‘Os artistas da restauração estão acabando’

Og Pozzoli, o homem que tem 170 veículos antigos na garagem, diz que não compra mais carros porque faz questão de manter 100% de originalidade e qualidade. E isso está cada vez mais difícil

OG Pozzoli no último domingo, em encontro de Antigos na estação da Luz (Roberto Bascchera/Estadão Conteúdo)

Ele é considerado o patriarca dos colecionadores de carros no Brasil. E com 170 automóveis perfeitamente conservados na garagem, Og Pozzoli provavelmente continua tendo o maior acervo particular do País. Alem de respeitado, o empresario de 84 anos é uma das figuras mais queridas no meio do antigomobilismo.

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Fluminense de Itaboraí, Og Pozzoli iniciou sua coleção por acaso. Em 1952, aos 22 anos, ele comprou seu primeiro carro, um Opel P-4, então com 15 anos de uso. Com esse automóvel, viajou de mudanca de Natal (RN), onde morava, para São Paulo, em 1956. O Opel, no entanto, teve de ser vendido. Em 1958, Pozzoli se tornaria proprietário de um Lincoln Continental V-12, ano 1948, um carro de luxo que, por já ter dez anos de uso à epoca, era acessível ao jovem.

Og Pozzoli e parte de sua coleção (Cláudio Teixeira/Estadão Conteúdo/07/08/2004)


Sem se desfazer do que já havia adquirido, Pozzoli comprou um Ford A 1928, um Fusca para uso diário, e não parou mais. O empresário foi um dos fundadores do Veteran Car Clube do Brasil, do qual é sócio número 1, e da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA). Sua coleção tem carros que perteneceram a presidentes, governadores e personalidades do mundo empresarial e político. À vontade em um encontro de carros antigos, ele falou ao blog.

1) O apetite por colecionar automóveis continua ou o senhor não compra mais carros?

É difícil dizer. Tenho 170 carros em perfeito estado de conservação, restaurados. Eu sempre digo que o importante não é a quantidade, mas a qualidade do acervo. E qualidade meus carros têm.


2) O que é mais importante em uma coleção como a sua?

Sempre mantenho a originalidade dos carros. Disso não abro mão. Tenho carros que pertenceram a Washington Luís (presidente do Brasil de 1926 a 1930), Wenceslau Braz (presidente de 1914 a 1918), carros que foram do governador de São Paulo, do de Minas Gerais. Esses veículos são testemunhss de uma época, da história do Brasil.

3) Esse acervo poderá ser aberto ao público?


Tenho uma espécie de museu, não só com carros, mas com antiguidades, biblioteca, troféus. Pretendo um dia abrir isso ao público, aos que gostam de automóveis. Há 55 anos me dedico a esses carros, restaurando, mantendo-os em condições de rodar.

4) E eles rodam mesmo, até papa o senhor já transportou…

É verdade. Transportei o papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil. Também transportei a família imperial do Japão. Nesses eventos usei um Chrysler Imperial 1957 e um Le Baron 1928. O Itamaraty pediu os carros emprestados para as cerimônias. Eu concordei, mas impus ums condição: que eu estivesse ao volante, o que foi aceito.


5) Hoje é mais fácil ou ou mais difícil comprar e manter carros em relação há 55 anos?

Hoje está mais difícil, principalmente a restauração. Faltam artesãos, os artistas estão acabando. E os custos são impraticáveis, principalmente os carros das décadas de 20, 30, 40, os que eu mais gosto. Sobre compra, depende muito da oportunidade, mas não tenho comprado. Minha última aquisição de um antigo foi há dez anos.

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