Volkswagen Gol faz 40 anos e continua no topo

Na sexta-feira, dia 8, hatch brasileiro, o Volkswagen Gol completará 40 anos de boas vendas e alguns tropeços

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VW GOL 1982 Crédito: GLAUCIA MOTTA/ESTADÃO

O Gol está se tornando um quarentão. O hatch lançado em 8 de maio de 1980 tinha uma tarefa para lá de importante no Brasil: substituir o Fusca, um dos carros mais emblemáticos do mundo. E vem cumprindo sua missão com louvor: foi o veículo mais vendido do País por 27 anos consecutivos.

Assumiu a liderança em 1987, com apenas sete anos de idade, e só foi tirado do topo do ranking em 2014. Ainda hoje, é o quinto veículo mais vendido do País e o primeiro da Volkswagen, à frente até do Polo. Quem vê os louros obtidos ao longo dessas quatro décadas talvez não imagine os tropeços que esse Volkswagen deu antes de conseguir embalar. Na época do lançamento, o Gol chamou a atenção pelas linhas. O estilo lembrava um pouco o do “irmão” Passat. O problema é que o motor remetia muito ao do Fusca.

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ANDRE LESSA/ESTADÃO

De acordo com as premissas estabelecidas pela Volkswagen, o Gol deveria ser mais moderno, espaçoso e bonito que o Fiat 147. Além disso, teria de ser tão ou mais econômico que o rival. E tudo isso com um anêmico motor 1.300 refrigerado a ar! Os planos originais previam que o Gol entraria em campo com o motor do Passat, refrigerado a água. Mas duas razões adiaram essa estratégia. Uma foi custo. Para poder brigar em preço com o rival da Fiat, ao menos na estreia o novo modelo deveria ter mecânica mais barata. Além disso, o Passat vendia bem e seria difícil abastecer de motores as duas linhas simultaneamente.

Como o motor saiu da traseira do Fusca para a frente do Gol, em uma área muito mais ventilada, foi possível dispensar o radiador de óleo e adotar uma nova ventoinha. Com essas e outras alterações, o boxer perdeu 14 kg de peso e ganhou 4 cv de potência, passando a 50 cv. Uma das curiosidades é que o distribuidor vinha protegido por um saquinho plástico, para evitar infiltração de água.

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ANDRÉ LESSA/ESTADÃO

O desempenho do novato era melhor que o do veterano, embora não empolgasse muito. Isso foi dando sobrevida ao Fusca. Um sopro de ânimo surgiu no ano seguinte na linha Gol, com a chegada do motor 1600, ainda refrigerado a ar. As coisas só começaram a melhorar mesmo a partir de 1984. Foi quando a Volkswagen lançou a versão esportiva GT, que trazia o mesmo motor 1.8 refrigerado a água do Santana.

No ano seguinte, quando finalmente o hatch recebeu o motor 1.6 do Passat e uma reestilização, que inclui a adoção de faróis maiores, as vendas dispararam. Em 1989 foi a vez do Gol GTI, primeiro carro do Brasil com injeção eletrônica de combustível. Com motor 2.0 de 120 cv, era o sonho de consumo de todo brasileiro fã de carro.



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VOLKSWAGEN

Gerações do Gol

Bolinha’. A segunda geração surgiu apenas em 1994, após 14 anos do lançamento do hatch. Com linhas mais arredondadas, ficou popularmente conhecida como Gol “bolinha”. A nova versão GTI, de 1995, tinha motor 2.0 16V de 145 cv importado da Alemanha. Por causa do coletor de admissão invertido, havia um calombo no capô.

‘G3’. Embora seja chamado de “G3”, o modelo de 1999 não é a terceira geração, mas uma reestilização que incluiu linhas mais retas, painel renovado e, pela primeira vez, carroceria de quatro portas. Air bags e ABS passaram a vir como opcionais. Outra novidade foi o motor 1.0 turbo, que chegou em 2000, com 112 cv.

‘G4’. A quarta reestilização, de 2006, trouxe de volta as linhas mais sinuosas. Com o fim do Fusca, o Gol perdeu as versões sofisticadas e assumiu o papel de carro de entrada da Volkswagen no País, abrindo espaço para o Fox subir na vida.

‘G5’. A mudança mais radical veio em 2008, com a chegada da terceira geração, cuja plataforma é derivada da utilizada no Polo. O motor passou da posição longitudinal para a transversal, e a cabine melhorou muito. Desde então, o Gol recebeu três leves reestilizações (em 2012, 2016 e 2018) e ganhou novo fôlego com o câmbio automático, que passou a equipar o modelo no fim de 2018.

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Modelo deu origem a sedã, picape e perua

Logo após o lançamento do hatch, a Volkswagen do Brasil já estava praticamente pronta para apresentar os outros membros da família Gol. Assim, em maio de 1981, a marca alemã dava início à produção do Voyage. O nome francês sugeria que o sedã destinava-se a viagens familiares.

E o modelo trazia um bom trunfo: o motor 1.5 refrigerado a água do Passat, o mesmo que havia sido negado ao Gol. A potência de 78 cv e dava boa agilidade ao carro, que era cerca de 40 kg mais leve que o modelo doador do quatro-cilindros. De frente, o Voyage ostentava piscas ao lado dos faróis (no primeiro Gol, essas luzes ficavam no para-choque). A carroceria do sedã também era 27 cm mais longa que a do hatch, por causa do porta-malas maior.

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VOLKSWAGEN

No ano seguinte a Volkswagen lançou a perua Parati e a picape Saveiro, como parte da linha 1983. O carro familiar trazia o mesmo motor 1.5 do Voyage. Nos anos 80 ninguém falava em SUVs e as peruas faziam muito sucesso. A Parati foi o primeiro Volkswagen do País a oferecer rodas de liga leve (opcionais).

O porta-malas de 620 litros não era o maior da categoria – o da Chevrolet Marajó tinha 469 l e o da Fiat Panorama, 669 l –, mas a novata não demorou a conquistar, além das famílias, também a clientela jovem. Não por acaso a perua contou ao longo da vida com versões e séries especiais alusivas a esse público, como Surf e Track & Field. A Parati durou 30 anos e saiu de linha em 2012 para abrir espaço para a SpaceFox.

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VOLKSWAGEN

Diferentemente de Voyage e Parati, a Saveiro chegou com motor refrigerado a ar, como o do Gol. Tinha capacidade para levar 570 kg e só passou a vir com o 1.5 a água em 1985. A partir daí, a picape vem acompanhando a evolução do hatch e permanece em linha até hoje.

Injeção

Além de ter gerado “filhos” com diferentes carrocerias, ao longo da vida o Gol teve diversas versões e séries especiais. E um dos exemplos mais marcantes foi a versão GTi. Lançada em 1989, era oferecida exclusivamente com carroceria na cor Azul Mônaco. Foi o primeiro carro do País a vir equipado com injeção eletrônica.

Os principais benefícios eram a redução de consumo e de emissão de poluentes, porque a eletrônica se encarregava de fornecer a quantidade ideal de gasolina de acordo com a situação do momento. Graças ao motor 2.0 do Santana, que rendia 120 cv, e à caracterização esportiva por dentro e por fora, o Gol GTi acabou tendo sua imagem ligada muito mais ao desempenho do que à economia.

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OSWALDO PALERMO/ESTADÃO

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