volts com gerador e uma bateria pequena. A tecnologia não traciona o carro, mas promove ganho de torque e potência para o motor a combustão e também economia de combustível e menores emissões. “Entrega, em média, um consumo 10% melhor se comparado ao do automóvel com motor a combustão”, diz Mizoe.

Híbrido completo (HEV)

Tem um motor elétrico responsável por tracionar as rodas e permitir alguma autonomia em condução puramente elétrica. As baterias são maiores e carregadas pelo motor a combustão, que funciona como um gerador. De acordo com a diretora da AEA, o híbrido puro é capaz de reduzir em até 25% o consumo.

Híbrido Plug-in (PHEV)

Ele se diferencia pela necessidade de alimentar as baterias na tomada. Leva vantagem em relação à autonomia combinada, podendo chegar a mais de 1.000 km rodados.


Híbrido Flex (HEV Flex)

Exclusividade brasileira, ele combina o motor elétrico com o outro a combustão, podendo ser abastecido com etanol ou gasolina. O etanol é capaz de reduzir em até 73% as emissões de CO2 na atmosfera se comparado à gasolina, conforme estudos da Embrapa Agrobiologia. 

Para Mizoe, o Brasil parte de uma régua mais alta no enfrentamento das mudanças climáticas graças ao etanol. “O País tem condições de aumentar a descarbonização da frota já existente. Os híbridos flex – tecnologia que a indústria nacional sinaliza adotar com mais força – se mostram como solução regional mais eficiente”, revela.

Elétricos (BEV)

São os automóveis acionados puramente por bateria. Não emitem poluição durante a condução e trafegam quase sem ruído. As maiores resistências ainda são o preço elevado e a infraestrutura de recarga. 


“As viagens acabam provocando receio no consumidor, embora as fabricantes já prometam autonomia de até 600 quilômetros em seus automóveis”, lembra a especialista da AEA.

Seja qual for a tecnologia, o Brasil já ostenta um ambiente mais descarbonizado em relação a outros países. “Nossa gasolina recebe a mistura de 27% de etanol na composição. Além disso, mais de 90% da energia elétrica é gerada por fontes renováveis”, completa.

A julgar por tantas possibilidades, a eletrificação tem se mostrado, de fato, um caminho sem volta no mercado brasileiro.