Carro autônomo: utopia ou realidade?

Há diversos entraves para a adoção do carro autônomo sem pedal e volante, que ainda não tem data para chegar

carro autônomo
Protótipo F015, da Mercedes-Benz, tem nível de automação 5, o maior da escala Crédito: Steve Marcus/Reuters

Dos carros atuais, vários já têm sistemas básicos de funcionamento autônomo, como auxílio a frenagem de emergência e sensores e câmeras que detectam obstáculos. Trata-se do nível 2, de uma escala que vai até 5, na qual o veículo não terá volante nem pedais (veja os detalhes abaixo). Mas há tantos entraves a serem vencidos que ninguém se arrisca a dizer quando os modelos sem motorista chegarão às ruas.

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Por ora, o único carro a contar com tecnologias do nível 3 é o sedã alemão Audi A8. Alguns especialistas dizem até que o carro autônomo de nível 5 dificilmente se tornará realidade.

A principal dificuldade está ligada à infraestrutura. Para que um veículo possa rodar sem nenhuma interferência humana, é preciso haver vias e rede de telecomunicações preparadas para isso.

A legislação também deve estar adequada aos novos tempos. Em caso de acidente, quem será o responsável? A fabricante do carro, a prefeitura, o Estado, a operadora de rede de celular (entre tantas outras empresas e agentes públicos)?

Autônomo ainda tem pedras pelo caminho

De acordo com o CEO da Waymo, John Krafcik, ainda levará décadas para que os carros autônomos estejam nas ruas. Ele diz que, mesmo quando isso ocorrer, eles não serão capazes de agir por conta própria em 100% das situações.

Krafcik é autoridade no assunto. A Waymo faz parte do conglomerado do Google e é parceira da FCA e da Jaguar Land Rover no desenvolvimento de tecnologias para carros autônomos.
Para alguns especialistas, há situações em que será impossível dispensar o motorista. É o caso de locais remotos e com falhas no sinal de GPS, essencial para que o autônomo possa “se guiar”.

+ Carros autônomos são utopia, dizem executivos

Estradas de terra, sem faixas pintadas e as com baixa incidência de placas de sinalização são outro problema grave. Isso é frequente em países como o Brasil, onde nem mesmo há padronização das dimensões das placas.

Um veículo autônomo também enfrentaria percalços ao cruzar a fronteira de um país para outro nos dias de hoje. Nesse caso, mudam não só as leis, mas também os sinais de trânsito.
Por ora, o nível viável é o 4. Esse tipo de carro é considerado semiautônomo, justamente por precisar da ação do motorista em algumas situações.

É o caso do Renault Symbioz, protótipo revelado em 2017 durante o Salão de Frankfurt, na Alemanha. O modelo, com volante e pedais retráteis, é capaz de se transformar em uma sala.
E já há conceito com tecnologia de nível 5. Como o Mercedes-Benz F015, de 2015, o Smart Vision EQ Fortwo e o Cruise EV.

A visão das montadoras sobre o autônomo

Três das quatro montadoras de luxo que vendem carros com sistemas semiautônomos no Brasil têm visões diferentes sobre o nível 5 de automação.

Para a Volvo, o carro autônomo não é utopia. “A partir do momento em que a marca lançar modelos dotados com essa tecnologia, eles farão seus deslocamentos sem intervenção do motorista”, informou em comunicado.

De acordo com a BMW, além da tecnologia da fabricante, é preciso haver infraestrutura das cidades e de comunicação para viabilizar a automação. A montadora informa ser capaz de entregar os sistemas, mas eles também dependem do entorno.

Por enquanto, a marca trabalha para lançar o iNext (foto abaixo), com estágio 3 de automação, em 2021. A versão conceitual desse veículo foi apresentada no ano passado, no Salão de Los Angeles (EUA). Porém, ainda não prevê data para colocar no mercado veículos níveis 4 e 5, embora o primeiro comece a ser testado em 2021.

Diretor de marketing e vendas de automóveis da Mercedes-Benz, Holgar Marquardt diz que, na maioria dos veículos de condução autônoma, ainda estão sendo previstos volante e banco do motorista. “Ficará a cargo do condutor a decisão sobre querer ou não dirigir.”

Para o executivo, os veículos 100% autônomos deverão mudar a maneira como nos relacionamos com os automóveis, com a troca do foco na posse para o foco no uso. “Existem desafios nessa área, como condições fora de estrada ou diferentes regras de trânsito entre os países, mas acreditamos que todos esses pontos serão resolvidos ao longo do tempo”, afirma.

A Mercedes tem parceria para o desenvolvimento do nível 4. Já a Audi não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição.

Entenda os níveis de automação

O nível 1 de automação traz sistemas simples de assistência à condução. Entre eles há o controlador de velocidade adaptativo, tecnologia que permite ao veículo frear e acelerar sem interferência do motorista, seguindo o que via à frente. O recurso utiliza radares e sensores.

Os carros que têm o leitor de faixa de rolamento são capazes de fazer pequenas correções de rota e também podem ser considerados nível 1. Quando esses sistemas se unem, e permitem ao motorista abandonar o volante por alguns segundos, trata-se de automação de nível 2.

Todos os carros semiautônomos à venda no Brasil atualmente são de nível 2. Entre os exemplos estão BMW Série 7, Volvo XC40, Mercedes-Benz Classe E e os Audi com o sistema Traffic Jam Assist (só funciona em congestionamentos).

Só há um carro feito em série com sistema de nível 3 no mundo. Trata-se da nova geração do Audi A8, que em breve chegará ao mercado brasileiro. Por aqui, no entanto, o sedã não terá essa tecnologia.

Por enquanto, aliás, o recurso não está habilitado em nenhum país. A Audi está tentando homologá-lo, mas, por enquanto, apenas na Alemanha. Mesmo lá há entraves por causa da legislação.

O sistema Auto Pilot, da Tesla, é tratado pela companhia como de nível 2. No entanto, ele é capaz de fazer mudanças de faixa sem intervenção do motorista, recursos que outras tecnologias semiautônomas do mercado não oferecem.

Diferença entre níveis 2 e 3 é sutil

A diferença entre os níveis 2 e o 3 é relativamente sutil. O sistema do A8 só vai funcionar em congestionamentos. Porém, enquanto o nível 2 convoca o motorista a assumir o volante depois de alguns segundos, o de nível 3 do Audi não fará isso.

Quando o dispositivo “perceber” que o carro está em um congestionamento, poderá controlá-lo sem interferência humana. Nesse caso, a responsabilidade se houver algum acidente não recairá sobre o condutor, mas sim sobre a fabricante.

Ao menos por ora, os carros autônomos viáveis, segundo fontes da indústria, são os de nível 4. Eles poderão levar pessoas de um lugar ao outro, usando o GPS.

E estarão prontos para fazer qualquer manobra, além de “tomar decisões” e escolher a rua onde irão virar. A inteligência artificial avançada é essencial para o funcionamento dos carros de nível 4. Porém, há limites para as tomadas de decisões.

O principal entrave à chegada desse sistema é a legislação. Que, claro, muda conforme o país. É preciso também investir em infraestrutura para cidades e estradas, e na comunicação entre veículos.

Brasil está atrasado para a chegada do autônomo

Uma pesquisa divulgada pela consultoria KPMG mostra que, entre 25 países avaliados, o Brasil é o que está menos preparado para a chegada dos carros autônomos. O estudo avalia as regulações para esse tipo de veículo, programas-piloto do governo, parcerias da indústria, centros tecnológicos especializados em automação veicular e infraestrutura (qualidade da internet e das vias, por exemplo), entre outros fatores.

O Brasil teve as notas mais baixas do ranking elaborado pela consultoria. E vem piorando. No ano passado o País estava na 17ª colocação. China, Hungria, Índia, Rússia e México também estão mal posicionados.

No topo da lista está a Holanda, seguida por Cingapura e Noruega, na terceira colocação. Estados Unidos e Suécia fecham o ranking dos cinco países mais bem preparados para os carros sem motorista.

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