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Retratada na série 'Round 6', SsangYong entra em falência e será vendida

Após declarar falência, SsangYong será comprada pela startup sul-coreana Edison Motors, que quer produzir 500 mil veículos elétricos por ano

Jady Peroni, Especial para o Jornal do Carro

30 de out, 2021 · 5 minutos de leitura.

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SUV Tivoli é um dos modelos da montadora comercializados no Brasil
Crédito:Divulgação/SsangYong

Chegou o fim da linha para a SsangYong. Há mais de uma década com problemas financeiros, a fabricante sul-coreana está em dificuldade e acumula dívidas que superam US$ 200 milhões. Assim, a montadora conhecida pela maior e mais brutal greve de funcionários no seu país está prestes a ser comprada por uma startup de carros elétricos.

De acordo com o portal Nikkei Asia, a montadora nomeou o grupo Edison Motors, liderado por uma startup que produz caminhões e ônibus elétricos, como sua preferência na escolha de proprietário. A decisão, segundo as informações, seria pelo preço e os planos futuros da marca, que deseja entrar na categoria de ''veículos de passeio''.

SsangYong é vendida para startup
Divulgação/SsangYong

Para se ter uma ideia, a SsangYong está sob ação judicial desde abril de 2021 e, nessa semana, entrou com um pedido no Tribunal de Falências em Seul. Sendo assim, aguarda por uma aprovação. A expectativa, portanto, é que o acordo de US$ 260 milhões, ou R$1,47 bilhão na conversão direta, esteja assinado até o final de novembro.

Startup quer produzir 300 mil veículos

Em uma coletiva de imprensa online, segundo o portal Korea Bizwire, o presidente da Edison Motors, Kang Young-kwon, afirmou que o principal objetivo é continuar trabalhando com o portfólio da montadora. ''Estamos planejando retomar as operações completas para produzir modelos existentes de motor de combustão, movidos a bateria e híbridos nos próximos anos'', disse.

Sendo assim, a previsão da startup é de que, nos próximos anos, a fábrica da montadora em Pyeongtaek produza uma média de 300 a 500 mil veículos por ano. A nova demanda seria feita nas três linhas de montagem disponíveis na estrutura. Foi nesta fábrica que aconteceu a fatídica greve há pouco mais de dez anos, retratada na série Round 6, da Netflix.

Vale mencionar que a Edison surgiu em 2015 e, atualmente, produz uma média de 63 mil ônibus e caminhões elétricos, segundo dados locais. Além disso, a startup ainda produziu 1.500 ônibus a partir de gás natural. Dessa forma, a fabricante fará grandes investimentos para adquirir a SsangYong, que pertence atualmente à indiana Mahindra, desde 2011.



Divulgação/SsangYong

SsangYong no Brasil

A marca sul-coreana tem especialidade em SUVs e picapes, que já chegaram a ser vendidos no Brasil como, por exemplo, os SUVs Tivoli e XLV. No entanto, sem muita presença no mercado. A primeira vez que chegou por aqui foi na década de 90. Logo depois, em 2015 com o Grupo Districar, que representava a montadora no país.

Por fim, a marca retornou entre 2017 e 2019 com a Venko Motors, mas não chegou a se estabelecer. Agora, ao que parece, a SsangYong está em stand-by e permanece com o site inativo e sem atualizações. E, sem um horizonte promissor, não se espera um retorno rápido para ao mercado brasileiro. Inclusive, a marca sul-coreana pode até nunca mais voltar.

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