Prisão de presidente da Nissan é prorrogada por dez dias

Corte de Tóquio decidiu manter Carlos Ghosn preso por dez dias por causa das investigações

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Carlos Ghosn em coletiva da Nissan. CRÉDITO: Toru YAMANAKA/AFP Crédito:

O caso da prisão do presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Carlos Ghosn, tem novos desdobramentos. Um tribunal de Tóquio decidiu prorrogar a prisão do executivo das empresas por dez dias. O motivo é para que não ocorra interferência nas investigações. O executivo Greg Kelly também teve sua prisão aumentada. As informações são da agência de notícias Reuters.

Outra reviravolta do caso é uma declaração de um executivo da Nissan, que falou em condição de anonimato. Ele afirmou que a companhia japonesa buscava enfraquecer a influência da parceira Renault na aliança. E a queda de Ghosn, cidadão francês, e que penderia sempre à Renault, pode ser vital nesse processo.

Segundo o executivo, a companhia japonesa não estava feliz com a maneira que a parceria vinha sendo conduzida. “Nós precisamos voltar para a ideia original de um relacionamento de ganha-ganha”.

Renault tentaria controlar a Nissan-Mitsubishi

Ainda de acordo com a Reuters, a Renault estaria trabalhando para aumentar sua parcela na aliança, assumindo o controle da Nissan e da Mitsubishi. Por isso, pairam as suspeitas que Ghosn se tornou um alvo com o foco de atingir a montadora francesa.

Acionista de 15% da Renault, o governo francês tentou colocar “panos quentes” sobre o assunto. Afinal, ele seria o principal financiador de uma oferta da Renault pelas marcas japonesas.

O Ministro de Finanças da França, Bruno Le Maire, disse que é preciso manter a estabilidade nos negócios para ambos os lados. Concluiu dizendo que espera ver as evidências contra Ghosn antes de tirar qualquer conclusão.

“O conselho da Renault pediu que a Nissan compartilhe todas as evidências disponíveis contra Ghosn”, finalizou. Sem confirmar a demissão do executivo, por enquanto, a montadora francesa anunciou o chefe de operações (COO), Thierry Bollore, como CEO interino.

Relembre o caso

Carlos Ghosn foi preso na última segunda-feira (19) por suspeita de ter usado filiais da Nissan para dissimular pagamento de quase US$ 18 milhões para a compra de um imóvel de luxo no Rio de Janeiro, além de uma casa em Beirute.

O empresário que há quase duas décadas ajudou a orquestrar a união entre a francesa Renault e a japonesa Nissan foi preso nessa segunda-feira (19), no Japão. Conhecido pela capacidade de cortar custos e recuperar em negócios em crise, Ghosn, de 64 anos, é acusado de fraudar sua declaração de renda e de usar recursos corporativos para benefício pessoal. A investigação foi originada a partir de uma denúncia interna e teve a colaboração da Nissan nos últimos meses.

Nesta terça-feira, o jornal japonês Nikkei revelou parte das investigações que apontam para a suspeita de que a Nissan Motors teria criado uma afiliada na Holanda e que, a partir dessa unidade, US$ 17,8 milhões foram pagos em dois imóveis de luxo, no Rio e no Líbano.

De acordo com o jornal, a subsidiária holandesa foi criada em 2010, com um capital de US$ 53 milhões. O dinheiro seria usado para investimentos. Oficialmente, a empresa indicava que aqueles recursos tinham como objetivo apoiar startups, ainda que existam poucas evidências de que o dinheiro acabou tendo mesmo essa finalidade.

Para se chegar a essas informações, funcionários da Nissan usaram uma nova lei no Japão que permite o mecanismo da delação premiada. Ela foi introduzida em junho e o caso do brasileiro é apenas o segundo a envolver o novo mecanismo.


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