Híbrido x Diesel: Toyota RAV4 encara o líder o Jeep Compass

Em disputa de versões de topo na casa dos R$ 180 mil, novo Toyota RAV4 vem com tecnologia híbrida contra o motor turbodiesel do Jeep Compass, o líder do segmento

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JEEP COMPASS TRAILHAWK É DESAFIADO PELO TOYOTA RAV4 SX HYBRID Crédito: FELIPE RAU/ESTADÃO

Filosofias de propulsão diferentes, mas preço semelhante e mesmo público-alvo. O novo Toyota RAV4 apela à inovação do sistema híbrido e o Jeep Compass, líder de vendas do segmento, defende o conhecido motor turbodiesel. Neste duelo de versões de topo de linha, o RAV4 SX (R$ 186.990) superou o Compass Trailhawk (R$ 181.990). O SUV importado do Japão é mais potente e espaçoso que o modelo feito em Goiana (PE). Além disso, é mais equipado e gostoso de dirigir, tem menor consumo de combustível e suas revisões custam a metade do preço das do rival.

De série, os dois têm sete air bags, tração 4×4, controles eletrônicos de estabilidade e tração, partida do motor por botão, chave presencial, assistente de partida em rampa e câmera na traseira, entre outros itens.

A mais que o Compass, o RAV4 traz frenagem automática em caso de risco de emergência, leitor de faixa de rolamento com assistência, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, faróis automáticos de LEDs, carregador de celular por indução, abertura elétrica do porta-malas e teto solar.

O Compass contra-ataca com assistente de estacionamento e alerta de ponto cego. Mas, para o consumidor ter um Jeep com nível de equipamentos igual ao do RAV4, precisará comprar dois kits opcionais de R$ 8 mil e R$ 8.600. Nesse caso, o preço do SUV pernambucano passa a R$ 198.500.

O RAV4 tem quatro motores: um 2.5 de quatro cilindros a gasolina, que gera 178 cv e 22,5 mkgf, além de três elétricos de 120 cv e 20,6 mkgf. A potência combinada é de 222 cv.

O câmbio é automático CVT, de relações continuamente variáveis. No uso urbano, o RAV4  pode rodar apenas no modo elétrico por até 50 km/h

O Compass, por sua vez, utiliza o conhecido quatro-cilindros 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35,7 mkgf. O câmbio é automático de nove marchas.

A aceleração é mais linear e acontece de modo mais progressivo no RAV4. O Toyota oferece quatro modos de condução: normal, eco, elétrico e sport. Com esta última, as respostas do SUV ficam bem ágeis.

Há ainda a configuração trail, acionada por meio de botão acima do seletor dos demais modos. Essa opção é ideal para uso no fora de estrada e sobre piso com baixa aderência.

O 2.0 do Compass tem aquele atraso comum a motores a diesel, mas consegue mover bem o SUV depois que ele embala. No Jeep há cinco opções de modos de tração, para diferentes tipos de piso.

Em relação ao câmbio, tanto o do RAV4 quanto o do Compass agradam. Os dois sistemas fazem trocas sem trancos e oferecem opção de mudanças por meio de aletas atrás do volante.

O RAV4 tem suspensão firme, que mantém a carroceria estável mesmo se o motorista abusar nas curvas. A do Compass, por sua vez, rola muito, por causa da maior altura do solo em relação às outras versões.

As respostas do sistema de direção do RAV4 também são mais diretas. E o volante, que “ganha peso” em rodovias, passa maior sensação de segurança que o do Compass, que é um tanto anestesiado.

A lista do Inmetro indica que o RAV4 pode rodar até 14,3 km com um litro de gasolina na cidade. Mas foi possível percorrer, sem dificuldade, 20 km/l graças à tecnologia híbrida, cujo funcionamento é melhor em uso urbano.

O Compass percorrer 10,1 km com um litro de diesel, segundo dados do Inmetro. Em trecho rodoviário, os números informados são de 12,8 km/l para o RAV4 e 13,7 km/l para o Compass.

O RAV4 tem linhas modernas e ousadas. O Compass tem visual mais “raiz” que, deve agradar os fãs do estilo off-road.

A cabine do Toyota é bem acabada e tem revestimento de couro até no painel. No Jeep, o interior também é bom, com toques lúdicos, como imitação de lama. Há ainda o desenho da dianteira do Jeep na parte inferior do para-brisa (lado do passageiro) e o mapa do deserto de Moab (EUA) no assoalho.

O painel de instrumentos do RAV4 é virtual e pode ser configurado conforme o gosto do motorista, mas não chega a ser um espetáculo. Ainda assim, supera o do Compass, que traz apenas uma tela de TFT entre o conta-giros e o velocímetro analógicos.

O fato de todos os comandos ficarem dispostos de maneira prática também joga a favor do RAV4, especialmente no caso do console central. No Compass, tudo é um tanto confuso, pro causa do excesso de botões de sistemas como a central multimídia e o ar-condicionado, entre outros.

Em contrapartida, a central multimídia do Compass é mais prática, fácil de usar e tem integração com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay. O do RAV4 tem espelhamento, mas é complicado de usar.

O Jeep é confortável, mas o Toyota tem mais espaço para até cinco ocupantes. Além disso, os bancos dianteiros acomodam melhor os ocupantes que os do Jeep. A disposição dos nichos internos, com os porta-objetos, também é melhor no RAV4 e o espaço sob o apoio de braço, maior.

A tampa do porta-malas do Jeep tem acionamento elétrico e pode ser abertura por meio de gestos, como chutes, caso o usuário esteja com as mãos ocupadas, por exemplo. São 580 litros de capacidade.

No caso do Compass, a abertura elétrica faz parte do pacote que custa R$ 8 mil. O porta-malas do modelo da Jeep tem 390 litros.

Uma bronca minha com híbridos (carros como o Porsche 918 Spyder e o McLaren P1 não contam) é que em geral esses modelos não oferecem prazer ao volante. O foco no baixo consumo é tão grande que eles acabam não empolgando. O RAV4 foge à regra. isso a despeito de o Toyota ser SUV, tipo de veículo que por si só não condiz com aquilo que os fãs de carros costumam esperar.

O japonês oferece suspensão bem acertada, direção direta e respostas ágeis sem abrir mão do apelo “verde”. O espaço interno proporciona conforto e a ousadia do visual surpreende. Para quem roda na cidade de São Paulo, a cereja do bolo é o fato de o RAV4 ser livre de rodízio municipal. Sem contar que o SUV tem preço de carro “normal”, diferentemente do Prius, que também é um Toyota importado do Japão, mas custa bem mais que outros hatches médios com motor a combustão.

RAV4 tem pela frente o sucesso do Compass

O Compass mantém a virtude de ser o queridinho dos brasileiros, o que lhe rendeu a posição de líder absoluto de vendas do segmento. Ter ampla gama para atender diferentes tipos de público é uma das razões do seu sucesso do Jeep desde o seu lançamento. Contudo, o pernambucano vem sendo bombardeado pela chegada de competidores. Por isso, logo a marca terá de melhorar questões como a facilidade de uso e a dirigibilidade, sob pena de ver o consumidor buscar outras opçõe.

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Prós e Contras – RAV4 SX Hybrid

Prós – Trem de força
conjunto motriz híbrido é bom, agrada em consumo e também na hora de acelerar.

Contras – Central multimídia
Central tem interface ruim e não faz integração via Apple CarPlay e Android Auto.

Prós e Contras – Compass Trailhawk

Prós –  Central Multimídia
Interface é ágil, fácil de utilizar e tem rápida integração com Apple CarPlay e Android Auto.

Contras – Dirigibilidade
Suspensão muito mole deixa o carro inclinar demais e direção não tem respostas ágeis.

Modelo RAV4 COMPASS
Acabamento 10 10
Câmbio 5 5
Conforto 8 7
Consumo 4 3,5
Desempenho 4 3,5
Equipamentos 9 7
Ergonomia 4 3
Espaço 8 7
Estabilidade 4 3,5
Estilo 4 3,5
Instrumentos 3 3
Manutenção 4 2
Motor 4,5 3,5
Porta-malas 10 6
Preço 3,5 4
Seguro 3 3
Suspensão 4 3,5
Usabilidade 4 3
Total: 96 81

 

 


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