Blog do Boris

Carro elétrico: como se livrar de seus ‘fantasmas’?

Até nos Estados Unidos, onde é forte a presença desse tipo de veículo, já tem motorista voltando para o carro a gasolina

Boris Feldman

10 de mai, 2021 · 7 minutos de leitura.

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Renault Zoe recarregando
Crédito: Renault/Divulgação

O problema do carro elétrico é a quantidade de ?fantasmas? que ainda o acompanham:

  • ?pane seca? ;
  •  tempo descomunal (comparado com o abastecimento do carro convencional) para recarregar baterias;
  • necessidade de pontos específicos de recarga;
  • encontrar finalmente um deles, mas se deparar com uma fila aguardando a vez;
  • ou sem fila pois a tomada (especial) está inoperante?
  • custo para trocar um jogo de pneus, desenvolvidos especialmente para os elétricos e muuuito mais caros para suportar as arrancadas (com seu elevado torque), o peso muito superior e o composto especial para reduzir atrito (poupar energia é fundamental em função da autonomia limitada);
  • custo para trocar a bateria, que está se reduzindo mas ainda beira 50% do valor do carro.

Com ou sem fantasmas, o carro elétrico é inevitável, mas o caminho ainda é longo e ainda mais distante no Brasil, pela falta de incentivos para serem importados ou produzidos. Se são caros em outros países, aqui são inacessíveis para a maioria dos motoristas.

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Tempo de recarga é o vilão

Mesmo nos EUA, onde ele é subsidiado e já marca forte presença, ainda não é unanimidade. Pelo contrário, a Universidade da Califórnia fez uma pesquisa com ex-donos de elétricos que desistiram e voltaram para os carros a gasolina. Um percentual nada modesto de 20%, ou seja, 1 em cada 5 motoristas se desencantaram com a novidade. Num estado (California) que é a meca dos elétricos, onde está a Tesla e com muitos pontos de recarga.

A explicação de quase todos é a demora na recarga. Alegam que são poucos minutos para reabastecer um carro a gasolina, enquanto o elétrico pede pelo menos uma hora no caso da recarga completa da bateria num supercharger (supercarregador). E de oito a nove horas para recarregar à noite em casa.

Um deles deu como exemplo a diferença entre os dois Mustangs, o convencional e o Mach-E, elétrico. Encher o tanque do primeiro demora 3 minutos e pode rodar 480 km. O mesmo tempo numa tomada doméstica (110 V) permitiria rodar apenas 5 km.

O tempo de recarga de qualquer carro elétrico depende da voltagem disponível.  E do tipo de estação. A doméstica em geral é de 110 volts e a mais demorada. Em alguns poucos locais se encontra a de 220 V (ou até 240 V), que acelera um pouco o processo. Mas, a ideal, de 480 volts, apenas nos supercarregadores.

Então, mesmo nos EUA, o usuário comum só tem, em casa e no trabalho, carregadores de 110 (ou 127) volts. O que torna quase inviável o uso do elétrico caso tenha de ser utilizado para grandes trechos ou viagens frequentes.

Com novas tecnologias e componentes da bateria, a recarga está se tornando cada dia mais rápida. Mas ainda muito mais demorada que a do combustível na bomba.

Carro elétrico sem ?fantasmas?

É possível um carro rodar eletricamente sem baterias?

Sim, usando a célula a combustível (Fuel Cell) que gera no próprio carro a energia elétrica necessária para movimentar seus motores. Entretanto, o tanque deve ser abastecido com hidrogênio, de difícil obtenção, distribuição e armazenamento.

Uma outra possibilidade se encaixa como uma luva no Brasil. É o elétrico com Fuel Cell que obtém o hidrogênio a partir de etanol. Ou seja, poderia ser abastecido em qualquer posto do país. A Nissan está desenvolvendo esta tecnologia no Brasil em parceria com as universidades de São Paulo e Campinas.

Hidrogênio como combustível

A Toyota, que já comercializa há alguns anos (além da Honda e Hyundai) experimentalmente o carro com Fuel Cell (Mirai), desenvolveu agora uma nova tecnologia de um motor a combustão que queima diretamente o hidrogênio, com emissões zero.

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Não é exatamente uma novidade pois a BMW já produziu ? há cerca de 15 anos ? alguns modelos (série 7) bicombustíveis que podiam rodar com gasolina ou hidrogênio, mas abandonou a ideia pela baixa densidade energética do H2 que resultava num consumo quase três vezes superior ao da gasolina.

A Toyota, ao contrário, projetou um motor específico para o hidrogênio e vem obtendo eficiência até superior à da gasolina.

São muitas as possibilidades de movimentar veículos sem queimar combustíveis fósseis. Atualmente já está praticamente definido o carro elétrico como melhor alternativa, mas ainda podem ser viabilizadas outras opções.

No Brasil, por exemplo, seria ideal uma tecnologia que privilegiasse o etanol. Uma solução energética limpa para a atmosfera, com infraestrutura já existente e que privilegiaria também os (muitos, como eu) irracionalmente apaixonados pelo motor a combustão?

Mais Boris? autopapo.com.br

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