Primeira Classe Rafaela Borges

Carros autônomos são utopia, dizem executivos

Carros autônomos jamais serão capazes de tomar todas as decisões sozinhos, diz executivo de tecnologia

Symbioz carros autônomos
Renault Symbioz Crédito: Krisztian Bocsi/Bloomberg

Não teremos carros autônomos de nível 5 jamais. Esta é a opinião de uma fonte do blog, um executivo que atua no setor de desenvolvimento desses veículos.

O nível 5 é o máximo dos carros autônomos. Eles não têm nem volante, nem pedal. Assim, esses carros poderiam, teoricamente, tomar decisões sem interferência humana em qualquer situação.

Esses são os carros totalmente autônomos, portanto. Os demais podem ser considerados semiautônomos.

O Renault Symbioz, que esteve no Salão de São Paulo, em novembro, é um exemplo próximo de um carro autônomo de nível 5. O protótipo, porém, tem volante (que pode ser dispensado, transformando o carro em uma sala).

 

Vídeo: Symbioz e outros carros do futuro no Salão do Automóvel

 

Antes de explicar por que os carros autônomos de nível 5 são utopia, é preciso entender os níveis de automação. Veja abaixo.

Veja também: Carros do futuro que já rodam hoje

 

Os níveis dos carros autônomos

O nível 1 de automação inclui sistemas de assistência à condução. Entre eles há o controlador de velocidade adaptativo. Essa tecnologia freia e acelera o carro sem interferência do motorista, seguindo o veículo da frente.

Os carros que têm o leitor de faixas capaz de fazer pequenas correções também podem ser considerados nível 1. Quando esses sistemas se unem, e permitem ao motorista abandonar o volante por alguns segundos, o nível é 2.

Todos os carros semiautônomos à venda no Brasil atualmente são de nível 2. Exemplos são BMW Série 7, Volvo XC40, Mercedes-Benz Classe E e os Audi com o sistema Traffic Jam Assist (só funciona em congestionamentos).

O nível 3

Só há um carro com automação nível 3 no mercado. Trata-se do Audi A8, que em breve chegará no Brasil. Por aqui, no entanto, ele não terá essa tecnologia.

Aliás, ele ainda não a tem em lugar nenhum. A Audi está tentando homologá-la, mas por enquanto apenas na Alemanha. A companhia encontra entraves na legislação.

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A diferença entre o nível 2 e o 3 é sutil. O sistema do A8 só vai funcionar em congestionamentos. Porém, enquanto o nível 2 convoca o motorista a assumir o volante após alguns segundos, o nível 3 do Audi não fará isso.

Quando a tecnologia ler que o carro está em um congestionamento, poderá controlá-lo sem interferência humana. Nesse caso, a responsabilidade por incidentes e acidentes não recai mais sobre o condutor, e sim sobre a fabricante.

Nível 4

Os carros autônomos viáveis, de acordo com a mesma fonte, serão os de nível 4. Ainda assim, ainda poderão ser considerados semiautônomos.

Eles poderão levar o motorista de um lugar ao outro, usando dados do GPS.

Estarão prontos para fazer qualquer manobra, tomar decisões, virar em ruas. Enfim, tudo o que o motorista faz. A inteligência artificial avançada é essencial para o funcionamento dos carros autônomos de nível 4.

Porém, há limites para as tomadas de decisões (entenda mais abaixo).

O principal entrave à chegada desse carro é a legislação. Que, claro, muda conforme o País. É preciso também investir em infraestrutura para cidades e estradas, e na comunicação entre veículos.

 

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Por que o nível 5 é utopia

Basicamente, os carros autônomos de nível 5 fazem tudo o que os “4” fazem, mas dispensam completamente o motorista. Em qualquer situação. Por isso, não têm volante ou pedal.

Eles são utópicos porque há situações em que é impossível dispensar o motorista. Em estradas em locais remotos, por exemplo, não há bom sinal de GPS.

Muito menos no off-road, situação em que é impossível os carros autônomos funcionarem. Não há faixas, nem outros instrumentos importantes para viabilizar esse tipo de veículo.

Outro problema é viajar de um país a outro. Muda não apenas a legislação, mas também sinais de trânsito, por exemplo.

É por isso que, segundo a fonte citada no primeiro parágrafo, os carros autônomos de nível 5 são utópicos.

Essa opinião é compartilhada pelo CEO da Waymo, John Krafcik. Em novembro do ano passado, o executivo afirmou que levará décadas para que os carros autônomos estejam nas ruas. E que, mesmo assim, eles não serão capazes de agir em qualquer situação.

A Waymo é uma empresa que desenvolve tecnologias para carros autônomos. Faz parte do mesmo conglomerado que inclui o Google e é parceira da Fiat e da Jaguar Land Rover.


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