Renault comemora 20 anos de fabricação de veículos no Brasil

Francesa instalou fábrica no Paraná em 1998. Mas carros da marca já foram produzidos no Brasil sob licença na década de 60

Renault
Crédito: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault

A Renault completou neste ano 20 anos de fabricação de veículos em solo brasileiro. A efeméride foi lembrada pela marca no último fim de semana, durante a edição de 2018 do encontro anual de antigos que ocorre tradicionalmente em Araxá (MG). Naquela ocasião, a francesa, patrocinadora do evento, expôs algumas relíquias que fazem parte de sua história, além dos modelos que compõem sua gama atual.

O início da produção da Renault no País se deu em 1988, quando a francesa ergueu seu parque fabril em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. Hoje, a marca mantém ali um complexo com quatro unidades industriais: uma para carros de passeio, uma dedicada a utilitários, uma de motores e uma especializada em injeção de alumínio. Hoje, trabalham ali para a empresa 7.300 colaboradores.

Depois de iniciar operações comerciais em 1995 com os modelos 19 e 21 importados da Argentina, a Renault passou a fabricar no Brasil o compacto Clio, o monovolume Scénic e o furgão comercial leve Master. Mais tarde, veio o médio Mégane.

Em um segundo momento, a partir de 2007, a marca passou a apostar nos projetos trazidos da Dacia, sua subsidiária romena de baixo custo. Foi quando chegou ao Brasil a primeira geração do sedã Logan e do hatch Sandero, seguida em 2011 pelo SUV Duster, derivado da mesma plataforma.

Em 2013, surgiu a segunda geração de Logan e Sandero. O Duster ganhou uma versão picape, a Oroch, em 2015. No ano passado, a marca promoveu o lançamento do SUV Captur – que busca seduzir pelo design, apesar de usar a mesma base do Duster – e do subcompacto Kwid.

Hoje, a Renault contabiliza mais de 3 milhões de automóveis e 4 milhões de motores produzidos e detém cerca de 8% de participação no mercado brasileiro.

Antes do começo: Renault sob licença

A verdade, porém, é que a presença da Renault no Brasil é anterior aos 20 anos em que produziu veículos no Paraná. Em 1960, a francesa começou a ter alguns de seus modelos fabricados no País, sob sua licença, pela Willys-Overland.

O primeiro deles foi o sedã compacto Dauphine. Apresentado em Paris em 1956, ele estreou por aqui em janeiro de 1960 e tinha um motor de quatro cilindros, 845 cm³ e 26 cv. Ele agradava pela economia de combustível, mas a suspensão, frágil para o péssimo estado de conservação das estradas brasileiras, lhe rendeu o jocoso apelido de “Leite Glória”, já que a publicidade do leite em pó na época tinha o slogan “desmancha sem bater”.

Em 1962, a Renault passou a fabricar também o Gordini, que usava a mesma carroceria do Dauphine e um motor mais forte, de 40 cv, associado a um câmbio de quatro marchas (o do Dauphine tinha três). Fabricado até 1965, ele teve as versões Gordini II, Gordini III e Gordini IV até 1968, quando a Ford assumiu o controle da Willys-Overland e paralisou a produção do modelo.

Outro Renault marcante feito nessa época foi o esportivo Willys Interlagos, versão nacional do Alpine A108 francês. Aqui no Brasil, ele usava uma carroceria que mesclava plástico e fibra de vidro e tinha três opções de motor: 850 cm³ com 40 cv, 900 cm³ com 56 cv e 1000 cm³ com 70 cv. Havia configurações cupê, berlinetta e conversível. Leve, baixo e com boa aerodinâmica, o modelo teve uma carreira de sucesso nas pistas.

Ford com sangue Renault

Mesmo após a saída de cena desses primeiros Renault, o espírito da marca francesa continuou presente por muito tempo em modelos de outras montadoras. Isso porque o projeto do Renault 12 deu origem ao Ford Corcel, de 1969, cujo motor foi depois reaproveitado, com modificações, no Corcel II, no Escort e até mesmo nos modelos produzidos pela Volkswagen durante a joint-venture Autolatina, na qual Ford e VW compartilhavam base mecânica em seus modelos.


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