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Seguradoras podem se recusar a pagar sinistro de carro particular com propaganda política
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Seguradoras podem se recusar a pagar sinistro de carro particular com propaganda política

Proteste explica que existe o risco de seguradoras considerarem a caracterização como mudança no uso do veículo, o que quebraria o contrato; quanto maior a propaganda, pior

Diogo de Oliveira, special para o Estado

26 de out, 2020 · 3 minutos de leitura.

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Carro plotado pode dar problema no sinistro
Crédito:EVELSON DE FREITAS / AE

Uma imagem compartilhada em grupos do aplicativo WhatsApp alerta para o uso de propaganda política nos veículos neste período de eleições. A mensagem diz que ?seguradoras não cobrem carros plotados com qualquer tipo de propaganda, até mesmo política?. Será verdade?

A mensagem (de autor desconhecido) explica que, nos carros de ?uso particular?, as seguradoras ?exigem o enquadramento do veículo como ?uso comercial? ou para ?fins publicitários??. Algumas solicitam até ?que o proprietário remova os adesivos?, sob pena de perder a cobertura.

Pois saiba que o alerta é verdadeiro, conforme explica Juliana Moya, especialista em relações institucionais da Proteste ? Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.


?Esse tipo de caracterização levanta dois problemas. Primeiro, pode fazer com que o veículo se enquadre no perfil de uso comercial. Assim, caso o proprietário não avise a seguradora, esta pode se recusar a fazer a cobertura?, explica Juliana.

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Foto: Whatsapp/Reprodução

Análise de risco muda

Para a especialista da Proteste, as propagandas maiores mudam a análise de risco do veículo.


?A pessoa coloca adesivo de um determinado candidato. Aí vai um opositor e faz uma avaria no carro. Talvez um adesivo no vidro não dê em nada, mas se colocar algo maior, pode ter esse tipo de problema?, pondera Juliana Moya.

A recomendação, portanto, é avisar a seguradora sobre qualquer mudança feita no veículo, mesmo não havendo alterações estruturais.

No caso das propagandas políticas, ?vale consultar a empresa contratada para entender se é necessário fazer algum registro ou mudança contratual?, explica a especialista da Proteste.


Segundo Juliana, os contratos podem ser alterados de acordo com as circunstâncias. E o consumidor deve tomar todo o cuidado possível.

?Se a realidade muda, a seguradora deve ser avisada. Se consta no contrato que o veículo fica na garagem à noite e algo acontece nesse período, a seguradora pode se recusar a arcar com o prejuízo. É um tipo de alteração que importa?, concluí Juliana Moya, da Proteste.