História

Puma: 50 anos de uma história esportiva

Fabricante faz parte da saga do automobilismo no Brasil e até hoje tem muito fãs antigomobilistas

Redação

06 de set, 2014 · 6 minutos de leitura.

" >
50anos_da_puma-1
Crédito:

Estande da Puma no Salão do Automóvel

A Puma é a marca brasileira de automóveis mais esportiva de todos os tempos. Se isso já não bastasse para ela ter um lugar de destaque no coração dos fãs de automobilismo do País, a marca cinquentenária foi fundada pela lenda Genaro "Rino" Malzoni.

O primeiro Puma, feito ainda com carroceria de metal, estreou em 1964 no Grande Prêmio das Américas, em Interlagos, sendo vitorioso em cinco corridas posteriores. O modelo desbancou carros já famosos como o Renault Dauphine e Willys Interlagos. Tinha um motor de 1.080 cm³ da Vemag mais potente que gerava 106 cv.

Para as corridas e mais alguns amigos, Malzoni produziu 15 unidades do modelo, ainda chamado apenas pelo sobrenome de seu criador. Somente dois anos depois, em 1966, o carro, com discretíssimos retoques, carroceria de fibra feita pela Lumimari e plataforma DKW, leva o nome Puma GT. O visual, livremente inspirado no da Ferrari 275 GTB, logo faz sucesso e 34 unidades são vendidas.

Em 1968, Malzoni troca a DKW pela Karman-Guia e aumenta a produção, que chega a 151 unidades, crescimento de cerca de 350% em dois anos. A mesma compra da DKW Vemag pela Volkswagen, que fez Malzoni trocar a plataforma para a Karman, foi a responsável pela introdução histórica do motor do Fusca no Puma, um boxer a ar de 1,5 litro.

O Puma 1600 GTE surge em 1970, já com o boxer 1.6 e com a pompa da marca ter sido exposta em uma feita de tecnologia em Sevilha, na Espanha. No ano seguinte Malzoni cria o GTE Spider, primeiro conversível da marca. Ele tinha opções de capotas de lona ou até uma rígida, que não foi muito bem aceita pelos compradores do carro pela pouca praticidade e logo foi abandonada.

No ano de 1973 o Puma conversível passa a se chamar GTS, já dono de uma carroceria nova e mais moderna, com foco nos detalhes e na qualidade de construção. Por sorte da Malzoni, o Puma na época passava a ser o único conversível do mercado, pois a Karman havia desistido de uma versão sem capota por causa de falhas técnicas e de infiltração.

As vendas explodiram, mas o que parecia um golpe de sorte resultou em um problema para a Puma. A vedação abaixo da crítica da capota de lona, que deixava entrar muita água, ruído da rua e do motor e até poeira, fez chover reclamações. O processo de fabricação da lona foi sendo aprimorado aos poucos junto da baixa rigidez torcional da carroceria em curvas. Especialistas em carros antigos afirmam que a melhor safra do conversível é a de 77.

Ainda em 73 surge a primeira novidade real da Puma em anos, o GTO. O modelo é lançado no Salão do Automóvel e, quando começa a ser vendido no ano seguinte, ganha o nome de GTB, com motorzão seis cilindros e câmbio do Chevrolet Opala. Muito caro, o novo automóvel da Puma viu a fila de espera pela sua compra rarear rapidamente até ser "morto" pelo Ford Maverick GT e seu V8.

Problemas de saúde afastam Malzoni da fabricante e seus sócios fundam uma nova empresa, a Puma Industrial, e fazem do criador da marca um mero acionista minoritário. O enfraquecimento institucional da empresa e a pressão das grandes montadoras junto ao governo jogam a Puma no limbo da falência em 1985.

Ela é comprada pelas paranaenses Araucária Veículos e depois Alfa Metais, mas segue mal até fechar as portas em definitivo, em 1990, com a abertura das vendas de carros importados no Brasil. Mas Malzoni não vê esse final triste. Já havia morrido em 1979 por um problema na válvula mitral.

Continua depois do anúncio

Veja a avaliação em vídeo de um GTS 77 feita especialmente para os 50 anos da Puma: