Diogo de Oliveira, Especial para o Estado

22/03/2021 - 6 minutos de leitura.

“Estamos aniquilados”, diz presidente da federação das concessionárias de veículos

Diante de um novo lockdown, presidente da Fenabrave avisa que “conta não fecha” e que concessionárias podem falir se não abrirem

Fenabrave concessionárias
Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, a federação nacional das concessionárias de veículos Crédito: Fenabrave/Divulgação
Carro

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Enquanto o Brasil caminha para um colapso hospitalar por causa da disparada dos doentes de Covid-19, crescem as incertezas quanto ao impacto econômico do fechamento dos grandes centros. Em conversa com o Jornal do Carro, Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, alerta para a iminente falência de concessionárias com o novo lockdown.

“Será que o governo atenta para quantos CPFs existem por trás dos CNPJs? Estamos aniquilados, precisando tomar soro. Temos que trabalhar, que retomar, mas preservando vidas sempre. Não temos liquidez, tampouco previsibilidade nesse momento”, desabafa o líder da Federação Nacional da Distribuição de Veículos.

Para Alarico Assumpção Jr., o momento atual é bem mais complexo do que há um ano. Além da falta de componentes essenciais, o que fez a GM e a Honda paralisarem suas fábricas, as concessionárias estão proibidas, portanto, de abrir as portas em vários estados, mesmo cumprindo protocolos sanitários. Para completar, o ICMS disparou em São Paulo.

“Como vamos pagar a conta? Não fecha. Tem custo de estrutura, quadro de colaboradores, pagamos outros impostos. Não tem orçamento e operação que comporte este cenário. O que poderá ocorrer é a migração de clientes para outros estados (por causa do ICMS), o aumento da informalidade e, por fim, a falência das empresas e o desemprego”, alerta Alarico Assumpção Jr.

concessionárias
Renault/Divulgação

7.300 concessionárias e 320 mil empregos diretos

Segundo o presidente da Fenabrave, o país tem atualmente 7.300 concessionárias presentes em 1.050 municípios e responsável, dessa forma, por 320 mil empregos diretos. Deste total, 1.800 revendas ficam em São Paulo, que responde, assim, por quase 30% dos negócios. “Esses dados serão revelados em breve”, promete Alarico Assumpção Jr.

“São Paulo é uma locomotiva e tem um terço do nosso trabalho em volume. Então, a questão da falta de produtos, do fechamento das concessionárias e da alta de 207% no ICMS nos pegou de surpresa. Por causa disso, vamos rever os números de 2021 já nos próximos dias”, diz o chefe da Fenabrave. Até fevereiro, a federação previa alta de 16,5% no 1º trimestre.

“Não estamos mais suportando não trabalhar. É fato que não há aglomeração em nossas casas. Não houve sequer um registro de morte relacionado a uma concessionária”

Alarico assumpção jr., presidente da fenabrave

Para Alarico Assumpção Jr., não faz sentido impedir as concessionárias de abrirem durante o lockdown, uma vez que são cumpridos os mais rigorosos protocolos sanitários anti-Covid. O líder da Fenabrave também diz que a oficina é essencial para atender o transporte de alimentos, de equipamentos hospitalares, polícia e ambulâncias, entre outros serviços básicos.

“Mesmo contra a nossa vontade de estar trabalhando, a rede irá cumprir as leis estabelecidas. Ou seja, o lockdown será feito, embora não estejamos de acordo com as medidas adotadas. Quem dera tivessem filas para comprar carros! Mas não é o caso. Trabalhamos no mais alto padrão para preservar a vida dos clientes, bem como dos funcionários”, garante Alarico Jr.

venda de carros concessionárias
Alex Silva/Estadão

Mais de 60% das vendas online em 2020

Segundo Alarico Assumpção Júnior, as vendas feitas por meio de ferramentas digitais responderam por mais de 60% dos negócios fechados em 2020. Assim, foram de extrema importância para o resultado final, com queda razoavelmente menor que a projetada de início. Em 2021, o presidente da Fenabrave acredita que a venda online seguirá crescente.

Contudo, Alarico Assumpção Jr. ainda vê a venda presencial como indispensável. “A internet é uma ferramenta extraordinária, mas não veio para substituir a venda presencial. O Brasil tem muitas regiões com características e culturas diferentes. Temos pessoal treinado e experiência nisso. Não é só ter o dinheiro e abrir uma loja”, garante.

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