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Chevrolet Onix voltará a ser produzido no Brasil após cinco meses sem chips

Montadora mais afetada no Brasil pela crise dos chips, GM retomará produção dos Chevrolet Onix e Onix Plus com meta de recuperar suas perdas

Vagner Aquino, especial para o Jornal do Carro

13 de ago, 2021 · 8 minutos de leitura.

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Em recuperação, Onix pode ser líder de vendas no ranking de novembro
Crédito:Chevrolet/Divulgação

Fechada desde o fim de março por causa da crise dos chips, a fábrica da General Motors em Gravataí (RS) vai retomar suas atividades na próxima segunda-feira (16). A reabertura permite à montadora a retomada da produção do Chevrolet Onix e do Onix Plus, que chegam já como linha 2022. Serão, no total, três diferentes conjuntos mecânicos (1.0 MT6, 1.0 Turbo MT6 e 1.0 Turbo AT6) e seis níveis de acabamento. A fabricante quer, agora, retomar os bons números de vendas do modelo.

A GM é, de longe, a montadora mais afetada no Brasil pela falta do componente. Desde o início deste ano, chegaram ao País os primeiros impactos da escassez de semicondutores, decorrente da pandemia da Covid-19. Isso, no entanto, forçou fábricas do mundo inteiro a parar as atividades ao longo de 2020. Em 2021, essa conta chegou por aqui, e, desde o fim de março, a fabricante paralisou o complexo industrial automotivo de Gravataí.

Dessa maneira, o Chevrolet Onix, carro mais vendido do País desde 2015, simplesmente saiu das linhas de produção. E, contudo, começou a faltar nas lojas. Como resultado, as vendas despencaram e, em julho, o hatchback, que vendia milhares de unidades todo mês, somou menos de 1.400 emplacamentos.

Retomada da liderança?

A expectativa da marca é retomar os bons números de vendas e - quem sabe - a liderança do hatch ainda em 2021. Questionada pelo Jornal do Carro sobre estimativas mensais de produção da dupla Onix e Onix Plus para os próximos meses, a GM não divulga números. Entretanto, dá para afirmar que a volta do modelo vai mexer com a lista dos mais vendidos do mercado. O ranking, contudo, vem sendo pautado quase que exclusivamente pela disponibilidade.

Chevrolet
Chevrolet/Divulgação

"O Onix é o carro preferido do consumidor brasileiro, e o retorno da produção é importante, pois vamos começar a atender aos milhares de clientes que aguardam pelo produto nas concessionárias Chevrolet pelo País", diz Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, em comunicado emitido pela marca.

Queda na Chevrolet e no mercado geral

A suspensão das atividades da fábrica de Gravataí fez com que aproximadamente 50 mil unidades de Onix e Onix Plus deixassem de ser vendidas. Contudo, cabe lembrar que os emplacamentos do Tracker - que vinha muito bem posicionado no segmento de SUVs - também foram bastante afetados. Sua fabricação também parou na planta da GM no ABC paulista e, por isso, vendeu só 244 unidades no mês passado. A marca, em julho, ocupou a sétima posição do ranking geral. Foram, apenas, 5,8% de participação no mercado de automóveis e comerciais leves.

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Chevrolet/Divulgação

Mas isso não é exclusividade da GM. A crise dos chips afeta diversas outras fabricantes de veículos no Brasil. De acordo com a Anfavea, associação das fabricantes do País, entre 100 mil e 120 mil veículos ficaram de fora da produção nacional no primeiro semestre por causa da falta de semicondutores.

Até a Toyota parou

A mais recente paralisação - que, aliás, surpreendeu o mercado - foi anunciada pela Toyota. Por escassez de componentes, a marca japonesa foi obrigada a suspender suas atividades nas fábricas de Sorocaba e Porto Feliz, ambas, no interior de São Paulo. Portões ficarão fechados entre os dias 18 e 27 de agosto.

Nesse sentido, em Sorocaba, a Toyota vai interromper a produção da linha de compactos Yaris (hatch e sedã), além do Corolla Cross. O Etios, que já foi aposentado no mercado brasileiro, mas continua sendo feito para exportação, também deixará de ser montado pela fabricante no período. Em Porto feliz, todavia, a Toyota para de produzir os motores 1.3 e 1.5 (usados por Yaris e Etios), bem como o 2.0 16V da linha Corolla ? todos flexíveis.

Toyota
Toyota/Divulgação

Com o Corolla Cross entre os SUVs mais bem posicionados do mercado, a Toyota pulou para o segundo lugar no ranking de vendas de automóveis e comerciais leves no mês passado. A montadora alcançou 11,5% de market share, no período. A Fiat, primeira colocada, ficou com 26,9%. Para fechar o pódio, a Volkswagen aparece com 10,9%.

Fiat e VW

Por falar nelas, Fiat e Volkswagen também vêm sendo afetadas pelas paralisações. A marca italiana interrompeu um turno na fábrica de Betim (MG) há dez dias. A previsão de volta seria nesta sexta-feira (13). Mas, de acordo com a Fiat, os trabalhadores retornarão aos postos apenas na segunda-feira (16).

produção de veículos
Werther Santana/Estadão
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Já a Volkswagen, conforme noticiado pelo Jornal do Carro, retomará os trabalhos da planta de Taubaté (SP) na segunda-feira (16), após dois dias de concessão de day off aos funcionários. Na unidade de São Bernardo do Campo (ABC paulista), a VW optou por ceder férias coletivas de um turno até 28 de agosto. São Carlos (SP) e São Jose dos Pinhais (PR) têm operação normal.

Renault

A Renault também vem sentindo os impactos da crise dos chips em suas unidades produtivas. No Paraná, o Complexo Ayrton Senna permanecerá inativo até o dia 27 de agosto. Nesse meio-tempo, toda a linha de automóveis da marca francesa fica fora de produção. A gama é composta por Captur, Duster, Kwid, Logan, Sandero e Stepway.

Nesse sentido, os próximos meses prometem reservar surpresas no ranking de vendas de automóveis e comerciais leves. Hyundai, Honda e Nissan devem, no entanto, se beneficiar do pleno funcionamento de suas linhas de produção.

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