Diogo de Oliveira, Especial para o Estado

13/04/2021 - 9 minutos de leitura.

C3, Ecosport, Etios, Ka, Up! e mais: 2021 já tem oito carros aposentados

Ano começou com o fim da dupla nacional da Ford e já reúne um total de oito carros populares aposentados apenas no 1º trimestre

Ford EcoSport está entre os aposentados
Ford EcoSport é um dos carros nacionais aposentados neste início de 2021 Crédito: Ford Ecosport (Valéria Gonçalvez/Estadão)
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O ano de 2021 está sendo de reestruturação para as montadoras de carros no Brasil. Em apenas três meses, oito compactos nacionais foram aposentados por suas marcas. Alguns deles já estavam no fim do ciclo, como a dupla Citroën Aircross e C3, que terá uma nova geração. Outros, contudo, vendiam grande volume, caso do Ford Ka.

Com o cenário ainda turvo sobre os rumos da pandemia no país, a indústria trabalha para enxugar as linhas de produção. E apostar em produtos atuais e mais rentáveis. É o caso da Toyota, que tirou do mercado a linha Etios (hatch e sedã), que era feita em Sorocaba, para se concentrar na montagem do novo SUV médio Corolla Cross.

Os SUVs, por sinal, continuam a avançar nas vendas, mas isso não impediu a Ford de encerrar com a oferta do EcoSport, o primeiro dos utilitários compactos urbanos. Com a decisão de encerrar a produção de veículos no Brasil, a Ford deixou de produzir a linha Ka e o Ecosport ainda na primeira metade de janeiro. Os modelos eram feitos em Camaçari, na Bahia.

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A lista de aposentados também tem uma despedida prevista, mas triste para os fãs. É o Volkswagen Up!, popular lançado em 2014 que, supostamente, substituiria o veterano Gol. Pois o hatch pequeno com cinco estrelas de segurança e pioneiro entre os compactos com motor turbo sai de cena sem substituto e deixando muitos órfãos. Enquanto isso, o Gol continua.

Maioria dos aposentados não terá sucessor

Quase todos os modelos que se despediram do mercado brasileiro não terão substitutos diretos. A exceção é a linha C3, que renascerá sobre nova plataforma para produzir três carrocerias: um hatch, um sedã e um SUV. O hatch está em fase final de testes e terá porte robusto, similar ao do Renault Sandero. Agora marca da Stellantis, a Citroën quer ganhar volume.

Veja abaixo um breve histórico dos novos aposentados nacionais:

Aircross
Citroën/Divulgação

Citroën Aircross

A marca francesa apresentou em 2010 uma versão aventureira da minivan C3 Picasso. Com produção na fábrica da PSA em Porto Real, no Rio de Janeiro, o Aircross chegou numa época em que praticamente não haviam SUVs no mercado, e pegou carona no sucesso do Ford Ecosport. Contudo, seu trunfo sempre foi ter uma cabine de minivan, com amplo espaço interno e bom porta-malas. Assim como o C3, o crossover da Citroën tinha design moderno e acabamento caprichado.

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Foto: Sergio Castro/Estadão

Citroën C3

A segunda geração do C3 estreou há dez anos no Brasil para manter a marca francesa como referência entre os compactos premium. O hatch foi totalmente atualizado, mantendo apenas a silhueta com o característico teto em arco. Por dentro, trazia materiais interessantes e acabamento acima da média. As vendas começaram bem, mas o modelo nunca brigou por liderança, tampouco figurava entre os mais vendidos. Assim, o C3 acabou esquecido nos últimos anos, quando ganhou o motor 1.2 Puretech aspirado e passou a focar no baixo consumo.

2020 Ford EcoSport
Ford/Divulgação

Ford EcoSport

Em 2003, a marca do oval azul apresentou um inédito utilitário esportivo feito sobre a plataforma do popular Fiesta. O EcoSport nasceu no Brasil e, por oito anos, foi praticamente o único SUV compacto à venda no país. O modelo da Ford só foi ter um concorrente nas vendas em 2011, após a chegada do Renault Duster. A nova geração veio na sequência, mas o EcoSport não conseguiu repetir o sucesso da primeira linha. Em 2017, o SUV ganhou uma profunda atualização no visual acompanhada de novos motores e câmbio, mas não foi o suficiente para encarar a legião de SUVs que veio a partir de 2015. Mesmo assim, a despedida não deixa de ser traumática. Sai de cena no apagar das luzes das fábricas da Ford no País.

Ka
Ford/Divulgação

Ford Ka (hatch e sedã)

Se o EcoSport não vinha bem entre os SUVs mais vendidos, o Ka se despediu disputando a vice-liderança do mercado brasileiro contra o Hyundai HB20. O hatch da Ford nunca vendeu tanto no país como nos últimos anos. Esta última geração teve o hatch e o sedã aposentados juntos em janeiro, após o fechamento em definitivo das fábricas da Ford no Brasil. O compacto chegou às lojas em 2015 com enorme expectativa de vendas, que se confirmaram sobretudo após a última atualização, quando o Ka ganhou câmbio automático. O modelo sai de linha e encerra a participação da Ford em segmentos de carros de entrada. Agora apenas importadora no Brasil, a marca vai focar em SUVs e picapes premium.

Etios
Toyota/Divulgação

Toyota Etios (hatch e sedã)

O primeiro compacto nacional da Toyota estreou no fim de 2012, junto com Chevrolet Onix e Hyundai HB20. A linha Etios tinha preços acessíveis e veio vender volume, inaugurando a fábrica da marca japonesa em Sorocaba, no interior paulista. Sem o mesmo fôlego de GM e Hyundai, o Etios nunca esteve entre os mais vendidos, mas cresceu ano após anos nas vendas, contribuindo diretamente para o aumento de participação de mercado da montadora. As carrocerias hatch e sedã foram aposentadas juntas em março, abrindo espaço na linha de montagem para o SUV Corolla Cross. A fábrica de Sorocaba também produz a linha Yaris, que naturalmente passa a ocupar a posição de carro de entrada na gama da Toyota. Após várias atualizações, o Etios se despediu do mercado em sua melhor forma.

Volkswagen Up! entre os aposentados
Volkswagen/Divulgação

Volkswagen Up!

O hatch de entrada europeu da Volkswagen veio em 2014 para o Brasil com a missão de substituir o campeão de vendas Gol. Para tanto, teve o comprimento aumentado em 6,5 cm, e ganhou versões com quatro portas e vidros traseiros com abertura manual. Chegou com selo de segurança máxima do Latin NCAP, e logo ganhou a versão TSI com tampa traseira preta e motor turbo flexível, conquistando fãs com ótima aceleração. Após sete anos, o Up! se despede enquanto o Gol fica em linha. Com o passar dos anos, o modelo ficou “caro” para os padrões daqui.



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