Para Renault-Nissan, investimentos no Brasil ficarão paralisados

Presidente da aliança, Carlos Ghosn, disse acreditar que montadoras vão demorar para investir forte no País novamente; novo March não deve ser nacionalizado


Carlos Ghosn, presidente da Aliança Renault-Nissan

“A quinta geração do Micra (nome europeu do March) será produzida no Brasil?” A pergunta foi feita ao presidente mundial da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, durante o primeiro dia de apresentações à imprensa das novidades do Salão de Paris, nesta quinta-feira (29). O evento abre as portas ao público no sábado, 1° de outubro.

“É possível (a produção no País)? Sim, mas não com o mercado como está. As montadoras, agora, aguardam a recuperação do Brasil” , disse o executivo franco-brasileiro, que passou boa parte de sua infância no Rio de Janeiro e ainda volta com assiduidade – como no pequeno período de férias que passou na cidade após participar da abertura da Olimpíada – a Nissan foi a principal patrocinadora do evento. “Acredito que nenhuma montadora, neste momento, vá correr o risco de investir pesado no Brasil”, afirmou Ghosn.

Após um período de alta nas vendas de veículos novos, o mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves enfrenta o segundo ano seguido de decadência. A queda acumulada nos emplacamentos em 2016 é de cerca de 27% – no ano passado, o recuo foi de 25% na comparação com 2014.

O novo Micra/March, que tem plataforma mais avançada que a da versão produzida na fábrica da Nissan em Resende (RJ), traz pacote tecnológico bem mais amplo que o de carros que disputam o segmento de entrada no País. Fabricá-lo na planta fluminense demandaria alto investimento, que aumentaria bastante seu preço e tiraria sua competitividade no Brasil.

Além disso, essa é a fatia de mercado que mais depende de crédito para financiar as vendas. Com juros em alta, maior rigor na concessão de empréstimos ao consumidor e redução no volume de dinheiro disponível, é o que registra a maior queda de vendas do mercado brasileiro.

Por isso, a tendência é que aumente a diferença tecnológica entre os veículos produzidos para os mercados europeu, americano e asiático e suas versões feitas no Brasil, que devem ter cada vez mais soluções desenvolvidas localmente. Esse fenômeno já foi visto por aqui na primeira metade dos anos 2000, quando era comum marcas instaladas no País manterem em produção, com alguma maquiagem, veículos frutos de projetos que já haviam saído de linha nos chamados países desenvolvidos.

Um dos exemplos é o Volkswagen Golf. A subsidiária brasileira fez uma grande mudança visual no carro no início de 2007, que mantendo a base da quarta geração, enquanto para os europeus já estava disponível a quinta geração, que, assim como a sexta, não esteve no País. Isso permitiu à VW investir bem menos do que seria necessário se tivesse nacionalizado essas duas gerações – pulamos diretamente para a sétima, atualmente à venda.

Porém, o presidente da Volkswagen, David Powels, deu a entender, também em entrevista no Salão de Paris, que terá carros com características mais locais. A montadora era uma das que estavam investindo na nacionalização de modelos globais, a exemplo do Up! e do próprio Golf atual. Apesar disso, as plataformas mundiais devem continuar sendo usadas – com desenvolvimento local de alguns produtos.

Também por causa do momento ruim do mercado brasileiro, a nova geração do C3, destaque da Citroën em Paris, não deve ser nacionalizada – o menos nos próximos anos. De acordo com o presidente da PSA Peugeot Citroën para América Latina, Carlos Gomes, para voltar à lucratividade no mercado brasileiro, o momento exige pragmatismo.

Carro do futuro.Ghosn disse ainda que o cronograma de lançamento de veículos autônomos e eletrificados sofrerá grande atraso no Brasil. “O elétrico precisa ter incentivos do governo, como ocorre nos Estados Unidos e na China, que em breve deverá se tornar o maior mercado do mundo nesse segmento.”

O retardo deve afetar também os autônomos. Ghosn lembrou que esse tipo de veículo, cujo lançamento comercial deve ocorrer em 2020 na Europa e nos EUA, depende de fatores como mapeamento preciso e confiável das vias e respeito às leis. “No Brasil, as pessoas às vezes não param no sinal vermelho.”

Ele afirma que o autônomo será viável primeiro em países com trânsito “mais disciplinado”, como Japão e EUA. Ghosn também citou a França, embora, ao menos em Paris, o trânsito seja mais caótico que em São Paulo e Rio de Janeiro e os motoristas parisienses não possam ser considerados como exemplo de disciplina ao volante.

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