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BMW do Brasil está testando o carro elétrico i3 com motor gerador a etanol

Hatch elétrico i3 usa motor de scooter para rodar 60 km sem depender das baterias. BMW ainda não tem data para lançamento da nova tecnologia

Eugênio Augusto Brito, Especial para o Jornal do Carro

29 de jun, 2021 · 6 minutos de leitura.

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BMW i3 2021
Crédito:BMW/Divulgação

Enquanto Nissan e Volkswagen estudam desenvolver o carro elétrico movido a etanol, a BMW acaba de anunciar no Brasil um projeto que transforma o hatch i3 em um elétrico com motor gerador a álcool. A filial brasileira da marca alemã desenvolveu um protótipo do modelo com o extensor de autonomia alimentado exclusivamente por etanol.

O sistema usa um motor bicilíndrico de moto que atua apenas como gerador de eletricidade. Dessa maneira, permite que o motor elétrico funcione mesmo com as baterias descarregadas. Com a adoção do etanol, o i3 elétrico passa, assim, a ser neutro em emissões de CO2, já que os gases liberados pelo escape são reabsorvidos pelas plantações de cana-de-açúcar.

O nome desse carro é quilométrico: BMW i3 Zero Impact Emission CO2 Neutral Ethanol Range Extender. Mas pode chamar de BMW i3 a etanol. O hatch da BMW foi primeiro carro elétrico a ser vendido no Brasil, ainda em 2013. Ou seja, a novidade resgata o pioneirismo do modelo, que atualmente custa R$ 304.950. Seu motor original e totalmente elétrico tem 170 cv de potência (125Kw) e 25,50 mkgf de torque.

BMW i3
(BMW/Divulgação)

Motor de scooter no carro elétrico

O BMW i3 tem uma das versões conhecida como i3 Rex, de Range Extender, ou extensor de autonomia. Assim, esse BMW i3 Rex usa um motor a combustão de scooter, de dois cilindros e 650 cc (0,6 litro), que não traciona as rodas, mas apenas gera carga extra às baterias do veículo, ampliando a autonomia em até 60 quilômetros.

Sendo assim, é este motor que está sendo trabalhado pela engenharia da BMW do Brasil para trabalhar apenas com etanol. Isso porque, segundo a assessoria da BMW, a proposta é ser “neutro em emissão de CO2”.

Sem data para chegar às lojas

De acordo com a BMW, o i3 com extensor a etanol tem alterações no cabeçote do motor, bem como maior taxa de compressão, que salta de 10:1 para 14:1. Assim, o fabricante usa a vantagem de maior resistência a detonação do etanol para conseguir um aumento de eficiência.

Dessa forma, a substituição da gasolina pelo etanol neutraliza a emissão de CO2 na atmosfera, uma vez que os gases serão reciclados na produção da cana-de-açúcar, matéria-prima do combustível no Brasil.



A engenharia da BMW desenvolveu o motor em parceria com a empresa AVL do Brasil. A ideia é apresentar o i3 Rex a etanol no 19º Simpósio SAE BRASIL de Powertrain, que acontece nos dias 29 e 30 de junho, reunindo engenheiros e especialistas da indústria. Por outro lado, a BMW não vai comercializar o modelo no curto prazo.

Falta de incentivos no Brasil prejudica

De fato, uma das vantagens práticas do projeto é se valer de postos de abastecimento normais. Isso permite novos deslocamentos, além de popularizar e ampliar a adoção do elétrico no Brasil. Nesse sentido, a ausência de políticas de incentivos oficiais em ampla margem torna os veículos elétricos caros e raros no país. Da mesma forma, dificultam as vendas e novas soluções e projetos pela indústria.

Porém, no cenário global, a BMW afirmou ter compromisso de ter 50% das suas vendas globais compostas por carros eletrificados até 2030. Ainda no mesmo prazo, precisa reduzir a emissão de CO2 em 80% na produção dos seus veículos, 40% no uso e 20% na cadeia de fornecedores, na comparação com 2019. São metas semelhantes a de rivais como a Audi, que colocou como meta o ano de 2026 para virar a chave da eletrificação.

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