Mustang GT 1969 conversível volta a brilhar após restauração

Anunciado na internet, exemplar conversível do Ford Mustang foi uma aposta certeira do gerente de controladoria Ricardo Bacconi Neto

Ford Mustang GT
Ford Mustang GT conversível 1969 Crédito: Crédito: Felipe Rau/Estadão

Um bom gerente de controladoria está sempre de olho em oportunidades que possam aumentar a lucratividade da empresa em que trabalha. Ricardo Bacconi Neto juntou a experiência adquirida nesse ofício e o gosto por coisas antigas e descobriu que importar e restaurar exemplares de Ford Mustang podia ser um ótimo negócio. O GT conversível 1969 desta reportagem foi o terceiro modelo que ele comprou.

“Já colecionei selos, maços de cigarro e itens antigos do Palmeiras. Eram artigos feitos com cuidado, para durar. Os carros antigos me atraíram pelo design e, aos 15 anos, comecei a frequentar os encontros do Pacaembu”, ele conta.

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A ideia de transformar a paixão em realidade surgiu em 2011, quando Bacconi começou a flanar por anúncios de antigos à venda nos Estados Unidos. “Vi um Mustang 1966 com preço interessante para a época. Concluí que seria financeiramente viável importá-lo, pois o preço final ainda estaria dentro do valor de mercado dele. Eu poderia curtir um pouco o carro e depois revendê-lo sem perder dinheiro.”

Depois de seis meses de trâmites, o Ford chegou, com a lataria muito corroída. Como naquelas condições o carro não encontraria pretendentes, Bacconi resolveu restaurá-lo. Ficou um ano com ele e, a partir daí, passou a buscar outras unidades. Para evitar prejuízos, ele investia na compra 70% do valor recebido com a venda do modelo anterior, deixando uma reserva para eventuais reparos.

Acanhado, mas com potencial

O GT conversível entrou na vida do gerente de controladoria em julho de 2015, dessa vez por meio de um anúncio feito no Brasil. “Ele ficou muito tempo anunciado, ninguém dava bola para ele. Sem frisos e emblemas, o carro não chamava a atenção. Mas era muito íntegro. Estava feio, mas tinha grande potencial”, ele lembra. “Além disso, eu estava saindo de um modelo 1968 com capota, então aquela compra seria uma melhora significativa.”

Mais tarde, Bacconi teve a certeza de que a aposta foi acertada. “Notei que a procura pela safra 1969 cresceu muito. Ela passou a ser valorizada principalmente por causa da dianteira, que é uma das favoritas dos ‘mustangueiros’. E o mercado ficou um pouco saturado dos modelos anteriores (de 1964 a 1968)”, explica. “Foram produzidas cerca de 5 mil unidades da versão GT, das quais apenas 1.127 são conversíveis.”

Passado que não condena

Durante a restauração, que levou cinco meses, a desmontagem do esportivo trouxe uma grata surpresa: não havia um ponto de ferrugem sequer. Os pistões ainda eram os originais e não foi preciso retificar o motor. O Mustang havia tido uma vida pregressa sem grandes sobressaltos.

“Ele pertenceu a uma única família por cerca de 40 anos. Quando o pai faleceu, os filhos não tiveram interesse em manter o acervo e resolveram vendê-lo”, diz Bacconi.

Cercado de cuidados

O esportivo só sai da garagem a cada 15 dias, e sempre em passeios pela Rodovia dos Bandeirantes. “Não é um carro para usar durante a semana. O asfalto da cidade é muito ruim, com ondulações e buracos, e o trânsito é intenso. Sem falar que não é todo mundo que toma cuidado para não esbarrar no seu carro”, explica o dono, que usa um Mitsubishi Outlander nos deslocamentos do dia a dia.

Mesmo na estrada, os rolês de Bacconi são sempre bem comportados, a despeito da esportividade à flor da pele do GT. “O Mustang é um carro muito nervoso, bruto. Se eu arrancar com ele, ele canta pneu até na troca para a segunda marcha”, descreve. “Mas nunca passei de 140 km/h com ele e nem o levei para a pista, pois acho que isso judia muito do carro.”

Outro cuidado que o gerente de controladoria toma é só circular com o Mustang limpíssimo. “Isso faz parte da apresentação do carro. Sair com um antigo é um momento de exibição no bom sentido. Você está mostrando à sociedade uma criação da indústria automobilística de 50 anos.”

Carinho dos antigos

Bacconi criou um grupo com outros 47 donos de Mustang, a maioria fabricados antes de 1970, para trocar informações sobre peças e também organizar passeios. Ele diz que estar a bordo de um antigo atrai uma atenção especial das pessoas.

“Você é recebido de uma forma diferente, isso muda a percepção que as outras pessoas têm a seu respeito. Elas sorriem, puxam papo. Gosto de deixá-las entrar no meu carro e ouvir estórias de desconhecidos que de outra forma não falariam comigo. Isso traz boas energias”, acredita.

Cautela

Para os que estão pensando em seguir o exemplo de Bacconi e comprar um Mustang antigo, porém, vale um conselho. “É preciso saber comprar. Há muitos anúncios com preços acima do mercado. Você talvez ainda tenha de restaurar o carro e pode não conseguir recuperar todo o investimento”, ele pondera.


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