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Indústria deixou de produzir até 120 mil veículos no 1º semestre por falta de microchips
Mercado

Indústria deixou de produzir até 120 mil veículos no 1º semestre por falta de microchips

Crise dos chips aperta e Anfavea reduz projeção de crescimento. No mundo, estima-se que 3,6 milhões de veículos já deixaram de ser produzidos

Emily Nery, Especial para o Jornal do Carro

07 de jul, 2021 · 6 minutos de leitura.

SUVs
Fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais passou por interrupções na linha de montagem
Crédito:Volkswagen/Divulgação

O indústria brasileira deixou de produzir entre 100 mil a 120 mil veículos no primeiro semestre de 2021 por causa a falta de semicondutores, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A crise dos componentes eletrônicos derrubou em 13,4% a produção nas montadoras em junho, em comparação a maio. Consequentemente, a entidade precisou baixar a projeção para 2021.

As montadoras produziram 116,9 mil unidades em junho, número 13,4% menor do que o registrado em maio. Em relação a junho 2020, quando em que a maior parte das fábricas estavam fechadas por causa pandemia, o crescimento é 69,6%.

No acumulado do ano, as linhas de montagem produziram 57,5% veículos a mais do que no mesmo período do ano passado. Ao todo, 1,15 milhão de veículos já saíram das fábricas neste ano.


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Sem microchips em estoque, Onix e Onix Plus não são fabricados desde março (Divulgação)

Ainda sim, esse total poderia chegar aos 1,27 milhão, visto que até 120 mil veículos deixaram de ser feitos por causa da falta dos microchips. É o caso de líderes de vendas, como a dupla Chevrolet Onix e Onix Plus, bem como o Volkswagen Gol e T-Cross.

Indústria mundial perdeu 3,6 milhões de unidades

De fato, os prejuízos foram muito maiores para as montadoras. De acordo com um cálculo da BCG apresentado pela Anfavea, a indústria mundial deixou e produzir 3,6 milhões de veículos somente no 1º semestre. Nos EUA e Canadá, por exemplo, as montadoras poderiam ter fabricado 849 mil unidades a mais se o estoque de semicondutores estivesse normal.


Boa fase para os importados

Com a baixa oferta de modelos, o mercado interno também registrou resultados negativos. Desse modo, 145.882 carros nacionais foram licenciados, um recuo de 6,6% em relação aos 169.237 veículos licenciados em maio. Os modelos importados, em contrapartida, registraram crescimento de 25,5% ante a maio, ao comercializarem 24,4 mil unidades em junho.



Nova previsão

A falta de componentes eletrônicos fez com que a Anfavea revisasse a projeção de crescimento para o ano de 2021. Em janeiro, a associação estimava que as fábricas pudessem produzir cerca de 2,385 milhões de veículos, o que representava um crescimento de 25% ante 2020.

Após as montadoras terem parar as fábricas e/ou reduzir turnos, a associação baixou a projeção para 2,305 milhões de automóveis e comerciais leves. Ou seja, isso demonstra uma alta de 21% em relação ao ano passado.


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EUA e Canadá deixaram de produzir 849 mil veículos no 1º semestre (Rebecca Cook/Reuters)

O Presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, revelou ser difícil fazer estimativas em meio a um cenário tão nebuloso no Brasil. ?Além das variáveis socioeconômicas, agora temos de levar em conta a situação da pandemia, bem como o ritmo da vacinação, a instabilidade política e essa crise global dos semicondutores, sobre a qual pouco podemos antever?, desabafou.

Crise energética

Cabe ressaltar, no entanto, que outra variável importante na fabricação de veículos ainda não entrou no cálculo da Anfavea. A crise de energia elétrica e, consequentemente, o aumento das bandeiras tarifárias, podem levar ao aumento de custos das fábricas. Então, posteriormente, poderão ser repassadas ao bolso do consumidor.


Carro mais caro, até quando?

Já faz meses que o Jornal do Carro acompanha os consecutivos aumentos de preço dos carros 0-km. A tendência, entretanto, é de que os reajustes continuem. Luiz Carlos Moraes atribui alguns motivos relacionados à produção, como a falta de componentes tais como o aço, resina, borracha, assim como os microchips.

Além disso, Moraes aponta o aumento da inflação e a desvalorização do real no 1º semestre como fatores de encarecimento das matérias primas que chegaram ao Brasil.


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