Por Emily Nery, para o Jornal do Carro

05/10/2020 - 5 minutos de leitura.

Mercado de veículos importados tem queda de 31,2% e dólar alto pode agravar situação

Estima-se que o déficit anual seja de 30% em relação a 2019, enquanto isso entidade pede que governo aprove diminuição de impostos

importados
VENDAS DE IMPORTADOS Crédito: MARCOS D'PAULA/ESTADÃO
Carro

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A Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadores e Fabricante de Veículos Automotores) divulgou nesta sexta-feira (2) o balanço do terceiro trimestre e do acumulado no ano. Houve uma quedea de 31,2% na compra de veículos importados entre janeiro e setembro deste ano em comparação a 2019.

A retração foi ainda maior nas vendas de automóveis e comerciais leves nacionais e importados. Cerca de 32,9%. Para os associados da Abeifa, que reúne montadoras como BMW, Jaguar Land Rover, Volvo, CAOA Chery, Porsche, Kia e Lamborghini, o tombo nos nove primeiros meses foi de 20,8% em relação a 2019.

Com o reaquecimento do mercado, a perspectiva é de fechar o ano ainda em queda. Porém com uma porcentagem menor do que a registrada até agora. O déficit em relação ao passado dos veículos nacionais e importados deve ser de 30%.

A associação, que sofre diretamente com a alta do dólar, afirma que esse ano só não foi pior porque as marcas se prepararam para um ano de crescimento. E garantiram estoque com um câmbio mais baixo. Com isso, conseguiram estabilizar os preços. Porém, assim que os estoques acabarem, podemos esperar um novo lote já com o atual valor do dólar.

A entidade não acredita que as montadoras que importam veículos sairão do país devido ao dólar alto, visto que para o próximo ano a tendência é de uma leve baixa e estabilização.

Contudo, talvez seja necessária uma mudança no portfólio das marcas e uma mudança no nicho do consumidor. “Investimentos industriais demonstram o compromisso de longo prazo que as marcas tem com o país. Não devem cessar esse tipo de operação.”, afirma o presidente da Abeifa, João Henrique Oliveira.

Trabalho junto ao governo

Oliveira ainda reforçou a necessidade de duas aprovações de pauta junto ao governo. A da redução do Imposto de Importação de 35% para 20%, adaptando ao praticado pelo México e Mercosul. E da compatibilidade das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para híbridos e elétricos.

O imposto se torna mais caro do que em versões com motor a combustão, pois o cálculo é feito de acordo com o peso do veículo e a bateria elétrica tende a ser mais pesada.

Com a paralisação das atividades executivas, como o Congresso e o Senado, ficou mais difícil das reformas serem apresentadas.

Eletrificados aceleraram às vendas da Porsche

Das marcas associadas pela Abeifa, a Volvo é que tem a maior participação no mercado, com quase um quarto dos veículos importados. Foram 4.813 unidades importadas neste ano. Uma queda de 11,8% em comparação ao ano passado.

Entretanto, o destaque fica para Porsche, que teve um aumento de 62,5% de seus carros importados em relação a 2019. Segundo Oliveira, os novos lançamentos de híbridos e elétricos da marca como Porsche Taycan levaram a uma maior procura por veículos da montadora austríaca.

O segmento de veículos eletrificados é de grande importância para a entidade. Dado que quase metade dos carros elétricos e híbridos vendidos no país são importados e produzidos por montadoras associadas. A categoria ainda corresponde a 3% do mercado e, segundo o dirigente da Abeifa, será necessária a aprovação de diminuição do IPI pelo governo para o preço do veículo elétrico, especialmente o SUV, ficar atraente e conquistar o possível consumidor.

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