Vagner Aquino

15/10/2020 - 10 minutos de leitura.

Itens de segurança não devem ser desprezados pelo consumidor

Entenda porque é necessário prestar atenção e valorizar os equipamentos de segurança na hora de adquirir um veículo

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Consumidor precisa prestar atenção e valorizar equipamentos de segurança dos veículos Crédito: Latin NCAP/Divulgação
Carro

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O rebaixamento do Hyundai HB20 para apenas uma estrela nos testes do Latin NCAP trouxe à tona a questão da segurança aplicada aos veículos vendidos no Brasil. Afinal, a legislação do País está longe de ser ideal neste quesito. Prova disso é que, enquanto outros países já exigem equipamentos como controle de estabilidade, por aqui, apenas tecnologias como freios ABS e air bags dianteiros são obrigatórias.

Muito disso se deve à falta de atenção por parte do consumidor. No Brasil, o consumidor tende a priorizar o design e itens de conforto em detrimento da segurança. Mas “está errado, afinal, é a segurança da família que está em jogo”, enfatiza Dino Lameira, técnico e representante da Proteste. O órgão realiza testes de qualidade e estudos de mercado e é, também, parceiro do Latin NCAP.

“Às vezes, dentro da mesma categoria, há modelos mais seguros, que ganharam cinco estrelas nos testes de segurança. Ainda assim, o cliente opta por um modelo que obteve pior resultado”, aponta. Trata-se de uma clara comparação entre Chevrolet Onix (que levou cinco estrelas em testes de impacto do Latin NCAP) e Hyundai HB20. Este último, em setembro de 2019, havia conseguido quatro estrelas.

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Resposta da Hyundai

Em nota, a Hyundai afirma que “não houve qualquer mudança no processo de produção ou na especificação do veículo que possa justificar a extrema variação entre os dois testes realizados pelo Latin NCAP em menos de um ano”. A fabricante disse que está investigando os testes e que nenhuma conclusão pode ser elaborada antes disso. “Caso haja qualquer possibilidade de melhorar a segurança do HB20, isso sempre será levado em consideração”.

É preciso mudar comportamento na hora da compra

Para acelerar a oferta de itens de segurança nos carros vendidos localmente, Lameira defende um trabalho de mudança cultural. “Em muitos casos, o mesmo carro vendido fora do País com quatro air bags, chega por aqui ofertando apenas duas bolsas infláveis. Ou seja, a tecnologia existe e é viável. Porém, a montadora despe o carro porque o consumidor local aceita”, diz Lameira.

Em entrevista ao Jornal do Carro, o engenheiro Alejandro Furas, secretário geral do Latin NCAP, afirma que prestar atenção e valorizar os equipamentos de segurança na hora de comprar um carro é o mesmo que priorizar a própria vida.

De acordo com ele, um bom desempenho nos testes do Latin NCAP é fundamental para evitar lesões graves ou minimizar risco de vida. Portanto, é imprescindível que o consumidor fique atento à classificação conquistada e, assim, consiga ter a dimensão da segurança oferecida pelo produto que está levando para casa.

“Diferentemente de um celular, por exemplo, ao comprar um elemento de segurança (carro), você pode não ter outra chance para testá-lo e, consequentemente, trocar o produto por outro mais eficaz”, argumenta Furas. O executivo aponta que o consumidor deve exigir que todos os carros sejam testados pelo Latin NCAP e, no mais, exibam sua classificação de maneira clara ao consumidor.

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Ações por parte das montadoras

Lameira criticou a postura de algumas montadoras, que acrescentam o mínimo necessário de itens de segurança aos produtos que comercializam no País, apenas, para diminuir os custos de um projeto. “Essa prática é absurda, afinal, estamos lidando com vidas!”.

O executivo da Proteste coloca ainda a questão de que algumas montadoras estão mais preocupadas que outras. “Hoje, por exemplo, há itens popularizados antes vistos apenas em carros de luxo. Isso mostra que é viável ter carros seguros com preços competitivos”, pondera.

Um exemplo é a frenagem automática, disponível na versão topo de linha do próprio Hyundai HB20. Há dez anos, o item equipava apenas modelos que ultrapassavam a barreira dos seis dígitos. A tecnologia é capaz de frear o carro sem a intervenção do motorista.

Até hoje, carros equipados com luzes de rodagem diurna (DRL) não são comuns no Brasil. Porém, em países desenvolvidos, tais tecnologias já estão disponíveis para os veículos desde a década de 1990. Aqui, o item será obrigatório em todos os projetos novos de veículos a partir de 2021. Os modelos zero quilômetro deverão sair de fábrica com a solução a partir de 2023. A resolução é Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Para Furas, o consumidor não deve se atentar a itens específicos, mas à segurança como um todo. “Não existe um elemento mais importante do que outro. Todos eles interagem ao mesmo tempo para oferecer segurança extra”, explica.

O executivo explica que não se mede o nível de segurança de um carro por causa do número de equipamentos que ele possui. “Se o veículo tiver uma estrutura ruim, mesmo que tenha vários air bags, pode não proteger os ocupantes de maneira correta”, diz.

O contrário também pode acontecer. Por exemplo, “o Latin NCAP avaliou carros com sete air bags e que ganharam apenas duas estrelas (nos testes)”, diz. Portanto, o que importa é a interação de todos os itens presentes no veículo. “A única maneira de adquirir um veículo seguro é saber se ele aprovado em testes de colisão. Quanto mais estrelas, mais confiável é o produto”.

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Itens obrigatórios que aumentam a segurança a bordo

Publicada em 2015, a Resolução 518/15 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) entrou em vigor em janeiro deste ano. A determinação é que todos os veículos saídos de fábrica precisam contar com cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes do banco traseiro. No País, muitos modelos não ofereciam o item no assento do meio. A obrigatoriedade também vale para o Isofix, que fixa cadeirinhas infantis.

Mas não adianta ter obrigatoriedade sem uso correto de equipamentos. Assim como adotar direção defensiva para se prevenir de acidentes, é preciso seguir algumas dicas para que os itens se convertam, efetivamente, em mais segurança. O Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) aponta o que deve se feito.

Para usar o cinto de três pontos, a parte subabdominal da cinta deve ficar em posição baixa, junto aos quadris, tocando as coxas. Já a parte diagonal deve estar sobre os ombros. Não muito solta. O órgão aponta que nunca se deve deixar o cinto posicionado na região do pescoço. Além do desconforto, essa posição pode fazer com que o usuário fique sujeito a lesões.

O encosto de cabeça deve ficar o mais próximo possível da cabeça, tanto em altura quanto em distância. O uso correto pode até evitar lesões cervicais em acidentes. E, no caso do Isofix, verifique se não há objetos estranhos em volta da ancoragem, impedindo o travamento correto. Ao utilizar o dispositivo no banco dianteiro, é necessário desativar o air bag.

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