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SERGIO CASTRO/AE

Fuja do mico: chineses usados que não se deve cogitar na hora da compra

Para evitar dores de cabeça, como falta de peças e dificuldade na hora da revenda, separamos alguns carros que não devem ser levados em conta no mercado de usados

Por Vagner Aquino 21 de ago, 2023 · 9m de leitura.

Os chineses, mais uma vez, estão dando o que falar no mercado de veículos do Brasil. A recente invasão chegou com tudo e tem despejado os mais variados tipos de modelos por aqui. Mas essa história não é inédita. A invasão chinesa também aconteceu no País há, mais ou menos, 10 anos. O fato é que, se por um lado isso obrigou fabricantes tradicionais a baixarem seus preços para, assim, não ficarem em desvantagem frente aos asiáticos, por outro, deixou verdadeiros micos nas mãos de alguns consumidores e, hoje, ficam estacionados no mercado de usados.

Hoje, fabricantes como GWM, BYD e companhia vêm importando, principalmente, SUVs e hatches elétricos com belos visuais, tecnologia de ponta e preço abaixo da média. Ambas, inclusive, já pavimentam o caminho rumo às fábricas nacionais. Respectivamente, em Iracemápolis (SP) e Camaçari (BA). Dessa forma, vêm conseguindo quebrar alguns preconceitos do passado – algo já sofrido pelas montadoras japonesas, francesas e sul-coreanas com a mesma intensidade. Mas esse preconceito, de fato, tinha motivo?

JAC J3

Sim! Afinal, lá pelo início da década passada, diversos modelos de marcas como Geely, JAC e Chery, por exemplo, chegaram por aqui. O atrativo eram as propagandas. A JAC, por exemplo, teve ninguém menos que o apresentador Fausto Silva como garoto-propaganda. Isso deixou o J3 conhecido popularmente como o “carro do Faustão”. As vendas pipocaram. Os arrependimentos, também.

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JAC/Divulgação

Com a premissa de custo-benefício atraente frente Volkswagen Gol, Fiat Uno e companhia, o J3 (apesar de meio duro para dirigir e com aparência frágil, principalmente quando se olhava para o interior) já passou por vários problemas por conta de peças. Esse é o principal calcanhar de Aquiles não só deste JAC como de diversos outros chineses. Talvez por isso, mesmo custando cerca de R$ 25 mil (modelo 2012), o hatch compacto de motor 1.4 a gasolina de 108 cv é algo fora de cogitação para a maioria do público que está de olho em um carro usado.

Chery QQ

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Chery QQ de segunda geração (MARCIO FERNANDES DE OLIVEIRA/ESTADÃO)

O Chery QQ bombou em vendas há cerca de 10 anos. Inclusive, porque já foi o carro mais barato do Brasil. Tinha motor 1.1 a gasolina com 68 cv, e era completo em relação à pelada concorrência, mas o baixo nível de construção decepciona. A segunda geração chegou a ser vendida por aqui, mas nada que causasse aquele furor conquistado pela primeira. Hoje, dá para encontrar ambas no mercado de segunda mão por cerca de R$ 30 mil (2018) e R$ 20 mil (2013), respectivamente. Mas, até por segurança, fuja!

Lifan 320 e 620

Por falar em segurança, era comum ver carros chineses zerando em testes do Latin NCap naquela época. O Lifan 320, mesmo, foi um deles. Esse modelo, que carregava o motor 1.3 a gasolina de 88 cv, aliás, ficou conhecido como o “clone do Mini Cooper“.


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Lifan 320 (SERGIO CASTRO/ESTADÃO)

Embora não chegasse nem aos pés do charme do compacto inglês, o asiático tentou criar um visual com linhas arredondadas para ludibriar a clientela que não tinha dinheiro para comprar o Cooper. Hoje, quem comprar, casa com o carro. Porque (quase) ninguém mais quer. Portanto, melhor não gastar os R$ 19 mil (2013) que os revendedores pedem pelo modelo no mercado de usados. Se garimpar, encontra até por R$ 12 mil (2010). Entretanto, é melhor esperar um pouco mais, poupar a grana, e comprar algo que valha a pena.

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Lifan 620 chegou para concorrer no segmento de sedãs médios (Lifan/Divulgação)

Apesar de ter conseguido emplacar milhares de unidades do SUV X60 – que chegou a ser o chinês mais vendido do Brasil – a Lifan não se contentou com o bizarro 320 e tentou empurrar goela abaixo do consumidor o sedã 620. O argumento (bastante pretencioso) era concorrer diretamente com o Toyota Corolla. Com motor 1.6 a gasolina de 106 cv, tinha desempenho manco e faltava segurança ao volante. Passar dos 100 km/h, nem pensar. Descontinuado, a oferta de peças de reposição é ainda pior do que quando em linha. Portanto, nada de considerar pagar R$ 10 mil (2011) por um modelo usado. Afinal, já se sabe o motivo de ser tão barato.


Chery Celer e Cielo

Dentre as desvantagens de comprar um chinês no Brasil, estão o pós-vendas difícil, a reposição de peças e, não menos importante, o abandono repentino do mercado. Quem não se lembra do Chery Celer. Tinha visual imponente, bom espaço, motor 1.5 de 108 cv (já com tecnologia flex) e outros predicados. Mas, mesmo fabricado no Brasil, o modelo saiu de linha rapidamente. À época, vale lembrar, a chinesa ainda não era controlada pelo Grupo Caoa no Brasil, que expandiu número de concessionários e melhorou consideravelmente o pós-vendas, entre outras ações. No mercado de usados, dá para achar o hatch de quatro portas por cerca de R$ 25 mil (2013).

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Chery/Divulgação

Por cerca de R$ 20 mil (2012) daria para levar um Chery Cielo para a garagem de casa. Mas, você leu direito, daria! A recomendação é zero. Afinal, ainda resquício dessa primeira fase da Chery no Brasil, o modelo era alvo de reclamações devido ao peso e às peças de reposição. Embora tivesse o bom motor 1.6 a gasolina de 119 cv, até mesmo itens básicos eram difíceis de encontrar, já à época de seu lançamento. Assim, virou mico no mercado de usados.

Chery Cielo (Chery/Divulgação)

Geely EC7

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Geely EC7 chegou em meados da década passada (Geely/Divulgação)

Desvalorização alta e seguro com valores exorbitantes também são fatores determinantes para que você fuja dos Geely EC7 usados. Quando chegou ao mercado, em meados da década passada, tinha a proposta de bater de frente com os sedãs médios oferecidos no mercado, como Chevrolet Cruze, Honda Civic e o próprio Toyota Corolla. Para isso, apostava na receita “mais por menos”. Oferecia motor 1.8 a gasolina de 130 cv. Hoje, o modelo da atual proprietária da Volvo não merece o investimento, que pode quase encostar nos R$ 40 mil (2014) nas lojas do País.

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