Blog do Boris Boris Feldman

27/04/2021 - 6 minutos de leitura.

Sete anos: é quanto dura um bom compacto no Brasil

Dois automóveis de origem germânica, entre os melhores já produzidos aqui, tiveram vida igualmente breve no mercado

Up 1 Crédito:

A Mercedes-Benz decidiu produzir no Brasil o primeiro modelo compacto de sua história, o Classe A. Até então, seu de carro de menor comprimento era o Classe C.

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O Classe A foi lançado na Europa em 1997 a partir de um projeto inovador e que jogava por terra todos os conceitos mecânicos e estilísticos adotados pela marca. Foi o primeiro Mercedes compacto, monovolume e com tração dianteira. Para ter agilidade no trânsito e fácil de estacionar, seu comprimento era de apenas 3,60 metros, semelhante ao de um Fiat 147.

Para compensar seu reduzido comprimento, sua altura foi elevada, possibilitando os passageiros do banco traseiro esticarem as pernas. Outro conceito revolucionário foi de direcionar o conjunto motor e caixa para baixo do carro no caso de um impacto frontal, evitando invadir a cabine dos passageiros.

Entretanto, meses depois de seu lançamento, capotou no “Teste do Alce” realizado pela revista sueca “Mundo Tecnológico”, exatamente por ser elevado. A fábrica recolheu os carros já vendidos, refez a suspensão e introduziu o controle eletrônico de estabilidade (ESP).

Fracasso do compacto da Mercedes no Brasil

Dois anos depois, em junho de 1999, o Classe A inaugurou a fábrica de Juiz de Fora (MG), a primeira de automóveis Mercedes fora da Alemanha. Seu lançamento foi precedido de uma longa e inédita campanha publicitária com o tema “Você de Mercedes”.

A planta mineira foi concebida para produzir 70 mil unidades anuais, mas não chegou a este número sequer na produção acumulada (63 mil exemplares) até 2005. Foi considerado durante muitos anos como o mais moderno automóvel do nosso mercado, pois oferecia toda a sofisticação e segurança dos Mercedes de segmentos superiores.

O fracasso do carro teve algumas explicações. A primeira, o estilo decepcionante, nada que lembrasse a imagem dos belos sedãs, marca registrada da Mercedes. Era, ao contrário, um monovolume, ou um hatch de quatro portas.

Em segundo lugar, pelo seu grande percentual de componentes importados e o dólar ter pulado de R$ 1,10 para R$ 1,90 em janeiro de 1999, o que tornou impossível manter os R$ 27 mil imaginados para seu lançamento. Ele chegou tabelado por R$ 33 mil, e só não foi ainda mais caro pois a fábrica decidiu assumir um prejuízo de cerca de 10% de seu valor.

O terceiro golpe a nocautear o Classe A no Brasil foi a reação negativa do mercado a um compacto, porém super sofisticado em termos de equipamentos de segurança e conforto. Não passava pela cabeça do brasileiro pagar tanto por um carro menor que um Fiat 147.

A produção do Classe A foi minguando até que se decidiu encerrar sua linha de montagem em agosto de 2005, sete anos após o início da fabricação em fevereiro de 1999.

Duas histórias coincidentes

Exatamente quinze anos após a Mercedes ter iniciado a produção do Classe A em Juiz de Fora (fevereiro de 1999), a Volkswagen começou, em fevereiro de 2014, a produção do up! no Brasil. O modelo europeu foi lançado em 2011 com projeto do designer brasileiro Marco Antonio Pavone. A VW cometia o mesmo engano da Mercedes ao trazer um modelo que definitivamente não caiu no gosto do brasileiro.

O up! tem exatamente os mesmos 3,60 metros de comprimento que o Classe A. E sua produção durou os mesmos sete anos, pois foi desativada no mês passado, em março de 2021.

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