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Carro por assinatura ou locação de veículos: entenda a diferença nos contratos

Procura por aluguel e por assinatura de carros avança em 2021, mas há diferenças importantes entre os serviços; veja como cada um funciona

Jady Peroni, Especial para o Jornal do Carro

17 de set, 2021 · 12 minutos de leitura.

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Lançado há poucos meses, o SUV médio Volkswagen Taos já está disponível também por assinatura
Crédito:Diogo de Oliveira/Estadão

O carro por assinatura ganhou força no mercado brasileiro em 2021. Com influência da pandemia do coronavírus, o setor automobilístico sofreu drásticas mudanças, assim como os consumidores, que buscam formas mais práticas de ter um automóvel. Hoje, marcas como Fiat, Ford, Jeep, Renault e Volkswagen já contam com serviços de assinatura, que também são oferecidos por locadoras tradicionais, como Localiza e Movida.

Contudo, é preciso entender quais são as reais funcionalidades dessa modalidade e o que a difere de outros serviços como, por exemplo, o aluguel. E, principalmente, porque a assinatura é uma alternativa viável ou não para cada tipo de caso.

assinatura e aluguel
Nilton Fukuda/Estadão

De acordo com o professor da FGV e economista especialista em indústria automobilística, Antonio Jorge, "a modalidade de assinatura surgiu em função da grande demanda que as locadoras estavam gerando junto ao setor automobilístico". Nesse sentido, o serviço veio como uma alternativa, inclusive, para as montadoras, já que comprar um veículo se tornou uma decisão mais difícil para os clientes em geral.

Assinatura x Locação

Na opção de assinatura, o cliente paga uma mensalidade fixa para utilizar um automóvel 0-km a longo prazo, com contratos que podem durar até mesmo anos. Assim, essa é a principal diferença entre a nova modalidade e o aluguel, que funciona com períodos mais curtos de tempo e, na maioria das vezes, oferece carros usados.

Dessa forma, a assinatura é boa alternativa para clientes que querem um veículo por um longo período, mas não querem arcar com a parte burocrática da compra. Isso porque, na mensalidade, itens como documentação, IPVA, seguro e revisões já estão inclusos no valor total. Por isso, o condutor só precisa bancar com necessidades diárias como combustível, estacionamento e multas.

ipva
Nilton Fukuda/Estadão

Além disso, vale dizer que, geralmente, as assinaturas podem ser feitas entre 12, 18, 24, 36 e até 48 meses. Porém, é necessário ficar atento nas limitações do contrato como quilometragem disponível por mês, tempo disponível de locação e verificar o que está incluso no seguro oferecido.

Valores podem alterar

Para exemplificar, a Renault lançou no início deste ano o serviço de carros por assinatura On Demand. Nele, é possível locar os modelos Kwid Zen 1.0 e a versão Outsider 1.0, bem como o hatch aventureiro Stepway e o SUV Duster. Além de escolher o modelo, o cliente opta por planos de 12, 18, 20 ou 24 meses.

assinatura
Renault/Divulgação

Entre os planos, é necessário pagar uma garantia de contrato e, quanto maior o prazo de assinatura, menor a mensalidade. No caso do Kwid Zen, por exemplo, o valor para locação de 12 meses parte de R$1.682,35. Mas se o consumidor optar pelo plano de 24 meses, o valor cai para R$1.504,10. No entanto, os preços variam de plataforma para plataforma.

"O mercado se ajusta de acordo com a necessidade e não existe uma única solução. Hoje, a demanda está alta e a oferta, pequena. E decidir assinar ou alugar vai depender da necessidade do consumidor. O principal conselho é colocar todas as contas no papel", pontua o Consultor da ADK Automotive, Paulo Garbossa.

Assinatura não é o mesmo que financiamento

É muito comum as pessoas confundirem a assinatura com o leasing, que é uma modalidade de financiamento de veículos muito comum, por exemplo, nos Estados Unidos, mas pouco utilizada no Brasil. Seja como for, o leasing tem uma grande diferença em relação à assinatura que pode ser decisiva na escolha do consumidor.


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No leasing, o cliente aluga um carro por um período e paga as mensalidades ao banco. Então, ao final do contrato, há a possibilidade de o condutor comprar o veículo com juros mais baixos. Além disso, é possível renovar o aluguel ou devolver o veículo.

No entanto, na assinatura, na maioria das vezes o veículo não fica disponível para venda ao fim do contrato. Isso porque ele pertence à montadora ou locadora, e o cliente contrata o serviço, mas sem a prerrogativa de compra futura.

Diversidade de opções

A Volkswagen foi outra montadora que também adotou os serviços de assinatura. Chamado de Sign&Drive, a marca disponibiliza sua dupla de SUVs, Taos e T-Cross, nas versões Comfortline e Highline.

Em questões de valores, a mensalidade mais barata é a do VW T-Cross Comfortline, que parte de R$2.439. Já o mais caro é o VW Taos Highline, que pode chegar a R$3.749 mensais.

Já a plataforma Flua! reúne modelos das marcas Fiat e Jeep, que fazem parte do grupo Stellantis. No total, são dois SUVs da Jeep e sete carros da Fiat disponíveis em diferentes versões.

econômicos
Jeep/Divulgação

O plano mais barato é do hatch Fiat Mobi 1.0 manual, com o preço a partir de R$1.249. Já o modelo mais caro é o Jeep Compass Limited TD350, com motor turbo diesel e câmbio automático. O SUV médio cobra mensalidade de R$ 4.499 por mês pela assinatura.

Além disso, a plataforma Flua! permite assinar veículos comerciais. Ou seja, inclui a picape Fiat Strada, que parte de R$ 1.749, bem como a Toro, que começa em R$ 3.149 mensais. Há também tem opção de locar uma van Ducato pelo valor de R$ 4.019, ou o furgão Fiorino, por R$ 1.949. É uma modalidade interessante para empresas de vários ramos.

Montadoras crescendo na modalidade

Na assinatura, há desde carros mais simples, como o Renault Kwid, até os mais luxuosos. Esse é o caso dos modelos disponíveis pela Audi no plano Luxury Signature. Nele, o prazo máximo é de 24 meses e parte do valor de R$ 10.790 com o A6 Sedan, e chega até os R$ 16.890 com o Audi Q8 Performance Black.

Contudo, os valores das assinaturas de veículos vêm crescendo de acordo com a oferta das montadoras. Segundo Antonio Jorge, da FGV, a assinatura tem um custo de capital elevado, pois as montadoras criam empresas para oferecer os serviços.  "Eu como montadora não sou um realizador de assinatura, ou seja, é preciso criar um braço específico. Porém, o mercado tende a aumentar a variedade de empresas que vão oferecer essa modalidade", acredita.

Divulgação/Audi

Modalidade tende a crescer

Um dos fatores que tem chamado muita atenção dos consumidores é o fato de que, ao final da assinatura, não é preciso se preocupar com a desvalorização do carro. Por isso, e pela menor burocracia, muitas vezes assinar um veículo pode ser vantajoso. "Essa é uma das evoluções nas relações de consumo que pode crescer ainda mais", aponta Garbossa.

No entanto, é preciso estar atento aos detalhes. Apesar de ter um carro 0-km todo ano, o veículo não é seu. Ou seja, na hora do contrato, a empresa pode solicitar o registro para o caso de outra pessoa dirigir o carro. Ou até mesmo proibir o uso por terceiros.

Do mesmo modo, outra desvantagem do modelo de assinatura é que algumas empresas, ou montadoras, não permitem sua contratação por motoristas de aplicativo.

Mas se o serviço interessou, para assinar basta ter uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e disponibilidade financeira para pagar as mensalidades. Contudo, é sempre bom pegar a calculadora e analisar o quanto está disposto a pagar.

E o aluguel?

Já sabemos que a principal diferença entre a assinatura e o aluguel é o fator de tempo. Porém, o serviço de aluguel é muito benéfico para necessidades imediatas. Em outras palavras, caso deseje um veículo para hoje e só vai utiliza-lo por um curto espaço de tempo, o aluguel é para você. Afinal, nesta modalidade, logo depois de formalizar o contrato, o automóvel já está em mãos. Já na assinatura, que costuma ser feita pela internet, é necessário aguardar a entrega do veículo, o que pode levar um tempo.

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