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Dia Nacional da Kombi: relembre a história da carismática van no Brasil

Lançada em setembro de 1957, a Volkswagen Kombi foi o veículo nacional que ficou por mais tempo em produção, durando até dezembro de 2013

Diogo de Oliveira

02 de set, 2021 · 8 minutos de leitura.

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Volkswagen Kombi saiu de linha no fim de 2013, antes da obrigatoriedade de airbags frontais e freios com sistema ABS nos veículos nacionais
Crédito:PATRICIA SANTOS/AE

Nem parece, mas já vai completar 8 anos que a Volkswagen tirou a saudosa Kombi de linha. Foi no dia 19 de dezembro de 2013, quando a clássica van com formato de “pão de forma” saiu da linha de produção pela última vez na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). Isso desde o dia 2 de setembro de 1957. Foram 56 anos em montagem e mais de 1,56 milhão de unidades produzidas do modelo.

O Brasil foi o último país no mundo a deixar de fabricar a “Velha Senhora”. O apelido carinhoso foi dado pelos funcionários da fábrica no ABC paulista. De tão simbólica, a última unidade da Kombi feita na Anchieta está atualmente no museu de veículos comerciais do Grupo Volkswagen, na cidade alemã de Hannover. Trata-se do veículo mais longevo da história.

Essa conexão dos brasileiros com o ícone da marca alemã é tão forte, que, em todo dia 2 de setembro, comemora-se o Dia Nacional da Kombi. Por isso, vamos relembrar um pouco da história deste que é um dos maiores clássicos nacionais de todos os tempos. Mas, antes, vale a pena rever o belo vídeo de despedida da Kombi, feito pela Volkswagen.

Kombi chega importada em 1950

No início dos anos 1950, a incipiente indústria automobilística brasileira só montava carros a partir de kits trazidos do exterior – o chamado CKD. Nesta época, após a construção da rodovia Anchieta, a região de São Bernardo do Campo começou a atrair fábricas. E foi lá que o grupo Brasmotor, uma das primeiras montadoras no País, começou a montar a Kombi.

A van comercial veio importada da Alemanha, em 1950. Mas, já em 1953, ganhou produção em regime de CKD. E passados mais três anos, a Volkswagen, então, decidiu se instalar no Brasil. Assim, construiu a sua primeira fábrica ali às margens da rodovia Anchieta, inaugurada justamente pela Kombi no dia 2 de setembro de 1957.

Kombi
Acervo Estadão

Veículo multiuso

Após a sua nacionalização, o que ocorreu com maioria de peças feitas no País, a Kombi não demorou a ganhar uma série de novidades. Em poucos anos, passou a oferecer versões picape com opção de cabine simples ou dupla, além da tradicional configuração Standard, disponível para o transporte de cargas e de passageiros.

O desenho considerado o mais marcante até hoje é o da primeira geração, com os vincos que formam um grande “V” na dianteira, com o logotipo da Volkswagen bem grande ao centro. Ele surgiu no início da década de 1940, a partir de um esboço feito pelo holandês Ben Pon, importador da Volkswagen. Ele imaginou como seria a versão perua do Fusca.

kombi
Volkswagen/Divulgação

Entretanto, a primeira Kombi não durou muito e logo foi reestilizada. No Brasil, a primeira atualização veio em 1976, quando a van abandonou o seu visual mais icônico. Na época, as vendas no mercado brasileiro iam de vento em popa e, em outubro de 1977, a VW Kombi atingiria a marca de 400.000 unidades feitas localmente.

Entretanto, na Alemanha e países da Europa, a Kombi já ganhava a terceira geração. Chamada de Type 2 ou Transporter, a van trocou de geração e mudou por completo em 1979.

Kombi
Divulgação

Fim do motor refrigerado a ar

Nos anos 1990, a Kombi ganhou novidades legais, uma delas a opção de portas de correr nas laterais. Outra foi a versão Carat, que tinha a cabine mais caprichada, uma forma de agradar clientes que usavam a van para passeios em família. Em 1992, por força das novas leis de emissões do Proconve, o utilitário também passou a usar catalisador.

Uma mudança importante viria em dezembro de 2005, quando a Kombi nacional recebeu sua maior reforma desde 1953. O visual externo não mudou muito, mas, por dentro, ganhou componentes dos populares GolFox. E, na mecânica, aposentou o veterano motor a ar, passando a oferecer o 1.4 arrefecido a água. Logo depois, em 2006, virou flex.

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Last Edition
Volkswagen/Divulgação

Fim de linha

Embora não tenha apresentado grandes mudanças desde 1957, a Kombi continuava a vender volume nos anos 2000. E, em 2011, atingiu a marca de 1,5 milhão de unidades produzidas no País. Entretanto, apesar de ter demanda, a Volkswagen foi obrigada a tirar a van de linha no fim de 2013. O projeto, idealizado nos anos 1940, não previa airbags e ABS.

Naquele ano, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 2014, todos os veículos novos deveriam trazer airbags frontais e sistema antitravamento dos freios (ABS) de série. Assim, a Volkswagen não teve o que fazer, e, no dia 13 de dezembro de 2013, encerrou a produção da Kombi após 56 anos.

ID.Buzz
Volkswagen/Divulgação

Mas até hoje a van é vista comumente nas ruas. Segundo levantamento do Detran-SP de 2017, há 387.436 unidades registradas somente em São Paulo. Ou seja, um fenômeno atemporal. E que promete voltar em breve, já que a Volkswagen planeja uma nova geração da Kombi totalmente elétrica. O modelo nascerá do conceito futurista ID.Buzz (foto), que estreia em 2022 e promete ter estilo totalmente inspirado na “velha senhora”.

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