Primeira Classe Rafaela Borges

Por que amamos o Corollão

Amamos o Corollão porque ele é o carro que resolve. E você acha que ele é caro? Talvez, você mude de opinião

toyota corolla
Corollão Ele não emociona, mas não tem nenhum grande problema (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Quem acompanha o Jornal do Carro sabe: nós já “batemos” no Corolla. E como batemos. Um líder tão absoluto sempre chama a atenção, e desperta críticas. Além disso, eles tinhas muitas falhas que mereciam ser criticadas, das quais a principal era a ausência de controle eletrônico de estabilidade (ESP). Mas, críticas à parte, o brasileiro continuava amando o Corollão.

(No Instagram: @blogprimeiraclasse)

Pois eu tenho um segredo para contar para vocês. Eu também amo o Corollão. E, agora que ele recebeu controles de estabilidade e tração, fica mais fácil dizer isso. Porque, na realidade, é difícil amar um carro dessa categoria que não tem ESP. Esse sistema vai ser obrigatório no Brasil a partir do ano que vem, e muitos carros de entrada já o possuem.

Mas a Toyota fez a coisa certa. Aliás, quase sempre, a Toyota faz a coisa certa. E, meus caros, é difícil poder dizer isso de qualquer empresa, no Brasil ou no mundo.

Porém, mesmo com ESP, o Corolla continua tendo a maioria dos defeitos que já tinha. Para começar, ele nunca foi o melhor de seu segmento. Provavelmente, nunca será.

E daí? Isso não me impede de amar o Corollão. Isso não impede o brasileiro de amá-lo. Abaixo, listo alguns motivos que me fazem amar o sedã da Toyota. Acredito que muitos de vocês compartilhem dessa opinião. Seria legal se vocês deixassem a de vocês na caixinha de comentários. Por que vocês amam o Corollão?

E, ao final dessa leitura, proponho também um outro debate. Vocês acham que o Corolla é caro? Acham mesmo?

 

UM CARRO CORRETO

Como o HR-V, da Honda, o Corolla não é nada emocionante. Mas também, desde a linha 2018, não tem nenhum notável ponto fraco. O Jornal do Carro está produzindo a série “Os vacilos”, que lista as falhas dos carros mais queridos do Brasil.

Quando chegou a vez do Corolla, tivemos de recuar. Não havia pontos fracos suficientes para suportar uma reportagem da série.

O Corolla não é super rápido, mas anda bem. Ele não tem acabamento moderno, inovador, mas bem feito. Seu design não é de receber aplausos nas ruas, mas agrada.

A suspensão não tem ajuste firme o suficiente para inspirar quem gosta de uma tocada esportiva. De todo modo, ela oferece conforto sem deixar o carro anestesiado e bobão.

A central multimídia não é das campeãs de crítica. No entanto, funciona bem. Resolve o problema.

 

A COMPRA MAIS SEGURA

O brasileiro é muito preocupado com o valor de revenda e o pós-venda. O Corolla, assim como a maioria dos carros da Toyota, tira nota dez nos dois quesitos.

O sedã desvaloriza pouco. Além disso, são raras, quase inexistentes, as queixas de clientes em relação a problemas com o carro. Mas os problemas existem, claro. Quando existem, a Toyota resolve.

Pelo menos esse é o feedback que recebemos aqui no Jornal do Carro, tanto de pessoas conhecidas quanto de leitores.

A verdade é que a Toyota é uma marca que respeita o consumidor. E isso é tocante. Não deveria ser, afinal, a empresa não está fazendo mais que sua obrigação.

Porém, em um mercado em que poucas tomam a atitude correta, é difícil não aplaudir a que o faz. Triste de dizer. Mas real.

No fim do dia, as pessoas acabam optando pelo Corolla porque ele é seguro. Seu proprietário pode não parecer descolado. Pode ser chamado de tiozão. Mas e daí? Ele crê que, com o sedã, chegará em casa no fim do dia sem dores de cabeça quando o assunto é carro.

Certa vez, um grande amigo me pediu uma sugestão. Que carro comprar? Ele curte carros, gosta de dirigir, viajava bastante na época. Sugeri um Focus, carro que nós jornalistas amamos. Sempre tecnológico, rápido, bom de guiar.

Meu amigo adorou o Focus. Porém, alguns meses após a compra, teve um grave problema com o câmbio. Problema que a Ford não conseguia resolver – ou talvez não tivesse boa vontade em fazê-lo.

Ele perdeu a paciência e vendeu o Focus. Um tanto traumatizado, não pensou duas vezes. Comprou um Corolla. E jamais se arrependeu. Ele não era tão legal de guiar quanto o Ford. Mas e daí? Ele resolvia todos os seus problemas.

 

O COROLLA É CARO?

Uma das críticas mais comuns de nossos leitores é em relação ao preço. Mas será que o Corolla é mesmo caro.

O segmento de sedãs médios tem muitos representantes, mas a maioria com volume muito baixo de vendas. Aqui, portanto, vou fazer uma comparação entre os três mais representativos. Os três que, de fato, vendem.

O Corolla mais barato custa R$ 91.990. O que de fato vende, XEi, tem tabela de R$ 103.990. Do Civic, a versão campeã de vendas (e equivalente) é a EXL. Preço? R$ 105.900. Não vou nem entrar no mérito da opção Touring do Honda, bem mais cara, mas também com motor mais moderno e potente.

O Cruze não é mais barato na versão de entrada, LT, a R$ 92.990. Porém, na LTZ, de topo, sai a R$ 104.990. Essa configuração é mais bem equipada que a XEi do Corolla. Ela equivale à Altis, de R$ 116.990.

No caso do Cruze, portanto, talvez seja possível dizer que ele é mais barato. Do Civic, jamais.

A verdade é que os carros no Brasil estão muito caros. O Corolla é caro sim, mas o Civic também, e até mesmo o Cruze. Acho que dá para dizer, portanto, que seu preço, seja ele alto ou baixo, está completamente adequado a seu segmento.

 

MAS ELE NÃO É O MELHOR DO SEGMENTO. CERTO?

Quando analisamos puramente o produto, acho que dá para cravar: o Civic é melhor que o Corolla. Melhor de dirigir, de acelerar, de impressionar (por causa do visual mais marcante). Quanto ao Cruze, há controversas. Mecanicamente, o Chevrolet é melhor.

Mas ser o melhor leva em conta puramente o produto? Não se considera o pós-venda, o valor de revenda, o seguro, o custo de manutenção? Sim, o brasileiro leva tudo isso em consideração. Para o consumidor do País, esses fatores são determinantes na compra.

Por isso, considerando os fatores que vão além do produto em si, talvez o Corolla possa sim ser considerado o melhor do segmento. Quer dizer: ele é. Pelo consumidor, ele, sem dúvidas, é. Não é à toa que, mesmo com todo esse preço, frequenta quase todo mês a lista dos cinco carros mais vendidos do Brasil – e é líder absoluto do segmento de sedãs.

A conclusão é que o brasileiro ama o Corolla porque ele é o carro que resolve. Resolve tanto que, mesmo se entregar emoção, se transformou em um sonho de consumo.

E, sim, eu admiti que amo o Corollão, mas não se enganem. Continuaremos criticando os pontos fracos do carro, quando necessário (veja alguns na galeria abaixo). O Corolla e todos os outros carros à venda no Brasil.

Porque somos críticos de carros. Porque estamos aqui para mostrar a vocês o lado bom e o lado ruim dos automóveis. E também para pegar no pé das montadoras como achamos que seu automóvel tem de receber mudanças cruciais. Afinal, o Corollão ganhou ou não ganhou o tão aguardado ESP?

 

VEJA TAMBÉM: 5 RAZÕES PARA COMPRAR O COROLLA. E CINCO PARA NÃO COMPRAR

 

 

 


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