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Lamborghini mexicana quer fazer carros elétricos no Brasil; conheça essa curiosa história

Marca detentora dos direitos da Lamborghini "verdadeira" já tentou fabricar em outros países. Agora, quer construir fábrica e até condomínio no Brasil.

Emily Nery, para o Jornal do Carro

29 de abr, 2021 · 8 minutos de leitura.

Lamborghini Latinamérica promete fabricar um carro elétrico que chegue aos 1.000 cv" >
Lamborghini Latinamérica promete fabricar um carro elétrico que chegue aos 1.000 cv
Crédito:Divulgação/Lamborghini Latinamérica

Atualmente, é difícil imaginar a vinda de novas montadoras ao País. Ainda mais do segmento de luxo. Pois é isso que pretende a Lamborghini Latinoamérica. A empresa mexicana tem licença de uso da marca italiana. E acena com a possibilidade de produzir elétricos em Santa Catarina.

Desde já é importante frisar que não estamos falando da italiana Automobili Lamnborghini S.pA. A história envolve a Lamborghini Latinoamérica, com sede no México.

Executivos da empresa se reuniram com a governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido). E com outros políticos do governo do Estado. Assim, trataram da possibilidade da construção de uma fábrica por lá.

Condomínio de luxo

Dessa forma, a empresa promete desenvolver vários projetos. Seriam em 20 áreas diferentes e ao longo de 30 anos. O negócio prevê o desenvolvimento de um sedã. Assim como a produção do SUV La Vision.

Além disso, haveria a construção de um condomínio de luxo. Segundo informações do site NSC Total.

Lamborghini mexicana se encontra com representantes de Santa Catarina
Ricardo Wolffenbuttel/Divulgação

Casas para milionários

Segundo os executivos, isso vai gerar 380 empregos diretos. Além de cerca de 1,3 mil indiretos. O projeto inclui a construção de um condomínio de luxo. O empreendimento residencial de luxo teria 200 casas sustentáveis.

A área do empreendimento é de 1,08 milhão de metros quadrados. E fica no município litorâneo de Governador Celso Ramos.

Cada residência deve ter preços entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões. Isso segundo o sócio brasileiro da empresa, Gilson Pierri.

Supercarro elétrico de 1.000 cv

No site da Lamborghini Latinamérica há informações sobre um carro em desenvolvimento. Segundo a empresa, o protótipo teria 12 motores elétricos. Ou seja, seis em cada eixo.

Com isso, a potência total estimada é de cerca de 1.000 cv. De acordo com as especificações, a carroceria seria feita de fibra de carbono. Como resultado, o peso total do carro seria de apenas 1.161 kg.

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Modelo promete doze motores elétricos, bem como propulsão acima dos 1.000 cv Reprodução/Lamborghini Latinamérica

Assim, você pode estar se perguntando se o protótipo existe de fato. E se já foi exposto em algum salão de automóvel pela marca italiana. A resposta é não. A mexicana cria seus próprios veículos. Ou seja, são derivados dos superesportivos da marca italiana.

Desde 1998, quando foi estabelecida, a empresa lançou dois carros. O Coatl teve três unidades produzidas e o Alar 777, duas. Isso desde 2006. Há também o Centurion, anunciado em 2015. Porém, ele nunca saiu do papel.

Lamborghini mexicana vs Lamborghini italiana

A relação do CEO da empresa com a Lamborghini S.pA. é antiga. Trata-se do mexicano Jorge Antonio Fernández García. Ou, simplesmente, Joan Fercí.

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Conforme dito entrevista para o Autoblog Argentina, Joan Fercí, CEO da marca, tem o sonho de criar Lamborghinis para a América Latina

O fato é que marca italiana enfrentou várias crises. Assim, de 1987 a 1994 a empresa pertenceu à norte-americana Chrysler. E estava praticamente falida em 1994. No entanto, foi comprada por um fundo de investimentos da Indonésia.

Voltando a Fercí, ele era apaixonado por carros da Lamborghini. Mas atuava como fornecedor da Chrysler no México. Em 1996, ele propôs ser representante da italiana em seu país. Porém, havia várias barreiras alfandegárias. Ou seja, ele não poderia vender qualquer carro que não fosse feito no país.

Joan Ferci e o "Lamborghini" Alar 777
Joan Fercí ao lado do Alar 777. Baseado no Diablo, superesportivo teve apenas duas unidades fabricadas Reprodução/Autoblog Argentina

Lambo ‘tunado’?

Desse modo, Ferí não teve problema para assinar um contrato com a Chrysler. O acordo permitia a montagem do Lamborghini Diablo no México.

De quebra, ele passou a ser detentor dos direitos da marca no país por 99 anos. A italiana foi vendida à Audi tempos depois.

Logo, virou parte do Grupo Volkswagen. Porém, Ferí fez valer as cláusulas do contrato que havia assinado.

Nesse sentido, ele está autorizada a reestilizar seus próprios modelos. O acordo é válido no México e na América Latina. Assim, surgiram os projetos “tunados” baseados nos modelos italianos.

Embora mostre que sua função primordial é criar veículos, montadora já se aventurou no setor da moda Divulgação/Lamborghini Latinamérica

Expansão para outros países

Seja como for, Fercí não desiste. Ou seja, ele quer instalar uma fábrica fora do México. m 2006 ele tentou a Argentina. Porém, o projeto não vingou.

Assim, em 2013 o mexicano anunciou que construiria a planta no Parque Industrial Las Piedras, no Uruguai. Em 2019, ele disse que a tão sonhada fábrica seria no Paraguai. Por fim, agora o empresário mira o Brasil.

Nesse ínterim, Fercí resolveu atuar em outros ramos. E apostou em produtos como máscaras e sapatos, notebooks a até charutos. Todos, obviamente, estampando o touro, que é o símbolo da Lamborghini.

Agora, ele resolveu sondar o Brasil. Porém, busca atrelar a suposta construção de uma fábrica a um condomínio focado em milionários.



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