30 anos sem Enzo Ferrari

Enzo Ferrari apaixonou-se por competição aos dez anos. Pilotou e desenvolveu vários carros da Alfa, antes de fundar sua própria empresa

Enzo Ferrari
A vida de Enzo Ferrari sempre esteve ligada às competições. Foto: Reprodução

Enzo Anselmo Ferrari tinha apenas dez anos quando se apaixonou por carros de corrida. A paixão precoce surgiu ao assistir uma corrida em Bolonha, na Itália, e nunca mais diminuiu. Só foi interrompida há 30 anos, quando o fundador da Ferrari faleceu. O piloto e empresário tornou-se um mito tão forte quanto os esportivos que até hoje fazem sucesso levando o seu nome.

“Il Commendatore” era conhecido pelas reações fortes. Em uma de suas discussões acaloradas mais célebres, teria brigado com Ferruccio Lamborghini, então um fabricante de implementos agrícolas. Conta-se que Lamborghini tinha comprado uma Ferrari, e foi dizer a Enzo que seu carro tinha problemas no câmbio. A resposta teria vindo seca: se não estava satisfeito com a Ferrari, que fizesse seu próprio carro. E assim teria nascido a marca que hoje é a maior concorrente da Ferrari.

O garoto nascido em Modena em 1898 ainda jovem decidiu trabalhar como mecânico, como forma de ficar perto dos carros. Seus planos foram temporariamente interrompidos durante a Primeira Guerra Mundial, na qual serviu no regimento de artilharia.

Em 1918, foi dispensado do serviço militar, após ser acometido pela gripe, pandemia que atingiu a Europa e matou seu pai e seu irmão mais velho.

Depois da Guerra, as pistas

A carpintaria que pertencia à família estava em crise, e Ferrari tentou ingressar na Fiat. Sem sucesso, acabou entrando na Costruzioni Meccaniche Nazionali (CMN), um fabricante de carros de Milão. Lá, conseguiu o posto de piloto de testes, e mais tarde de piloto de corrida.

Em 1920, transferiu-se para a Alfa Romeo, como piloto. Com o nascimento de seu filho Alfredo (Dino),em 1932, Enzo decide abandonar a posição de piloto e investir no desenvolvimento dos carros de corrida da Alfa. Assim nasceu a Scuderia Ferrari, inicialmente como divisão de competições da Alfa.

Foi nessa época que a imagem do cavalinho rampante, que se tornaria o símbolo da Ferrari, começou a ser empregado, nos Alfa de competição. O símbolo foi uma homenagem ao piloto de caça Francesco Baracca, abatido durante a Primeira Guerra.

Em 1939, Ferrari funda em Modena a Auto-Avio Costruzioni, fabricante de peças de competição. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, acabou transferindo a sede para Maranello, distante apenas 18 quilômetros.

Após a guerra, Enzo rebatiza a empresa para Ferrari S.p.A, em 1947. Os resultados nas pistas não demoraram a vir, mas seus métodos costumavam ser questionados. Ele era conhecido por criar rivalidades internas na própria equipe. Sua intenção era que cada um desse o máximo possível para obter a condição de primeiro piloto, mas à custa de gerar muita pressão psicológica sobre a equipe.

Após a morte de seu filho, Dino, em 1956, vítima de distrofia muscular progressiva, Enzo tornou-se uma pessoa reclusa, distante das pistas de competição. Dificilmente saía de Maranello ou Modena.

O último carro aprovado pessoalmente por ele foi o lendário F40, de 1987, um ano antes de sua morte.

Enzo Ferrari morreu em 14 de agosto de 1988, aos 90 anos, em sua casa, em Maranello.


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