Miniaturas atraem fãs de todas as idades

Hobby para uns e fonte de renda para outros, miniaturas de carrinhos atraem uma legião de fãs de todas as idades. Há modelos a partir de R$ 6. Conversamos com colecionadores e descobrimos os clubes, lojas e encontros que movimentam a cena.


THIAGO LASCO

FOTOS: SERGIO CASTRO

Para comemorar o Dia das Crianças, o Shopping Light, no centro, organizou uma exposição de miniaturas de carros que se tornaram conhecidos em filmes como “O Poderoso Chefão” e “De Volta para o Futuro”, além de uma réplica do Batmóvel em tamanho real, que ficará exposta até o dia 14. Engana-se quem pensa, porém, que o assunto é coisa apenas de criança.

Nos encontros de colecionadores promovidos pela Semaan, loja de brinquedos que também fica no centro da capital, a faixa etária predominante vai dos 30 aos 50 anos. Isso embora haja público de todas as idades.

Dedicados, eles “batem cartão” ali no terceiro sábado de cada mês para comprar e vender miniaturas, trocar informações sobre lançamentos e conhecer outras pessoas com a mesma paixão.

“Muita gente adulta tinha vergonha de assumir que gostava de comprar carrinhos”, conta Marcelo Mouawad, gerente comercial da loja. “Os encontros foram a maneira que achamos para trazer os mais tímidos.”

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O colecionismo de miniaturas no Brasil deu um salto a partir do início dos anos 2000, quando a americana Mattel passou a trazer os Hot Wheels. “Hoje, o País é o segundo maior mercado dos carrinhos dessa linha”, diz Douglas Fernandes, editor do blog T-Hunted, que tornou-se referência no assunto e acumula cerca de 200 mil acessos por mês.

“A empresa estava em crise nos EUA e passou a mirar outros países”, conta. “Aqui, investiu em réplicas de modelos como Opala, Brasília e SP2, que se tornaram grandes sucessos”.

Fernandes começou sua coleção ainda criança, nos anos 70. Tem mais de 1.100 peças. “Fotografo e catalogo tudo, até para não acabar comprando algo que já tenho”, diz. Com o tempo, ele tratou de resgatar modelos com os quais brincou na infância. “Um amigo está me enviando dos EUA um Pontiac Firebird que será o meu maior xodó.”

EM FAMÍLIA. Em muitos casos, o interesse pelas miniaturas surge na hora de comprar brinquedos para os filhos. Foi o que aconteceu com o designer Marcelo Hirschmann. Os primeiros carrinhos foram para Jorge, que na época tinha 4 anos. O pai logo começou um acervo e, dois anos depois, fundou o Clube Hot Wheels Brasil.

Com 850 peças, ele se considera mais comedido que a média. “Tem cara que só mexe nos carrinhos com luva. Outros nem tiram da embalagem, e ainda tomam cuidado para não amassar a caixa. Não sou obcecado.”

Já na família Bruno, o exemplo foi de pai para filho. O administrador Alexandre colecionava réplicas de modelos Volkswagen. Transmitiu o hobby para a namorada, Ariadne, que passou a juntar miniaturas de carros cor-de-rosa e caminhões.

Os dois se casaram e os filhos, Pietro e Francesco, herdaram o gosto pelas coleções. O acervo dos quatro passa de 5 mil unidades. E continua crescendo.“Se eles encontram um carrinho cor-de-rosa, trazem para mim”, conta Ariadne.

MODELOS CUSTAM A PARTIR DE R$ 6

Miniaturas de carros são um hobby democrático. Os modelos básicos da Hot Wheels, em escala 1:64, custam R$ 6. Vendidos em supermercados e redes como RiHappy, PBKIDS e Lojas Americanas, são a porta de entrada para o universo do colecionismo de veículos.

Quem pega gosto pela coisa acaba migrando para outras marcas, como Johnny Lightning e Green Light, que miram um público mais adulto. Há ainda modelos especiais, com tiragem limitada, chamados de T-Hunts.

A Hot Wheels costuma ter séries especiais com preços entre R$ 20 e R$ 100. Mais raras são as edições comemorativas e as lançadas em convenções de miniaturas. Essas podem custar cerca de R$ 400. No topo da pirâmide estão os protótipos, relíquias que chegam à casa das dezenas de milhares de dólares.

Os modelos mais raros não circulam em lojas, mas no mercado informal. São negociados diretamente entre colecionadores, em sites como E-Bay e Mercado Livre, ou em encontros promovidos por clubes e grupos especializados (leia mais abaixo).

Outro caminho para a exclusividade é a customização. A especialidade do tatuador Macgregor Fogaça (foto) é deixar o carrinho com um aspecto envelhecido, “detonado”, que os americanos chamam de “rat look”.

Para dar o acabamento, Fogaça usa alicate, chave de fenda, lixa e até esmalte de unha. Fã de hot rods, ele só trabalha com réplicas pequenas, em escala 1:64.

“A dificuldade do tamanho me motiva. E nelas é mais fácil adaptar peças do dia a dia, como molas de caneta”, diz. Esses carrinhos custam de R$ 30 a R$ 50.

CLUBES E ENCONTROS MOVIMENTAM O SETOR

Para quem quer começar uma coleção, todos os especialistas recomendam escolher um tema. Muscle cars, modelos brasileiros ou uma marca específica são alguns exemplos. Isso ajuda a evitar compras por impulso e o risco de se arrepender. “Tem muita coisa bonita. Você se encanta, se perde e pode ter um gasto enorme”, explica Ariadne.

A partir daí, o negócio é pesquisar e aprender. Blogs como o T-Hunted t-hunted.blogspot.com.br) são uma boa ferramenta. Os clubes especializados divulgam lançamentos, têm fóruns de discussão e promovem encontros. “Quem tem a chance de ir a um encontro vai vivenciar o colecionismo. É importante sair do virtual”, defende o colecionador Alexandre Bruno.

O Clube Hot Wheels Brasil chwb.com.br) cobra anuidade de R$ 30 e edita séries de carrinhos customizados. Os sócios podem comprar com desconto.

Já o Clube para Colecionadores de Veículos em Miniatura facebook.com) tem filiação gratuita e organiza quatro encontros mensais. Os próximos serão hoje e amanhã e nos dias 13 e 14 de outubro, no segundo e terceiro pisos do Shopping Light. O endereço é R. Coronel Xavier de Toledo, 23, na região central da capital.

A Semaan (3313-7487), loja especializada que fica na R. Cavalheiro Basílio Jafet, 138, próximo à R. 25 de março, também no centro da cidade, promove encontros de colecionadores no terceiro sábado do mês, das 9h às 15h. Comes e bebes, lançamentos de modelos e sorteios ajudam a entrosar o público.

Nos encontros, colecionadores exibem seus acervos, trocam informações e, claro, negociam carrinhos. “É uma boa oportunidade para começar uma coleção a preços mais justos que os praticados na internet”, diz Bruno.

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