Redação

06/09/2014 - 6 minutos de leitura. Atualizado: 04/12/2019 | 18:06

Puma: 50 anos de uma história esportiva

Fabricante faz parte da saga do automobilismo no Brasil e até hoje tem muito fãs antigomobilistas

50anos_da_puma-1 Crédito:
Carro

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Estande da Puma no Salão do Automóvel

A Puma é a marca brasileira de automóveis mais esportiva de todos os tempos. Se isso já não bastasse para ela ter um lugar de destaque no coração dos fãs de automobilismo do País, a marca cinquentenária foi fundada pela lenda Genaro “Rino” Malzoni.

O primeiro Puma, feito ainda com carroceria de metal, estreou em 1964 no Grande Prêmio das Américas, em Interlagos, sendo vitorioso em cinco corridas posteriores. O modelo desbancou carros já famosos como o Renault Dauphine e Willys Interlagos. Tinha um motor de 1.080 cm³ da Vemag mais potente que gerava 106 cv.

Para as corridas e mais alguns amigos, Malzoni produziu 15 unidades do modelo, ainda chamado apenas pelo sobrenome de seu criador. Somente dois anos depois, em 1966, o carro, com discretíssimos retoques, carroceria de fibra feita pela Lumimari e plataforma DKW, leva o nome Puma GT. O visual, livremente inspirado no da Ferrari 275 GTB, logo faz sucesso e 34 unidades são vendidas.

Em 1968, Malzoni troca a DKW pela Karman-Guia e aumenta a produção, que chega a 151 unidades, crescimento de cerca de 350% em dois anos. A mesma compra da DKW Vemag pela Volkswagen, que fez Malzoni trocar a plataforma para a Karman, foi a responsável pela introdução histórica do motor do Fusca no Puma, um boxer a ar de 1,5 litro.

O Puma 1600 GTE surge em 1970, já com o boxer 1.6 e com a pompa da marca ter sido exposta em uma feita de tecnologia em Sevilha, na Espanha. No ano seguinte Malzoni cria o GTE Spider, primeiro conversível da marca. Ele tinha opções de capotas de lona ou até uma rígida, que não foi muito bem aceita pelos compradores do carro pela pouca praticidade e logo foi abandonada.

No ano de 1973 o Puma conversível passa a se chamar GTS, já dono de uma carroceria nova e mais moderna, com foco nos detalhes e na qualidade de construção. Por sorte da Malzoni, o Puma na época passava a ser o único conversível do mercado, pois a Karman havia desistido de uma versão sem capota por causa de falhas técnicas e de infiltração.

As vendas explodiram, mas o que parecia um golpe de sorte resultou em um problema para a Puma. A vedação abaixo da crítica da capota de lona, que deixava entrar muita água, ruído da rua e do motor e até poeira, fez chover reclamações. O processo de fabricação da lona foi sendo aprimorado aos poucos junto da baixa rigidez torcional da carroceria em curvas. Especialistas em carros antigos afirmam que a melhor safra do conversível é a de 77.

Ainda em 73 surge a primeira novidade real da Puma em anos, o GTO. O modelo é lançado no Salão do Automóvel e, quando começa a ser vendido no ano seguinte, ganha o nome de GTB, com motorzão seis cilindros e câmbio do Chevrolet Opala. Muito caro, o novo automóvel da Puma viu a fila de espera pela sua compra rarear rapidamente até ser “morto” pelo Ford Maverick GT e seu V8.

Problemas de saúde afastam Malzoni da fabricante e seus sócios fundam uma nova empresa, a Puma Industrial, e fazem do criador da marca um mero acionista minoritário. O enfraquecimento institucional da empresa e a pressão das grandes montadoras junto ao governo jogam a Puma no limbo da falência em 1985.

Ela é comprada pelas paranaenses Araucária Veículos e depois Alfa Metais, mas segue mal até fechar as portas em definitivo, em 1990, com a abertura das vendas de carros importados no Brasil. Mas Malzoni não vê esse final triste. Já havia morrido em 1979 por um problema na válvula mitral.

Veja a avaliação em vídeo de um GTS 77 feita especialmente para os 50 anos da Puma:

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