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Viaturas policiais passam por teste de qualidade inédito no Brasil

Feita pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), ação visa definir critérios mínimos para aquisição de viaturas policiais

Vagner Aquino, Especial para o Jornal do Carro

23 de jul, 2021 · 8 minutos de leitura.

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Viaturas policiais brasileiras terão de atender a novos requisitos estabelecidos em ensaios técnicos feitos pelo Ministério da Justiça
Crédito:Ascom / PRF Goiás

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizou, nesta semana, testes inéditos em viaturas policiais. Os ensaios técnicos visam estabelecer padrões mínimos de qualidade para os veículos das forças de segurança pública do País. A ação é parte do Programa Nacional de Normalização e Certificação de Produtos de Segurança Pública (Pró-Segurança), sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Dessa forma, os testes foram feitos com veículos atualmente em uso pelos policiais brasileiros. É o caso, por exemplo, do Renault Duster das fotos, que pertence à Polícia Militar de Goiás. Ou da perua de luxo, Volvo V90, que pertence à frota da PM do Distrito Federal. Em todos os casos, as provas possuem metodologia científica para auxiliar o processo de construção de uma norma técnica para viaturas policiais.

É isso que vai definir os requisitos técnicos mínimos e a validação de características que serão empregadas nas viaturas Brasil afora. O objetivo é garantir a segurança dos profissionais, a melhor aplicação de recursos financeiros, bem como trazer melhorias aos equipamentos utilizados pelas instituições de segurança pública do País.

viaturas policiais brasileiras
Ascom / PRF Goiás

Como são os testes?

Para começar, as viaturas dos testes são conduzidas por profissionais especializados em direção policial. Estes profissionais são, portanto, membros da Força Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Federal (PF), assim como da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Durante os ensaios técnicos, os profissionais testam a aceleração do veículo e avaliam os pneus, a frenagem e a transposição de obstáculos. Há ainda o slalom (zigue-zague), que afere o equilíbrio dinâmico dos veículos, além do circuito urbano, entre outros. Estas provas são feitas por laboratórios e, por isso, recebem o selo de validação do Inmetro. Isso garante a máxima confiança na avaliação da conformidade.

De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, “a iniciativa é pioneira e visa aumentar a qualidade e a segurança dos equipamentos dos profissionais da linha de frente no combate ao crime”.

viaturas policiais brasileiras
Ascom / PRF Goiás

Seja como for, a ação segue também um dos objetivos da Lei 13.675/2018. Por meio dela, criou-se a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), bem como o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Ambos pretendem incentivar medidas para modernizar equipamentos e padronizar as tecnologias usadas pelas viaturas brasileiras.

Confira abaixo quais modelos de cada força de segurança foram testados:

Força Nacional
  • Mitsubishi L200
  • Ford Ranger
PRF (Polícia Rodoviária Federal)
  • Chevrolet TrailBlazer
PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal)
  • Volvo V90
  • Toyota Corolla
PM (Polícia Militar) de Goiás
  • Renault Duster
  • Fiat Argo
viaturas policiais brasileiras
Ascom / PRF Goiás
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Jornal do Carro fez o curso da Rota

Saber passar em alta velocidade entre carros em congestionamentos. Ou, então, manobrar em vias estreitas com SUVs que pesam mais de 2 toneladas e têm quase 2 metros de altura. Estas são, portanto, algumas das habilidades necessárias aos motoristas das viaturas da Rota.

Jornal do Carro participou do primeiro de três níveis de treinamento ministrados aos integrantes do 1º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo. A conclusão é que, quem acha que sabe dominar um carro do porte de Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer, mas não é motorista da Rota, muito provavelmente está enganado sobre suas habilidades.

Assim, chegar ao posto de motorista da Rota requer treinamento intenso. O de primeiro nível, do qual participamos, começa com uma aula teórica no quartel ao longo de uma manhã. Os PMs recebem instruções técnicas acerca dos veículos. Isso inclui informações sobre tipos e características de pneus, assim como calibragem ideal, por exemplo.

Peças usadas circulam entre os policiais na sala de aula. E os instrutores explicam, então, o que levou a esse ou aquele tipo de desgaste. Detalhes do funcionamento dos sistemas de arrefecimento e de freio, bem como dicas de reparos rápidos em situação de emergência fazem parte da aula. Todos os instrutores, dessa forma, são policiais da Rota.

viaturas policiais brasileiras
Ascom / PRF Goiás

Pista simula situações reais

A palavra segurança vai e vem como um mantra. O objetivo não é apenas capacitar, mas também “garantir o bem estar dos policiais que estão na viatura e de quem estiver na rua”, aponta o tenente PM Sudatti, chefe do gabinete de treinamento da Rota. Segundo ele, quanto melhor o PM conhecer o veículo, maior será, então, seu aproveitamento e eficiência.

O motorista deve, portanto, estar tranquilo e focado para levar a equipe ao destino o mais rapidamente possível. E com total cautela e segurança. O PM da Rota que estiver interessado em ser motorista de viatura deve, primeiro, fazer um “estágio” na função. Apenas os que se saem bem nos treinos podem se candidatar ao posto. E só assume o volante quem for aprovado.

Veja abaixo o vídeo completo do Jornal do Carro no curso da Rota:

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