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Crise dos chips: Renault fica parada até o fim do mês e Fiat reduz ritmo

Escassez de chips adia retorno da fábrica da Renault para 27 de agosto, e afeta produção de Captur, Duster, Kwid, Logan, Sandero e Stepway

Vagner Aquino, Especial para o Jornal do Carro

09 de ago, 2021 · 7 minutos de leitura.

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Com falta de energia elétrica, fábricas podem ser obrigadas a interromper funcionamento e agravar inatividade causada pela crise dos semicondutores
Crédito:Renault/Divulgação

Após anunciar paralisação de 10 dias, a Renault vai parar por mais tempo que o previsto. A marca francesa anunciou que só retomará a produção em São José dos Pinhais (PR) no fim deste mês. Dessa forma, ficará sem produzir carros até o dia 27 de agosto - antes, a previsão de retorno era nesta quinta-feira (12). O motivo é o mesmo que tem assombrado a General Motors e a Volkswagen: escassez de chips.

Com o desligamento das máquinas do Complexo Ayrton Senna, a Renault deixa de fabricar momentaneamente toda a sua linha de carros de passeio. São eles: Captur, Duster, Kwid, Logan, Sandero e Stepway. Apenas a ala de comerciais leves, onde é feito o furgão Master, continua em funcionamento.

Além de afetar a marca francesa, os impactos provocados pela pandemia da Covid-19 na fabricação de componentes eletrônicos também obrigou a Fiat a pisar no freio neste mês. A marca italiana, nesse ínterim, interrompeu um turno na fábrica de Betim (MG). De lá saem: Argo, Doblò, Fiorino, Grand Siena, Mobi, Strada e Uno.

Posicionamento da Fiat

Em nota, a marca do grupo Stellantis afirma que, "em decorrência da escassez mundial de chips, a fábrica de Betim paralisou as atividades em um turno de apenas uma das linhas de produção pelo período de 10 dias, a fim de ajustar o volume de produção à disponibilidade de peças". De acordo com a marca, os demais setores da fábrica operam normalmente.

argo chips
Fiat/Divulgação

Grave consequência da crise é que a fabricante certamente quebrará sua sequência de bons resultados nas vendas. Para quem não se lembra, a Fiat fechou o mês passado com 26,9% do market share no ranking das marcas. E não é só isso. A fabricante emplacou nada menos que quatro dos cinco veículos mais vendidos de julho.

Argo, Strada, Mobi e Toro estão no topo da lista, que só dividiu espaço com o Hyundai HB20. O hatch da marca sul-coreana ficou em quarto lugar entre os automóveis e comerciais leves mais vendidos do sétimo mês de 2021. Cabe salientar que a Hyundai Motor Brasil teve a situação de sua fábrica normalizada no dia 19 de julho.

Entretanto, mesmo com os três turnos em funcionamento, a fabricante alega que segue monitorando a situação de instabilidade no fornecimento de componentes eletrônicos. A ideia é remanejar os volumes de produção caso a planta de Piracicaba (SP) sofra desabastecimento de componentes.

Fábrica da Honda em Itirapina chips
Divulgação/Honda

Nissan e Honda

A Nissan também já passou por crises, em junho, mas segue operando normalmente. No entanto, assim como a Hyundai, está em alerta para novos contratempos.

O mesmo caso acontece com a Honda. "Atualmente, as unidades produtivas da Honda Automóveis do Brasil encontram-se em atividade normal. No entanto, a empresa segue monitorando a situação junto a seus fornecedores e não descarta novos impactos pelo desabastecimento de componentes eletrônicos", afirma a fabricante, em nota.

GM fortemente afetada pela crise

Como fabricante mais afetada pela crise dos chips no Brasil, a General Motors tem previsão de retorno de Gravataí (RS) no dia 16 de agosto. A marca afirma que a intenção é atuar em um turno a partir dessa data. Isso poderá, ao menos, aliviar a escassez que os Chevrolet Onix e Onix Plus vêm amargando desde o primeiro trimestre do ano.

crise dos chips Onix
Chevrolet/Divulgação

Em São Caetano do Sul, normalização só em 26 de agosto, conforme previsão. Enquanto isso, a GM do Brasil está "arrumando a casa" para receber a produção da nova Montana, que sairá da planta do ABC paulista para concorrer com Fiat Toro.

VW

A Volkswagen também vem colhendo prejuízos por causa da crise. Nesse sentido, o desabastecimento vem interrompendo algumas das linhas de produção da fabricante. Adaptações foram necessárias em toda a cadeia.

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Fábrica de Ancheita da Volkswagen, localizada no município de São Bernardo do Campo (SP) crise dos chips
Volkswagen/Divulgação

"Nos últimos meses, o time da Volkswagen América Latina tem trabalhado intensamente, em parceria com a matriz e fornecedores, para minimizar os efeitos da escassez de semicondutores para a produção em suas fábricas na região. Entretanto, o cenário atual não demostra o encaminhamento para uma solução definitiva visando a normalização do fornecimento de chips", posiciona-se a Volkswagen.

Em Taubaté (SP), nesse sentido, foram concedidas férias coletivas de um turno de 2 a 11 de agosto. Na planta de São Bernardo do Campo (SP), todavia, férias coletivas de um turno - 19 de julho a 28 de agosto. Já as unidades de São Jose dos Pinhais (PR) e São Carlos (SP) seguem em operação normal.

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