Mercado

Falta de peças faz Toyota parar produção do Corolla Cross e linha Yaris

Escassez de componentes obriga Toyota a suspender atividades nas fábricas de Sorocaba e Porto Feliz; unidades serão paralisadas por 10 dias

Vagner Aquino, especial para o Jornal do Carro

12 de ago, 2021 · 7 minutos de leitura.

chips
Paralisação na Toyota interfere na produção de carros e na linha de motores 1.3, 1.5 e 2.0, usados por Corolla, Etios e Yaris
Crédito:Toyota/Divulgação

Após Fiat e Renault, a Toyota comunica que vai interromper por alguns dias a produção em duas de suas fábricas em São Paulo. A marca japonesa vai parar temporariamente as linhas de montagem nas unidades de Sorocaba e Porto Feliz, ambas no interior do Estado. A paralisação, ocasionada pela escassez de peças, vai do dia 18 e até 27 de agosto.

Nesse período, a unidade de Sorocaba deixará de produzir a linha de compactos Yaris, nas versões hatch e sedã, além do Corolla Cross, o SUV que vem se destacando nas vendas em 2021. O Etios, que já foi aposentado no mercado brasileiro, mas continua sendo feito para exportação, também deixará de ser montado pela fabricante.

Já em Porto feliz, a Toyota produz os motores 1.3 e 1.5 (usados por Yaris e Etios), bem como o 2.0 16V da linha Corolla - todos flexíveis. O fato, certamente, refletirá nas vendas de praticamente toda a gama da marca, afinal, o período corresponde a 1/3 do mês.

Toyota Corolla híbrido desconto IPVA
Toyota/Divulgação

De acordo com a marca japonesa, as demais unidades da Toyota no Brasil, localizadas em São Bernardo do Campo e Indaiatuba (ambas em São Paulo), permanecem com suas atividades normais.

Posicionamento da Toyota

O comunicado aponta que os colaboradores afetados pela paralisação das fábricas de Sorocaba e Porto Feliz entrarão em férias coletivas neste período, com o retorno às atividades programado para o dia 30 de agosto. "Apesar de todos os esforços que temos realizado ao longo do tempo para gerenciar a falta de insumos que afeta a cadeia de suprimentos global, provocada pela pandemia de Covid-19, nesse momento uma parada é inevitável", afirma a fabricante, em nota.

A Toyota, até então, havia sido uma das marcas menos afetadas pela crise dos chips no Brasil. A montadora, que vinha conseguindo manter seu cronograma de produção, conseguiu, nesse sentido, mostrar sinais de crescimento. Para se ter ideia, a marca ficou em segundo lugar no ranking de vendas de automóveis e comerciais leves no mês passado, com 11,5% de market share. A Fiat, primeira colocada, ficou com 26,9%. Para fechar o pódio, a Volkswagen aparece com 10,9%.



Crise ainda assombra montadoras

A crise dos chips afeta diversas outras fabricantes de veículos no Brasil. O tema foi tema da última coletiva mensal da Anfavea, associação das fabricantes do País. De acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, entre 100 mil e 120 mil veículos ficaram de fora da linhas de produção no 1º semestre por causa da falta de semicondutores.

Nesse sentido, vale lembrar que a General Motors está com a produção de Gravataí (RS) interrompida desde março. A previsão de retorno se mantém para segunda-feira (16), quando volta a atuar em um turno. Já São Caetano do Sul (SP) só volta no dia 26 de agosto.

Fábrica de Ancheita da Volkswagen, localizada no município de São Bernardo do Campo (SP)
Volkswagen/Divulgação

Volkswagen Taubaté, só segunda-feira

Na Volkswagen, o cronograma de paralisações está mantido e, na principal fábrica da marca no País - na via Anchieta (ABC paulista) -, férias coletivas de um turno até 28 de agosto. Já na planta de Taubaté (SP), que voltaria à ativa nesta quinta-feira (12), após férias coletivas, temos mudanças de planos.

Ao Jornal do Carro, a Volkswagen confirmou a concessão de "day off hoje (12) e amanhã (13) aos funcionários, que retornam (ao trabalho) na segunda-feira (16)". Em São Carlos (SP) e São Jose dos Pinhais (PR), operação normal.

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Fiat e Renault

Além das supracitadas, Fiat e Renault também sentem os impactos da crise em suas unidades produtivas. A marca italiana interrompeu um turno na fábrica de Betim (MG) há dez dias. A previsão de volta seria nesta sexta-feira (13). Mas, de acordo com a Fiat, os trabalhadores voltarão aos postos apenas na segunda-feira (16). Dessa maneira, mais de dez dias sem produzir Argo, Doblò, Fiorino, Grand Siena, Mobi, Strada e Uno deve gerar impacto para a montadora, que ocupou quatro posições do "top 5" das vendas do mês passado.

Fábrica da Fiat em Betim
Stellantis/Divulgação

A Renault, por fim, vai continuar com a linha de produção do Complexo Ayrton Senna (no Paraná) parada até 27 de agosto. Também afetada pela escassez de chips, a marca deixará de produzir Captur, Duster, Kwid, Logan, Sandero e Stepway. Hyundai, Honda e Nissan, continuam em pleno funcionamento, entretanto, monitorando constantemente o abastecimento de componentes.

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